Reeditando: Black Kids – Partie Traumatic (2008)

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Se você, leitor, pudesse ver meu semblante retorcido agora, com certeza o próprio autor dessa resenha – eu mesmo – não precisaria de palavras para exprimir o que achou da produção. Por que tanto escarcéu por algo mais do mesmo? Que não vem com idéia original e é um agregado de tudo que a música suportou até hoje? Ok, até que seja um agregado – originalidade hoje em dia é um quesito precioso -, mas que venha com qualidades e melodias riquíssimas chegando aos nossos tímpanos.

Pela capa e por títulos como ‘I’m Not Going To Teach Your Boyfriend How To Dance’ (ufa!) e ‘I Wanna Be Your Limousine’, a primeira idéia que nos chega à cabeça é a de diversão. Despretensão. Nonsense. A música para entretenimento. Para chamar os amigos, sair, beber, curtir uma noitada. Esqueça letras, não espere melancolia, não aguarde arranjos elaborados ou músicas memoráveis/épicas. O tipo de canção que alguém deixa no som do carro a todo volume para tentar surpreender pedestres incautos – mas a mim isso não causa mais impacto. Já tinha ouvido algo do Black Kids há dezenas de anos. Como? Algo alegre, esbanjando ‘lá-lá-lá’s’, refrões grudentos, guitarras e sintetizadores a mil por hora, um clima infantil. Fui vacinado quanto a isso desde minha adolescência ouvindo Bis, Supergrass, Shampoo, Shonen Knife, Ash, etc.

‘Partie Traumatic’ me deixou angustiado, nervoso, traumatizado, desestimulado. Um disco pequeno (38 minutos), contudo, que me pareceu uma eternidade. Em meio a dificuldades de coordenações lógicas de meu cérebro, consigo destacar umas 3 músicas – no máximo. Em que o recurso da alternância entre a voz feminina e a masculina parece funcionar. Aonde os ‘garotos negros’ diminuem o volume de seus instrumentos, desaceleram, berram menos, ‘engravatam’ a canção e tentam buscar uma identidade melhor dentro da produção. Uma roupagem mais rebuscada. ‘Hurricane Jane’ e ‘I’m Making Eyes At You’ são bons exemplos. Faltou mais uma, não é? Humm, deixa pra lá!

‘Hit The Heartbreakers’ e ‘Listen To Your Body Tonight’ são meras releituras de tudo que você já ouviu até hoje. Sobretudo nessa década. Um pouco de We Say Party! We Say Die!, Be Your Own Pet, Yeah Yeah Yeahs e ainda rápidos traços da música sessentista (especificamente as girl-groups) que fazem o ouvinte rodar as mãozinhas ou bater palmas. Além daquilo que eu ouvia com 18 anos e que já foi citado no final do segundo parágrafo. E não poderia deixar de mencionar que o disco foi produzido pelo ex-Suede, o guitarrista Bernard Butler. Pois é!

No final, ainda me indago o motivo do hype. Claro que a mídia sempre precisa de um ‘querido da vez’. Fico triste pelo fato de que outros grupos merecedores do mesmo destaque continuam obscuros. O mundo sempre foi assim. Descubra por si mesmo. Eu, deixo o disco engavetado, espero pelo que reserva o futuro ao Black Kids e vou ouvir outras bandas divertidas, porém com mais trunfos para me conquistar.

Nota: 4,0

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