JULY SKIES – The Weather Clock (2008)

NOTA: 8,5

July_Skies_-_The_Weather_Clock

O pequeno e obscuro selo independente inglês Make Mine Music merece uma matéria à parte, fundado em 2002 por Scott Sinfield (Portal) e Jon Attwood (Yellow6), é uma espécie de cooperativa – com uma proposta de igualdade entre os grupos que dele participam – e reduto de bandas tão interessantes quanto desconhecidas. Em sua maioria grupos que trabalham composições repletas de texturas. De lá são o Yellow6, Still Crescent, Epic45, Avrocar, Portal e o July Skies.

Os July Skies se mostraram pela primeira vez em 1997, com o EP “At The Height of Summer”, por obra do guitarrista Antony Harding (Avrocar), seguindo-se mais dois álbuns de inéditas e a compilação “Where The Days Go”, em 2006, todos emoldurados por fotos bonitas e marcantes.

“The Weather Clock” mantém o padrão. Sua capa é uma foto campestre antagônica: dividida entre o plúmbeo do céu que encobre a casa e domina o horizonte, e o colorido da água do lago – cercado pelo verdejante gramado -, que reflete um céu azul, como um alerta de que nem sempre a imagem refletida corresponde ao que reflete. Deparar-se com uma foto como esta é sentir-se tentado a descobrir os segredos que se escondem nessa casa, nesse lago, nesse céu de julho.

Fascinado pela história, pela Segunda Guerra Mundial, pela arquitetura, pela arte e geografia britânica e, principalmente, pelo passado, Antony busca aí a inspiração para suas composições. Sem medo de errar, serenidade e beleza são adjetivos que podem ser usados inúmeras vezes para referir-se a suas canções. Todas envoltas numa aura de nostalgia cortante que às vezes dói, esfacela, deixa inerte, requerendo do ouvinte total absorção, total silêncio. Música intimista.

Sobre o processo de composição das músicas ou como elas surgem, diz não saber ao certo: “A maioria das canções, no que diz respeito aos acordes e notas, não são planejadas, elas apenas acontecem de alguma forma através do foco no passado, sendo inspiradas por visitas a lugares geográficos ou pela literatura clássica britânica do século 20, poesia, fotografia, arte em geral”.

As atmosferas são lentas e envolventes, seja no ajuntamento de acordes com timbres etéreos ou na progressão melódica das notas do piano. A maior parte são instrumentais, e quando Antony resolve cantar é de forma tímida circundado por um eco que preenche o ambiente cheio de solidão. É o tipo de álbum que parece encerrar um conceito, que exige sua audição na totalidade e na sequência em que foram dispostas a faixas para que o efeito seja mais intenso.

Há também algo de cinematográfico na música do July Skies, algo como aquela cena em que o anjo Damiel observa uma Berlim cinzenta, do alto de uma enorme estátua, enquanto divaga sobre os sentimentos humanos, no inesquecível “Asas do Desejo”, de Win Wenders.

“The Weather Clock” serve como trilha sonora ideal quando o que mais se deseja são instantes de sossego e esquecimento. Música de fundo para observar a passagem das nuvens pelo céu, ou do dia para a noite, enquanto recordações de infância dominam os pensamentos, ou para evocar imagens que tragam conforto e tranquilidade. Uma dimensão de beleza, placidez e melancolia.

Melhores momentos: “Branch Line Summers Fade”, “Girl on the Hill”, “See Britain By Train” e “Distant Showers Sweep Across Norfolk Schools”.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s