DISCOGRAFIA COMENTADA: The Police – Ghost in the Machine (1981)

DISCOGRAFIA COMENTADA: THE POLICE (PARTE 4)

+ A mudança de “Ghost in the Machine” em relação aos outros álbuns do Police já começa pela capa, preta com três símbolos digitais que representariam cada um dos integrantes da banda. Mas não pára por aí, musicalmente o trio incorpora e preenche sua música com novos instrumentos: metais e sintetizadores. Resultado:o disco bateu o primeiro lugar na parada britânica e o segundo na parada americana. Apesar disso, engana-se quem achar que todos estavam satisfeitos com esse novo direcionamento, Andy Summers se declarou descontente com o rumo que a banda tomava, afirmando que tinham perdido sua identidade, não sendo mais aquele trio cheio de energia do início da carreira.

Com título e diversas letras inspiradas no livro “The Ghost in the Machine” (1967), do escritor austro-húngaro Arthur Koestler, o álbum traz várias canções tratando de temas relacionados aos problemas do mundo moderno e da situação humana ante a este novo contexo. Sting começa pegando pesado já na abertura do disco com “Spirits in a Material World” (pra mim uma das melhores canções do grupo), quando nos diz que “não há solução política para o problema da evolução… somos espíritos em um mundo material”. A linha de baixo é marcante, quase um riff, a bateria é poderosa, e o que deveria ser a levada da guitarra é feito pelo som do sintetizador, enquanto metais e teclado preenchem espaços.

“Every Little Thing She Does is Magic” é um dos momentos românticos e pode ser encarada como uma canção de transição para o lado mais pop da banda que viria em “Synchronicity”, seu álbum seguinte. Diferente de seus primeiros álbuns, onde muitas das canções deixavam grandes espaços vazios, é perceptível a preocupação em enriquecer os arranjos para além da combinação básica baixo/bateria/guitarra, que vinha sendo a tônica do grupo até ali. “Invisible Sun” é a terceira canção e também um dos três singles do álbum, junto com as duas citadas anteriormente. Mais uma vez Sting toma a posição política ao cantar sobre as tensões na Irlanda do Norte. O clip, em preto-e-branco, é repleto de imagens da Irlanda, e a letra sobre a existência de um sol invisível que dê esperança.

“Hungry for You” é mais uma canção romântica do álbum. Base repetitiva e letra cantada quase toda em francês. Em “Demolition Man”, Andy Summers encontra o momento ideal para enfiar um punhado de riffs e solos desenfreados de guitarra em duelo com os metais, num clima de jam session. “Too Much Information”, “Rehumanize Yourself” (a canção mais básica do álbum, lembrando até o Police de outrora) e “One World Not Three” (com um show de bateria de Copeland) voltam a bater nos problemas humanos e nas mazelas sociais. Nessa última, um ska, Sting assume a defesa do terceiro mundo, cantando que um mundo, não três, é suficiente para nós.

Outra canção que rememora o Police de outrora é “Omegaman”, de autoria de Andy Summers, enquanto “Secret Journey” é mais uma dos momentos de transição para o próximo álbum. Fechando, “Darkness”, de autoria de Copeland, com fortes influências de jazz, faixa que seria o primeiro single do álbum, perdendo a disputa para “Invisible Sun”.

Se Summers não se sentia satisfeito com o direcionamento musical seguido, Copeland sentia-se diminuído na banda que havia fundado, com Sting se tornando a estrela e direcionando a sonoridade do grupo. As diferenças entre baterista e vocalista, como já dito antes, às vezes acabavam em brigas. Apesar de tudo, depois desse quarto álbum o Police começou a lotar estádios por onde quer que passasse, tornando-se maiores que nunca, e em turnês extensas, rendendo uma vinda ao Brasil em 1982.

3 pensamentos sobre “DISCOGRAFIA COMENTADA: The Police – Ghost in the Machine (1981)

  1. existem duas guinadas claras neste disco: a sonora, com a entrada de camadas de teclados e arranjos de metais, mostrnado uma sintonia com o som soft nem wave vigente à epoca;somada a guinada da temática das composiçoes, relamente mais “darks” e com forte conteudo social, aspecto apenas pontual na até entao entao obra do trio ingles; pra mim os pontos altos sao as composiçoes de copeland e summers, “Darkness” e “Demolition Man”… na verdade Ghost Int The Machine e Synchronicity sao discos solo de Sting com paraticipaçao de Summers e Copeland…..

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  2. É um álbum que aponta para várias direções, talvez o mais diversificado da banda e aponta para a transição, tendo prevalecido (na transição) o lado mais pop.

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  3. Ghost in the Machine é um bom álbum, apesar de sua essência fria (no bom sentido) que se reflete através “Invisible Sun”.
    É um trabalho que incomoda e faz refletir sobre o mundo “cão” em que vivemos!

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