DOVES – Kingdom of Rust (2009)

O primeiro ano foi para excursionar apresentando “Some Cities”, os outros três pra criar um repertório de canções que os deixassem satisfeitos, assim o Doves explica a razão do longo intervalo entre seu último álbum e “Kingdom of Rust”. Foram dezoito meses de gravação até chegarem ao resultado final de onze canções. A pressão? “Estávamos em estúdio e sempre havia alguém da gravadora perguntando: O álbum está pronto? E nós: Não, ainda não”. Tamanho preciosismo tem explicação: “Tentamos sempre fazer um álbum melhor que o outro”, explicam.

Quem acompanha a discografia da banda já percebeu que experimentar elementos diferentes em cada álbum é algo inerente ao Doves. Lembro que na resenha de “Some Cities” cheguei a comentar que essa ousadia saudável no som dos mancunianos fazia falta na música do Coldplay, o que poderia mudar com “Viva La Vida”, considerando a produção de Brian Eno, mas…

Corroborando a veia experimental da banda, “Kingdom of Rust” abre com “Jetstream”, uma canção bem atípica na sonoridade do Doves, que pode pegar de surpresa os não acostumados com esse lado desconcertante da banda, quem se lembra da batucada nos minutos finais de “There Goes the Fear” sabe do que falo. Repleta de elementos eletrônicos e uma levada bate-estaca pode conduzir a julgamentos apressados sobre o que está por vir nas canções seguintes. Segundo declarações da banda, é uma canção inspirada em Kraftwerk, de quem todos os membros se dizem fãs.

Basta entrar “Kingdom of Rust” (a canção-título) e o Doves habitual está de volta: uma levadinha folk, recheada com teclados densos, elementos que se sobrepõem, uma melodia curta que acompanha o refrão e os típicos vocais aveludados. Esse Doves característico será encontrado também em “Winter Hill”, “The Greates Denier” e “Spellbound” (bem radioheadana), momentos em que será inevitável uma sensação de mais do mesmo, com o eco de canções de álbuns anteriores a sussurrar em nossos ouvidos. E quem disse que é fácil de se distanciar do passado?

“The Outsiders” e “House of Mirrors” são duas canções com pegada mais forte, a primeira um rockão que ao vivo deve se tornar muito mais poderosa e barulhenta, com uma levada de baixo devastadora e distorcida; a segunda com inusitados elementos de psicodelia e punk-rock.

“Compulsion” é mais um dos momentos desconcertantes (nesse caso no mal sentido) do álbum, tem um groove bem pegajoso e uma guitarrinha funk, o vocal fica a cargo do guitarrista Jez Williams, também responsável pelos vocais em “Jetstream”. Soa totalmente desclocada em relação ao restante do álbum, segundo o trio ela entrou no último instante, tivesse ficado de fora não faria falta.Como não poderia deixar de ser, há as baladas etéreas: “Birds Flew Backwards” (cheia de bucolismo) e “10:03”, com uma mudança de dinâmica e uma barulheira colossal em seus momentos finais que beira a descerebração.

Como qualquer álbum do Doves, é um álbum que requer audição atenta, não é um álbum de canções fáceis, embora “Kingdom of Rust” (a canção) e “Winter Hill” tenham um enorme potencial radiofônico. Não conseguem repetir o encanto de “Some Cities”, mas ninguém pode acusá-los de não tentar e, apesar disso, não estranhem se eles abocanharem o Mercury Prize desse ano. 7,2

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2 pensamentos sobre “DOVES – Kingdom of Rust (2009)

  1. Eu tinha intenção em te pedir exatamente o que vc já fez aqui: um link.
    Mas, de preferência, que não fosse pelo rapidshare.
    Thanks.
    Esse Doves eu ainda preciso escutar.
    Porém, gosto da banda, e acho melhor do que muitas que ganham espaço na mídia sem merecerem…
    Bem, deixa pra lá…
    Vou baixar.
    :)

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