DEATH CAB FOR CUTIE – Narrow Stairs (2008)

NOTA: 6,5

DCFC - Narrow_stairs

Com ‘Plans’ (2005) o Death Cab For Cutie marcou sua saída da pequena gravadora Barsuk para os braços da poderosa Atlantic. Resultado? Álbum nas paradas, disco de platina e indicação para o Grammy. Por causa da chancela (poder de fogo) da gravadora ou pelas qualidades do álbum? Ou, ainda, tudo isso e mais o nome construído nos anos em que estiveram no mundo independente, registrados em cinco álbuns? Ou seria por causa da música no seriado OC?

Independente da resposta, a repercussão levou Gibbard, Walla e banda a excursionarem bastante em 2005 e 2006. 2007 foi o ano da parada e concentração para “Narrow Stairs”, agora com a mudança de gravadora já devidamente assentada.

Não é uma continuação, ao contrário, está mais para um rompimento gradativo com as melodias certeiras e gosto pop que floresceram em “Plans”. Os arranjos estão mais crus em boa parte das canções, com ênfase em distorções em algumas. “É mais barulhento e dissonante, acho que abrasivo seria a palavra ideal para descrevê-lo. Com influências de heavy metal, slow metal e da banda Brainiac”, diz Chris Walla. A mudança pode causar estranhamento para quem pegou o bonde DCFC após 2005.

Some dois fatores: três anos sem gravar um novo álbum e mais essa mudança após um álbum bem sucedido e a conclusão é que além de corajosos eles estão numa posição confortável na Atlantic, o que lhes permite gravar quando quiserem. Talvez ninguém na gravadora imaginasse que aquela banda indie pudesse render tanto. Mas os investimentos foram altos, o que inclui o lançamento de dois DVD’s nesse internédio.

Ao mesmo tempo, os três anos de intervalo parece que não foram suficientes para a a banda arejar as idéias e achar inspiração para compor uma canção que grave na memória do ouvinte ao longo das onze faixas de “Narrow Stairs”. Por mais audições que se faça, nenhuma canção consegue se fixar. Não que provoquem indiferença, mas soam mornas. Há dois ou três momentos em que acende aquela luzinha, mas apenas em determinadas partes de determinadas músicas (que serão destacadas adiante nos melhores momentos), não são suficientes para tirar o álbum do balaio de álbuns medianos de 2008.

Não é ruim, não! É como aquele tipo de pessoa que você conhece há alguns anos, nunca teve problemas com ela, mas sabe que falta algo para que você venha a gostar dela. Aí você matuta, matuta e matuta tentando descobrir a razão, mas nunca encontra, ou não tem coragem de admitir.

Apesar da afirmação de Walla lá em cima, há algo de Radiohead, de Pixies e de Can na mistura que gerou o álbum. Há o abandono, quase completo, da construção de melodias. Por outro lado, soa mais um álbum “de banda”, ao invés de criação de única de Gibbard e Walla. Nesse sentido, a longa “I Will Possess Your Heart” chega como uma jam session, com toda a banda tocando ao mesmo tempo, lime todo instrumental inicial e pode emplacar. É onde admitem as influências do Can. Os Pixies entram na linha melódica surf do baixo de “Long Division”, algo de “Paranoid Android” no final apoteóticamente barulhento e cheio de efeitos de “Bixby Canyon Bridge”, ou o slow-core de “Cath…”, que não faria feio em algum álbum do Red House Painters.

As incertezas ou opções por um formato mais básico podem ser sentidas em “You Can Do Better Than Me”, por exemplo, uma canção interessante que poderia que poderia crescer, tomar outras direções, mas termina com menos de dois minutos, antes que possa atingir seu ápice, soando mais como introdução para “Grapevine Fires”, que mesmo com seu coro de uh-uh-uh’s não convence, assim como “Your New Twin Sized Bed”.

É um álbum mais para a densidade que para a leveza e o fechamento com a estranha “Pity and Fear” e a balada “The Ice Is Getting Thinner” deixam isso bem claro, tomando um rumo bem diferente do início. O lado mais ensolarado, se é que existe um, fica por conta da sugestivamente intitulada “No Sunlight”, que é um paradoxo: letra triste com instrumental pra cima.

O Death Cab For Cutie poderia ter feito um segundo “Plans”, preferiram ousar e fugir da fórmula, entregaram um álbum escuro, o mais soturno de sua carreira, numa demonstração de coragem, correndo alguns riscos. Pode até agradar críticos e fãs da banda de longa data, para quem esperava um outro Plans, o sabor pode ser bem amargo. Não há nenhuma candidata a sucessora de “Soul Meets Body” ou “I Will Follow in the Dark”. E se tem defeitos, tem um que ninguém pode apontar, de ser um álbum repetitivo, apesar de não ser suficiente para tirar o rótulo de meia-boca.

MELHORES MOMENTOS: “Bixby Canyon Bridge” e “Cath…”.

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