POP ONÍRICO: Robin Guthrie – Angel Falls EP (2009)

A música pop é repleta de parcerias que esperamos um dia voltarem a acontecer: Morrissey/Marr (Smiths), Ian Brown/John Squire (Stone Roses), Robin Guthrie/Liz Frazer (Cocteau Twins). Essa última é pra mim sem sombra de dúvidas uma das que mais poderia dar certo e gerar mais um punhado canções sublimes como outrora fizeram sob o nome de Cocteau Twins.

Olhando para os dois lados da moeda: Guthrie se mantém como uma chama ardente na criação incessante de canções, seja em parceria (John Foxx, Harold Budd, Ulrich Schnauss), solo, ou como produtor de inúmeros artistas. Seu projeto de formatação mais próximo de sua antiga banda foi o Violet Indiana, com Siobhan de Maré (ex-Mono), parado desde 2004; Liz Fraser emprestou sua voz única a canções de vários artistas, destaque para o Massive Attack, e comenta-se já há alguns anos que lançaria um álbum solo.

Feitas as comparações, tudo leva a crer que Robin tem sido mais “fiel” à música do que sua ex-esposa, embora tenha sido justamente a junção desses dois talentos oriundos da Escócia que produziu alguns dos mais belos e únicos momentos da música pop.

Seguindo em sua carreira solo, o guitarrista nos brinda com mais um EP, “Angel Falls”, o terceiro de sua carreira, a ser seguido por “Songs To Help My Children Sleep”, um outro EP, e pelo álbum “Carousel”, o seu terceiro solo.

Quem conhece o trabalho de Guthrie tem uma ideia do que irá encontrar por aqui: guitarras etéreas em camadas, pianos atmosféricos…canções para sonhar, no melhor sentido do que se pode chamar de dream-pop, termo que muito provavelmente deve ter sido criado para designar suas composições ainda com sua banda.

São quatro temas instrumentais, com destaque para “Love Never Dies a Natural Death” (título forte esse!), que bem poderia prolongar a viagem por mais alguns minutos, e que faz pensar como se tornaria mais grandiosa com a voz de Liz acompanhando.

É um disco de canções bonitas, sem sombra de dúvidas, mas que começam a pedir por uma “musa” acompanhando, pois já começamos a perceber que Guthrie está preso num círculo (e talvez até ele mesmo saiba disso). Seus álbuns (com exceção da colaboração com John Foxx, em Mirrorball), começam a se tornar uma recorrência aos mesmos ambientes, texturas, timbres, onde já não se sabe mais a qual período ou disco do artista pertence. Embora sejam perceptíveis mudanças, acaba caindo naquela frase: “Mudando para continuar o mesmo”. E isso, para qualquer artista, não é nada bom.

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Um pensamento sobre “POP ONÍRICO: Robin Guthrie – Angel Falls EP (2009)

  1. Realmente Luciano, Guthrie está preso a si mesmo (sua música) e a sensação (apesar da contínua boa qualidade musical) é que não existem diferenças ou mudanças significativas nos seus trabalhos; consequentemente nota-se que (inevitavelmente) fórmulas são (re)repetidas!

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