BARK CAT BARK – Á Lífi (2009)

Nota: 8,3

A Lífi Front EP

Tem pessoas que criam um universo musical – neste caso, um panorama sonoro – onde palavras não são necessárias para levar prazer e mágica à nossa alma. Não ouvimos um mísero sussurro. Músicos já provaram isso – se utilizando de nada ou de pouquíssimos vocábulos em suas canções. Eluvium, July Skies (com o incompreendido álbum ‘The Weather Clock’ de 2008) e Balmorhea. Três rápidos exemplos dentro de uma gama de inúmeros artistas.

Josh Todd (aka Bark Cat Bark) e seu talento em compor, com sua maestria no uso de inúmeros instrumentos (piano, harpa, cello, banjo, guitarra espanhola, etc), traz uma viagem sonora ao ouvinte. Como um perfeito cicerone, mas sem utilizar nenhum fonema para explicar os trechos da viagem, Josh induz sensações agradáveis ao viajante – aqui, o ouvinte da obra – que, embora não entenda o sentido na primeira tentativa, posteriormente ficará orgulhoso de voltar a se servir do guia – aqui, o músico multi-instrumentalista.

Começamos por ‘Verona’. Num estilo semi-orquestra de 10 minutos, que pode ser entendida como 3 atos dentro de um mesmo tema. Passagens sonoras que enfatizam até as mudanças climáticas: trovoadas e chuvas que dão lugar a um belo acordeão nos transportando para algum recanto bucólico de uma bela cidade.

De repente, eis que o viajante talvez se sinta atordoado com alguma mudança brusca. Porém, nada que faça alguém desistir do percurso. Muito ao contrário, ‘Galatia’, rápida como uma ventania, aumenta a cadência sonora sem perder o brilho do itinerário. E mesmo chegando nas terras frias que surgem em ‘Iceland’, você será agasalhado por soturnos e igualmente belos pianos que te carregam para uma atmosfera inebriante de recordações e de paz que termina com ondas se quebrando na areia de uma praia.

Para muitos seria difícil chegar até a um cemitério, na metade da jornada. Com o guia Josh Todd, é um prazer a mais. ‘Père Lachaise’ é repleta de camadas de pianos que afogam nossa alma em sentimentos quase inenarráveis. De repente, um locutor francês anuncia uma próxima estação, e ainda enaltecido, não fique estarrecido se você se deparar com Zach Condon (mentor do Beirut) na canção ‘Á Lífi’ ou mesmo com as palhetas sonoras de um Vini Reilly (The Durutti Column) no ponto final que se encontra em ‘Palermo a Larino’. Tudo bem. Certas viagens nos deixam atônitos. E tudo junto, tudo se condensa. Sentidos, visões, ilusões, melancolia, felicidade, enaltecimento. O seu fone de ouvido é como uma janela de um carro para curtir a paisagem de Bark Cat Bark. Arrume as malas e seja feliz.

6 pensamentos sobre “BARK CAT BARK – Á Lífi (2009)

  1. Sobre o comentário que supostamente teria sido do Josh, inicialmente retirei o link e logo em seguida fiz uma análise e percebi que o endereço IP desse Gonçalo é o mesmo de Josh, ou seja, esse cara tentou se passar pelo Josh mas o endereço IP o denunciou, por isso eu recoloquei o link.

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  2. Excuse me could you please remove the album download link?
    Thank you very much. And thank you for such a great review.
    Could you delete this comment that I am posting too?
    Josh

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  3. Ângelo, se vc gosta de todos aqueles instrumentos que citei no texto, dessa música semi-silenciosa, para se ouvir num quarto escuro, pensando na vida e nas coisas dela, da música instrumental bem composta em si, pode baixar tranquilo.

    E claro, obrigado pelas palavras.

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  4. Muitas vezes, uma “simples” matéria (tão bem escrita!) é sucifiente pra despertar um curioso leitor e motivá-lo a conhecer uma (provável) bela obra!

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