Reeditando: DESTROYER – Trouble in Dreams [Merge Records, 2008]

“Em Reeditando postarei textos meus que foram publicados nos sites Outernative e Muzplay, da época em que escrevia para os mesmos”

Se perguntarem que tipo de músico é Dan Bejar, pode-se afirmar sem sombra de dúvidas que é um excêntrico criador de canções. Pode parecer simplista a afirmação, e é mesmo. Compor canções é algo muito simples, desde que você tenha o que alguns chamam de dom e outros chamam de dedicação, ou a combinação dos dois.

Quanto à excentricidade, Bejar é avesso a entrevistas e fotos, chegando a ser arredio. Já chegou a declarar que não gosta dos americanos e que acredita que a recíproca é verdadeira, é também um crítico ácido da indústria da música. Apesar disso, seu nome começou a se tornar cada vez mais conhecido devido ao crescimento do The New Pornographers desde “Twin Cinema” (2005) e com o lançamento de seu “Destroyer’s Rubies” (2006), que foi bastante elogiado e apareceu em diversos blogs, vindo a frequentar várias listas de melhores daquele ano.

Para dirimir dúvidas quanto ao gosto de Bejar pela música, cheque o seu nome no The New Pornographers, Swan Lake (projeto com membros das bandas canadenses Frog Eyes e Wolf Parade), Bonaparte e Hello Blue Roses (com sua namorada Sydney Vermont) ou no próprio Destroyer, seu projeto principal.

Ouvindo a música do Destroyer, retirados todos os acessórios, se é que podemos chamar assim, vislumbraremos esse canadense de Vancouver compondo ao modo “clássico”, com seu violão, juntando acordes, criando melodias harmoniosas. Sua meticulosidade se estende às letras, com um estilo que alguns comparam a Bob Dylan.

Com “Trouble in Dreams” ele mostra que apesar de tudo sua música vai seguindo tranquila na construção de rock songs com influências de folk e country, combinação que conduz a pontos concordantes com Grant Lee Buffalo e REM, perceptíveis nas ótimas “Libby’s First Sunrise” e “Shooting Rockets (From the Desk of Night’s Ape)”. Posto ao lado de seu antecessor, pode até soar como uma continuação, com canções mais tranqüilas e maior utilização de slide-guitar. Postos na balança haverá um equilíbrio, com leve pendor para “Trouble in Dreams”, em se tratando de força emocional.

A beleza do álbum vem logo na primeira faixa, “Blue Flower/Blue Flame” e prossegue com a agitadinha “Dark Leaves From a Thread”, que começa bem folk e muda logo em seguida para um contagiante clima oitentista. Apesar de cinco das onze faixas ultrapassarem os cinco minutos, elas não se tornam cansativas devido a força com que atraem o ouvinte, mantendo-o preso até o último segundo.

Chama a atenção como os álbuns do Destroyer soam tão parecidos, mas tão diferentes entre si. Seguem uma linha mestra, mas sempre há mudanças. Essa capacidade de se reinventar vem desde “Your Blues” (2004), álbum recheado de arranjos de cordas e sintetizadores. De lá pra cá, ele só tem acertado a mão. “Trouble in Dreams” não foge à regra, vai da primeira à última canção criando ambientes com bases iguais mas dinâmicas diferenciadas, o que impede que soem repetitivas. Não é um álbum “fácil”, precisa de uma audição calma, atenta, de preferência em um momento tranqüilo, para que aos poucos você vá encontrando as jóias que Bejar lapidou: a placidez de “Blue Flower, Blue Fame”, o blues não ortodoxo de “The State”, o clima romântico de “Foam Hands” ou no pop divertido de “My Favorite Year”.

Longe de modismos e alheio a badalações, Bejar vai solidificando o nome do Destroyer como uma das bandas mais interessantes atuais, atemporal como são todas as grandes bandas. Lançando seus discos vai escrevendo seu nome na história da música de forma discreta. Para os que já conhecem sua música, impossível não acompanhar seus próximos passos, para quem não conhece, apesar desse já ser seu oitavo álbum, ainda é tempo.

NOTA: 8,5

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