Quem??? Loop

“We’re influenced visually, in terms of our live show, and musically by psychedelia because we’re big fans of it. But we try and mix it in with the rawness of The Stooges and The MC5, and even latter day bands like Suicide and The Pop Group.” (Robert Hampson em entrevista ao NME)

A virada da década de 80 para a de 90 viu surgir várias bandas que tinham uma especial predileção por barulhentas guitarras distorcidas, embebidas em fuzz, distorção, feedback, wah-wah e todo tipo de efeito possível a favor de uma conspiração noise. Sonic Youth e Jesus and Mary Chain estão entre os representantes mais famosos. Trilhando também o caminho do barulho encontramos nomes menos conhecidos como o garageiro Thee Hypnotics, a psicodelia/barulheira descontrolada do Telescopes ou Spacemen 3, sem esquecer das cortinas de guitarras tecidas pela turma shoegaze, temos também o pouco falado Loop, uma banda fascinada pelos aspectos violentos usados no cinema ou na música, exarcebada através da crueza e brutalidade de seus riffs de guitarra: “I think we’re very constructively violent. We hurt ourselves. I come offstage a lot of times bleeding”.

A banda foi formada em Croydon, cidade ao sul de Londres, em 1986, a partir da idéia do vocalista/guitarrista Robert Hampson, que se juntou a sua esposa Bex (bateria, substituída em 87 por John Wills) e Glen Ray (baixo, substituído em 88 por Neil McKay). Sobre a idéia de montar a banda, Hampson, em uma entrevista ao semanário inglês NME, afirmou que apesar de ser fã do Sonic Youth e do Einstürzende Neubauten, quem mais lhe inspirou a montar uma banda foi o Birthday Party (antiga banda de Nick Cave): “I thought: if they can do it, i’m sure I can”.

O trio debutou no mesmo ano com o single “16 Dreams”, deixando evidente o gosto por drone guitars e distorção no talo, ao melhor estilo garagista, destilando influências de krautrock e no wave, além de referências ao Velvet Underground, que não ficavam apenas na dedicatória ao guitarrista Sterling Morrison. Com riffs repetitivos, atmosferas esfumaçadas e densas, e um vocal soterrado pela avalanche guitarreira, o Loop vinha também ressuscitar o lado mais visceral da década de 60, via Stooges e MC5.

Com “Heaven’s End” – dedicado a Arthur Lee (Love) e Stanley Kubrick -, primeiro álbum, lançado em 1987, a banda emplaca um quarto lugar na parada independente britânica e entra em listas de melhor álbum do ano. O álbum reafirmava o que os rapazes já haviam mostrado em seus singles: a predileção por um inferninho guitarrístico. Por essa época chegaram a recriar um clássico do Suicide, “Rocket Usa”, numa ácida visão pessoal. Inclusive, a imprensa costumava associar o som da banda e a rotina do grupo ao uso de ácidos. Numa entrevista à NME, Hampton chegou a brincar com a situação: “A primeira coisa que as pessoas sempre nos perguntam é se tomamos ácido. E a resposta é: não todos os dias”. Sobre a música da banda, o vocalista declarou que a idéia era “transportar as pessoas para um outro mundo”.

Antes do lançamento do segundo álbum sai, a contragosto da banda, a compilação “The world in you eyes”, contendo faixas dos três primeiros singles. “Fade Out” (1989), mantém o mesmo ritmo de seu antecessor, mas com uma produção mais caprichada. O álbum rende comparações e até acusação de plágio ao Spacemen 3, assunto que muito irritava a banda. O álbum teve distribuição pela Rough Trade, e lançou a banda para o topo da parada indie, sinalizando que as coisas poderiam começar a acontecer.

Na verdade, o resultado foi inverso, a banda caminhava para seu fim. “A Gilded Eternity”, seu derradeiro álbum foi lançado em 1990 e também bateu no topo da parada indie, além de conseguir um 39º lugar na parada geral, a melhor conseguida pelo trio, que ironicamente chegaria ao seu fim no ano seguinte, logo após uma tour pelo Reino Unido e o lançamento de um álbum de Peel Sessions chamado “Wolf Flow”.

Com o fim do Loop, seus integrantes formaram outras bandas: Hampson e Scott formaram o “Main”, enquanto McKay e John Wills criaram o “Hair And Skin Trading Company”. Entre as bandas atuais, a “Darker my Love” é uma das que mais lembram a sonoridade dos ingleses.

:::DISCOGRAFIA

Heaven’s End (1987)
The World in Your Eyes (Coletânea, 1987)
Fade Out (1989)
A Gilded Eternity (1990)
Wolf Flow (Peel Sessions, 1990)

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