The Durutti Column – Love in the Time of Recession (2009)

Vini Reilly mantêm-se prolífico como nunca, lançando um álbum (às vezes dois) por ano, e apresentando agora o seu “Love in the Time of Recession”, Inspirado pelo título do romance “Amor em Tempo de Cólera”, do escritor colombiano Gabriel Garcia Marquez.

Aos que desconhecem a história desse pouco comentado guitarrista e filho menos famoso da tão falada cidade inglesa de Manchester, há que se fazer um percurso de volta ao final dos anos 70 e início dos 80; ao início da cultuada gravadora Factory, capitaneada pelo visionário Tony Wilson, falecido em 2007; e no caminho se deparar com outros nomes como Joy Divison, Simply Red, New Order, Morrissey, o produtor Martin Hannet, ou o clube Hacienda.

Passados quase trinta anos desde o primeiro álbum, “The Return of Durutti Column” (1980), criado em parceria com Hannet, aqui está Vini, esse guitarrista anoréxico, deprimido, que tem aversão a entrevistas, que não gosta de cantar, que afirma não gostar de seus álbuns, mas que extrai de sua guitarra, tocada de forma única, bonitas melodias envoltas numa espiral de melancolia.

“Todas as novas canções são uma verdadeira reflexão sobre minha vida”, declara o guitarrista sobre o novo álbum. Há homenagem ao amigo empresário Tony Wilson, na faixa de abertura “In Memory of Anthony”; ao percussionista e amigo de longa data Bruce Mitchel, em “For Bruce” e à namorada Poppy Morgan, em “My Poppy”. Inclusive ela co-escreveu diversas faixas do albume tocou piano, é uma das pessoas que aparecem na capa junto a Bruce Mitchell (percussão), Mark Broscombe, o próprio Vini Reilly, Tim Thomas (produtor), Keir Stewart (tecladista e produtor) e Laurie Laptop (produtor). “Sem a ajuda deles eu não teria sido capaz de levar adiante”, afirma Vini.

Comparado com alguns de seus trabalhos mais recentes, é um álbum com menos ênfase em elementos eletrônicos, principalmente os samples e loops, e tendência para os momentos intimistas, onde a guitarra e o piano dão a tônica das canções. É interessante a disposição de Vini para colocar sua voz em quase todas as onze canções (quatorze da versão japonesa), até mesmo em “More Rainbows”, uma faixa eminentemente instrumental, com um clima de ambient-music que dispensa vocais.

“I’m Alive” (com uma linha de baixo profunda) remete, por instantes, a momentos de “LC”, um dos melhores trabalhos de Vini, juntamente com “For Bruce” e “Paintings”, dois momentos de extrema fragilidade e beleza do álbum. Se tem uma direção para qual “Love in Times of Recession” aponta é para os primeiros trabalhos do DC, e isso aumenta a sensação de nostalgia, vide os dedilhados de “Lock-Down”.

Beleza, beleza em forma de música, é isso o que “Love in the Time of Recession” tem a oferecer, é isso o que sempre se espera de um álbum do Durutti Column. Vini não decepciona.

4 pensamentos sobre “The Durutti Column – Love in the Time of Recession (2009)

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  3. O último parágrafo genialmente escrito pelo Eduardo resume tudo. Alguém que tem uma obra tão extensa e rica como Vini merece todo meu respeito e admiração.

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  4. Vini é sempre Vini e quem sou eu para achar minúsculos detalhes que possam deixar alguma de suas obras com um caráter regular. Mesmo numa fase de debilitação física, Vini nos entrega sempre belas músicas que podem muito bem ensinar às futuras gerações de músicos como a arte deve ser, se processar, interagir com o ouvinte. Melancolia e felicidade numa espécie de antítese que deixa o ouvinte em serenidade completa.

    De 2005 pra cá, gosto muito de ‘Keep Breathing’ (e já que li seu texto, penso em atá reeditar aquela minha resenha sobre o disco pro futuro) e os outros sempre me conquistaram, sempre algo nos vem para arrebatar o espírito.

    Esse último não faz diferente. Um álbum para se ouvir de preferência com fones de ouvido, na mais tranquila paz interior, para entender a mente de um músico que traz uma carreira brilhante, isso desde os finais dos anos 70.

    Parabéns Luciano por tentar trazer palavras ao universo tão complexo que é um disco de Vini. E parabéns a esse grande músico, que me faz gostar da arte cada vez que eu escuto aquela guitarra dedilhada que ele sabe conduzir.

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