ÁLBUNS DA DÉCADA: Kid A (Radiohead, 2000)

Na primeira vez que ouvi “Kid A”, vi no DNA do álbum sinais do Tortoise. A sonoridade que emanava do disco sugeria uma nítida aproximação com a sonoridade praticada pela banda de post-rock, comparação que não me lembro de ter lido em resenha alguma, mas quem quiser comprovar ouça o álbum “TNT”.

O minimalismo das canções, as batidas eletrônicas muitas vezes sincopadas, elementos de jazz, os efeitos sintetizados ou sampleados, a ausência quase que completa de guitarras ou de canções em um formato convencional revelavam um disco difícil de ser entendido, mas que, devido às enormes expectativas e ao grande e merecido sucesso de “Ok Computer”, associado a uma poderosa jogada de marketing, além de uma espécie de sede por algo novo da banda, por irônico que pareça, acabou se tornando seu maior sucesso comercial. Atingiu as paradas de diversos países, algo que talvez nem seus idealizadores imaginassem acontecer.

“Kid A” mostra o Radiohead tentando se desvencilhar de toda a aura de “rock-stars” construída após dois grandes álbuns, dando um novo direcionamento ao seu som, e que se prolongaria por todos os seus sucessores, além da continuação lançada no ano seguinte: “Amnesiac”.

É um álbum do tipo ame ou odeie, já que musicalmente foge daquela sonoridade que caracterizou o som da banda: belas melodias e refrões inteligentes e poderosos, embora as letras de Thom Yorke continuem sendo um atrativo nas canções, mesmo que o vocalista pareça não muito disposto a cantar. “Kid A” foi um álbum divisor de águas para a carreira do Radiohead e um marco na história da música, quer gostem do álbum ou não, e quando se falar na música dos anos 2000 terá que ser citado obrigatoriamente.

A pergunta que não quer se calar é: “E se Kid A fosse o segundo álbum do Radiohead?”.

Mas, será que isso importa?

Um pensamento sobre “ÁLBUNS DA DÉCADA: Kid A (Radiohead, 2000)

  1. Esse sim, indiscutivelmente, é um dos álbuns dessa década. E quem detesta a banda, nem precisa ler meu comentário pq vou bajular mesmo.

    Engraçado que esse disco fica melhor a cada audição e nunca perde seu frescor. Acho que tem tudo bem casado aí: a eletrônica bem utilizada, o pop, o rock, traços dos 80, experimentalismo, vanguarda…enfim, várias nuances de como deixar um disco confortável e sempre revelador para os ouvintes.

    ‘Idioteque’ é um exemplo de fazer uma música grande parecer pequena. E no final da obra, vc pede para que isso não terminasse.

    Para um grupo que na época do tão mal falado ‘The bends’ era taxada de um sub-U2, nada mal.
    Ousadia. Competência. Influências diversas.
    Isto é ‘Kid A’.

    Excelente texto (precisava dizer isso? Falo assim mesmo).
    :)

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