A Praga (The Plague, EUA, 2006)

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Um fato atiçou minha curiosidade para ver esse filme. Ele é uma adaptação de um livro de Clive Barker. Claro que o escritor já legou ao cinema uma história tão horripilante como “Hellraiser: Renascido do Inferno” (1987), isso faz com que um amante do gênero terror sempre fique esperando por outro grande rebento cinematográfico.

Todos sabemos também que o terror passa por uma nova safra e a cada dia saltam aos nossos olhos produções dos mais variados níveis e assuntos. Aquelas que se assemelham à franquia “Jogos Mortais”, onde pessoas são confinadas em lugares fechados lutando por suas vidas em meio a armadilhas. Existem as produções cinematográficas em que as mortes são destacadas de forma cruel e banal (a trilogia de “Premonição”, por exemplo). Ainda ressalto as produções que usam mais o jogo da escuridão, o trauma ou a claustrofobia (como aconteceu em “O Abismo do Medo”, filme aliás, surpreendente). Na atualidade, a Europa também vem com força e novo frescor ao gênero trazendo obras enigmáticas como ‘Martyrs’ (França/2008) e REC (Espanha, 2008)

Ok. Vamos para o filme. Numa pequena cidade dos EUA, crianças são acometidas de uma espécie de coma profundo (na verdade, é no mundo todo, mas a cidade é o espaço do filme), e ficam internadas por 10 anos no hospital do lugarejo. Depois dessa década, elas acordam, mas nada amistosas e pretendem exterminar todos os adultos que vivem ali. Neste meio tempo, retorna à cidade Tom Russel, um homem que luta para escapar de seu passado e tentar voltar a viver em harmonia com seu irmão que também tem um filho acometido pela praga, mas que preferiu cuidar em casa mesmo (sempre tem um personagem com algo no passado, repararam?). A partir do despertar das crianças, começa um jogo de gato-e-rato sem fim entre os adultos remanescentes e as próprias crianças (algumas já bem adultas, por sinal).

No início, senti certas semelhanças com filmes de Stephen King: aquela cidade interiorana com ar de mistério; moradores que não conversam muito com os outros e geralmente que possuem segredos; essa questão de algum mal que aparece e deixa o clima tenso (lembram da “Dança da Morte”, do próprio King?) e um certo clima apocalíptico que envolve a trama.

Há uma certa empolgação no início (a primeira meia hora), até mesmo pelo suspense que a trama assume. Por quê isso está ocorrendo? O quê causou tudo isso? Qual a cura ou a solução? Mas depois, o longa passa a assumir uma espécie de filmes que exageram nos mortos-vivos (as crianças passam a se comportar como tais). E sempre tem aquele grupo de sobreviventes que fogem e se escondem (uma espécie de esconde-esconde), mas que sempre são surpreendidos. No meio desse grupo, já conhecemos os estereótipos que são clássicos: o xerife gordo que tenta controlar a situação, mas sequer tem poderio de fogo para isso; a mocinha bonita que banca uma de heroína; o herói com o passado deturpado; o cara fortão que ainda faz piada na hora do aperto; a mulher sensível demais (aqui, a esposa do xerife). E você já sabe exatamente quem vai ficar e quem vai ser morto (o filme tem muitos clichês até seu final e fica fácil saber sua seqüência).

Além disso, ainda temos os sustos previsíveis (porta do armário se abrindo atrás da mocinha e mostrando o inimigo); reviravoltas; caos urbano; cidade isolada e sem comunicação com outros lugares e sem ninguém para confiar; uma epidemia que ninguém consegue controlar. E sobre este aspecto todo, gostei muito de “Extermínio” (2002) do diretor Danny Boyle (que foram um dos poucos filmes com essa ideia que me agradou).

Tudo leva a crer que no final, fica a mensagem: “Adultos, transformem o mundo num lugar melhor e deixem isso como legado para os seus filhos, com o intuito de que eles não herdem seus pecados e erros no futuro”. Pode ser polêmico também, pois há toda uma questão religiosa (trechos da Bíblia e a questão do fim do mundo) e ainda nos apresenta a questão do sacrifício. Para mim, nada foi explicado, tudo fica aberto, o filme ganha um tom acelerado e só se preocupa em dar um desfecho tão rápido quanto necessário; em contrapartida, só me deixou com mais dúvidas para assisti-lo novamente. Infelizmente, não vou fazer isso (talvez, quem sabe, quando passar um dia na sessão da tarde). Vá ver algum filme europeu da nova safra, falo isso por ser seu amigo. Agora se você for um fã incontrolável/afoito pelo gênero, fica a opção (embora fraca).

Nota: 5,0

2 pensamentos sobre “A Praga (The Plague, EUA, 2006)

  1. Filmes no estilo terror e comédia é sempre bom locar/baixar com algumas referência, porque sempre há o risco de pegar uma bomba. Tem um site especializado em filmes de terror chamado Boca do Inferno (usa o Google que você chga lá) que dá umas dicas muito bacanas sobre filmes do gênero.

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