Sons & Extras Sons! (4)

Sons:

Seria (será?) “Autovia” o “Autobahn” do século XXI? Ouça e tire suas próprias conclusões. A quem me refiro? Ladies & Gentlemen, apresento-lhes a dupla Arthur And Martha (Adam Cresswell e Alice Hubley)!

Dupla londrina “eletrônica” (conhece os Pet Shop Boys?) que estreou agora em junho com o álbum “Navigation”, uma verdadeira navegação pela música eletrônica. A faixa de abertura, “Autovia”, poderia ter sido uma faixa do Radio-Activity do Kraftwerk; apesar de ser mais “alegrinha” pro clima do álbum – uma singela música! Também, se puder e quiser, responda a minha pergunta lá do início da matéria!

A segunda faixa, “Music For Hairproducts”, é uma viagem pop-eletrônica recheada de “Sha-la-las”. Já “Kasparov” é puro clima New Order fase “Power, Corruption & Lies”; repare no violão da introdução, a batida como base, a linha de baixo, o teclado e tudo mais. A situação é até “engraçada”. O próprio New Order mais recentemente não consegue compor uma música legal que lembre seus bons momentos, e eis que surge uma simples dupla que traz a tona toda a carga musical da banda – estarrecedor!

“Vallorian”, faixa seguinte, tem clima (teclados e “claps”) típico dos 80’s – nostalgia presente! É notório que a maior influência da dupla é o som do Kraftwerk, vide “Memory”, “This City Life” e “Squarewave To Heaven”. Destaque ainda para “Follow The Path” – mais Kraftwerk com a presença discreta de toques de xilofone e clima crescente puxado pelo vocal.

A conta é fechada com “Turn To Dust”, sugerindo (talvez) que a saída para a música pop-eletrônica atual seja um retorno às suas origens (old-school!). Imagino que a música eletrônica seja o gênero musical com maior capacidade de inovar e ainda surpreender. Talvez devido à tecnologia disponível. Mas como tudo, a criatividade é o que conta mais!

Extras Sons:

Ser professor atualmente é bastante desanimador: falta de interesse dos alunos, má remuneração, descaso do governo com a educação, violência nas escolas, etc. Ser DJ aqui na Bahia e principalmente aqui em Feira de Santana é pior ainda. Vai animar festas que só querem pagodão-baixaria!

Fui recentemente animar uma de 15 anos e com antecedência a mãe da aniversariante me pediu pra não tocar esse tipo de música – o tal pagodão. Fiquei feliz com a sensatez da mulher, mas na hora do vamos ver, lá na boate da casa de eventos, a galera em uníssono pedia o “dito cujo”! Resultado: mamãe com a idéia já mudada, veio pessoalmente me pedir pra tocar o “tal”. Então fazer o quê? Soldado mandado e ainda pago não é crime!

Exemplo de música pra retratar bem a situação é a sugestiva “Esfrega a xana no asfalto”. Um “mantra” de quase quatro minutos de pura alienação e mau gosto! Depois vem de lá Mr. Caetano Veloso, considerado um dos maiores compositores do nosso país; um dos criadores e participante ativo do grande movimento Tropicalista (confira o álbum “Tropicália: Ou Panis et Circenses” – considerado o segundo maior álbum nacional de todos os tempos, só perdendo para “Acabou Chorare” dos Novos Baianos) dizer que adora pagode e que isso é cultura!? Grande f.d.p. fazedor de média pra andar na mídia!

DJ-PROF.

Eita… PROFESSOR + DJ = FRUSTRAÇÃO²

2 pensamentos sobre “Sons & Extras Sons! (4)

  1. Valeu Eduardo!

    Tem tb um detalhe (coincidência): sou tb eng. civil, mas atuando muito pouco na área (alguns projetos e assinaturas de outros)

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  2. Está mais do que anotada a dica…
    Muito me interessa. A sonoridade, como vc descreveu as músicas, inclusive vou até indicar para amigos que sei que vão adorar a dupla.
    Estou achando a música eletrônica neste ano (e coloque aí o estilo e mais o tanto de designações que ela engloba) realmente interessante. Está em alta. Grupos que vem se solidificando no gosto dos fãs (Telefon Tel Aviv, Royksopp, Phoenix) e outros que estão aparecendo com força (como essa dupla citada por vc).

    Dar aulas? Pois então. Estou num escritório de engenharia civil, mexendo com cálculos e geometrias, escrevo para a internet para não viver num ostracismo e numa repetição mental. Fiz o curso de Letras e sabia que 99% eu ficaria numa sala de aula. Vc acha que eu fiquei? Não. Penso o dia em que não conseguir arrumar mais emprego nessa área civil pois terei que me virar dentro de alguma escola, aula particular, etc. Mas daí vem a teoria: alguém quer ou tem paciência para estudar neste país? Quanto mais um professor que a cada dia perde sua valorização, cai na coisificação ignorante de um país que não liga para a área social/humana. Faz-se o sacrifício para conseguir papéis, status, carreira, mais itens no currículo. E sou meio dinamite, se alguém me perturba no meio de uma explicação em sala de aula, acho que sairia e daria como aula dada. E que se vire o aluno em dia de prova.

    Dj? Nunca fui, nem tentei. Tenho vontade. Mas, queria ter meu setlist, ninguém dando opinião sobre o q tocar, ter meu espaço. Acho que boates te dão mais esse espaço, não é?

    Belo texto, com muita informação, opinião e ideias.

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