Beach House – Devotion [Carpack, 2008]

A afirmação de se sentir “embrulhado” pela música pode ter uma conotação dúbia, melhor seria dizer sugado para dentro das atmosferas ou hipnotizado pelos climas atraentes de “Devotion”. A voz aveludada que parece cantar numa imensa igreja barroca, é a indução à hipnose. Junto com as bases serenas, repetitivas e sem sobressaltos, vão envolvendo pouco a pouco, e quando você se dá conta já está viajando para um lugar tranquilo com os sentimentos relaxados, sonolento.

Seria esse o sentido mais exato do termo dream-pop? Se sim, o duo Beach House pode ser colocado no topo do pop onírico.

Impossível ficar impassível ante as texturas delicadas compostas por Alex Scally (guitarra e teclados) e Victoria Legrand (voz e orgão). Tudo é tão plácido e tão cheio de sentimentos que parece que cada canção está lhe suplicando para que lhe preste atenção ou o contrário, pouco estão se lixando pra você, como se sua beleza falasse por si, e aqueles que não lhe prestam atenção hão de um dia se arrepender.

Não tem como ficar indiferente, Victoria tem poderes mágicos de uma sereia, isso já havia ficado claro em 2006 quando editaram o também exuberante e auto-intitulado “Beach House”.

“Devotion” exala fragrâncias do mais puro perfume, conduz numa viagem serena ao Mazzy Star, a Nico, àquelas bases simples e repetitivas, repletas de melancolia que faz sentir feliz. Faz esquecer tempo, espaço, medos, frustrações, inseguranças e todas as sensações estressantes que povoam o nosso corrido dia-a-dia.

Durante a viagem, como o tempo está em suspensão, não dá pra perceber que as onze faixas já se passaram. Quarenta e dois minutos e alguns segundos de atordoamento e parece que foi um instante, resta repetir a dose.

Um vício? Não, devoção.

NOTA: 8,5

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Um pensamento sobre “Beach House – Devotion [Carpack, 2008]

  1. Bem, dois caras que gostam de música, tanto eu como você, claro que os gostos podem geralmente nunca bater ou soarem disparatados, nem tanta opinião em comum. Acho o Beach House bom, os vocais são do nível de minha adoração, as texturas sonoras idem, mas, o disco não se segura até o final, na minha opinião. De qq forma, ‘Gila’ foi uma das músicas do ano para mim (e pro Pitchforkmedia tb) e fico esperando pelo próximo trabalho da dupla, pq eles fazem parte daquele rol de bandas que sempre podemos esperar por algo mais arrebatador.

    No mais, um texto de qualidade e certeiro.

    Abraços.

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