CINEMA: O Dia em que a Terra Parou (The Day the Earth Stood Still, EUA, 2008)

Em 1951, época em que foi lançada a primeira versão de O Dia em que a Terra Parou, de Robert Wise, as preocupações das nações eram outras, a 2ª Guerra Mundial havia acabado há alguns anos e o mundo encontrava-se dividido em dois blocos, era o início da guerra fria, da corrida armamentista que punha o homem em alerta, enquanto a ciência se desenvolvia a passos largos. Klaatu, o personagem extraterrestre vinha então pedir aos seres humanos que buscassem a paz ou o planeta seria destruído.

Em 2008, uma das principais preocupações é a degradação do planeta, as consequências do desenvolvimento no meio ambiente, e é sobre esse tema que o filme de Scott Derrickson (Hellraiser, Inferno e O Exorcismo de Emily Rose) pretende se debruçar, embora no fim acabe mesmo é dando um olhar de soslaio, meio entediado, sem muita preocupação ao que deveria se propor. Isso porque tudo no filme é risível, e fica claro desde a construção do relacionamento de Helen (Jennifer Connelly) com o seu enteado Jacob (Jaden Smith) – não entendo pra que essa insistência em colocar crianças em papéis desenecessários em filmes -, até a discussão do personagem de Klaatu (Keanu Reeves) com o Professor Barnhardt (John Cleese) sobre a natureza destrutiva dos seres humanos, que bem poderia gerar um debate filosófico interessante, mas que o filme prefere não se alongar.

Tudo soa muito apressado nas cenas que deveriam ser o momento dramático do filme, o diretor mais parece interessado em mostrar explosões e o poder bélico do exército americano, a própria Connely às vezes parece perdida no filme, e quem acaba se saindo “bem” é Reeves, que com sua expressão única (ou sua falta de expressão) serve para encarnar um personagem vindo de outro mundo e talvez por isso explique a sua total falta de sentimentos em relação ao que acontece, mas que com um gesto apenas poderia ser demonstrado no momento em que ele se convence que o ser humano é capaz de mudar.

O roteiro, que aparenta ter sido escrito às pressas, joga nas mãos da personagem de Connely a responsabilidade por alertar e conscientizar o mundo sobre a insensatez com que vêm tratando o planeta, já que Klaatu quer falar diretamente com os líderes mundiais mas não consegue seu intento, fato bastante mal explicado, já que o alienígena demonstra ter poderes suficientes pra isso, pois consegue sair de uma base militar fortemente vigiada sem qualquer dificuldade.

Até os efeitos especiais não são lá grande coisa, deixando muito a desejar. Some a isso o fato de em nenhum momento ser mostrado ou explorado o drama ou o desespero das pessoas ante a destruição que se inicia com a nuvem que vai varrendo o que encontra pela frente.

Não assisti o original de 1951, o que pretendo fazer em breve, mas esse aqui confirma o que já havia ido em algum lugar: é uma bobagem.

3 pensamentos sobre “CINEMA: O Dia em que a Terra Parou (The Day the Earth Stood Still, EUA, 2008)

  1. toda vez q hollywood lança um remake evito de assistir o original pra tentar assistir isento de juizo de valor pre concebido, mas o q me chama a atenção é a dificuldade que os diretores de hollywoord estao tendo para fechar os filmes, ate achei a proposta da banda interessante mas o final… “quanto cliche deve nao ser…”

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  2. Fico triste quando vemos filmes que amamos serem destruios como foi o que aconteceu com esse, por incrivel que pareça a melhor coisa do filme foi Keanu devido a falta de expressão dele me lembrar um Alienigena, desprovido de emoções.

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  3. Esse não disse pra que veio. Filme amarrado e frouxo ao mesmo tempo (se é que me entendem!), que nã diz de onde veio nem pra onde vai. E o pior, final ridículo com solução fácil. Tipico (mais um clichê) de Holywood e do gênero!

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