PLACEBO – Battle for the Sun (2009)

Sei que soará uma afirmação tola, até porque muitos exemplos surgirão para corroborar isto, por isso não vou generalizar: “algumas” bandas deveriam lançar apenas três ou quatro discos, embora haja casos em que deveriam lançar só um. Para fugir justamente dos extremos, já que há bandas que depois de vários álbuns lançados ainda conseguem lançar grandes discos e compor grandes canções (REM é um dos exemplos), vou refazer a afirmação: em toda a carreira, as bandas lançam no máximo três ou quatro grandes álbuns, caindo num ciclo de auto-repetição.

Sim, “Battle for the Sun”, do Placebo, é um exemplo dessa afirmação.

Pegue o álbum de estreia da banda de Molko, pegue “Without You I’m Nothing”, pegue “Black Market Music”, e seja feliz.

Mas é sempre a mesma coisa, gostamos de uma banda, apreciamos alguns de seus álbuns e queremos seguir sua carreira, ouvir seus discos em busca de uma canção que transporte para aquele frescor sentido quando ouvimos pela primeira vez uma canção. No caso em questão procuramos por uma nova “Without You I’m Nothing”, “Pure Morning” ou “Every You Every Me”.

Claro, não se pode negar a evolução que toda banda adquire com o tempo, mas essa evolução nem sempre significa canções “melhores”, álbuns inesquecíveis.

Estamos falando do Placebo, mas pense de forma geral: quantas bandas podem ser jogadas nessa panela?

Nesse sentido, o tipo de som praticado influencia muito. Ao pensarmos numa banda como Arcade Fire, por exemplo, percebemos que ali as possibilidades de variações são muitas, o que não significa que não haverá esgotamento, mas no caso do Placebo, um trio (que ao vivo vira quarteto ou quinteto), não há tantas opções, é mudar ou cair no esgotamento em curto prazo. Aí percebemos o quão espertos eles foram, pois o esgotamento até demorou.

Em “Battle for the Sun”, musicalmente, tentam voltar àquela sonoridade do início da carreira.

Ao largo dos anos o som do grupo incorporou os elementos eletrônicos cada vez mais e de uma forma tão forte que parece impossível deixá-los para trás. Comparando-se com qualquer dos três discos anteriores, eles estão menos presentes, é verdade – excetuando-se na faixa “Julien”, onde parecem estar a emular o Depeche Mode. A bateria de Steve Forrest é pesada, seca e direta, aproximando-se, apenas aproximando-se, da batidas de Robert Schultzberg (primeiro baterista do grupo e que tocou no primeiro álbum), pois no geral apenas cumpre sua função, que poderia até ser melhor.

Músicos inteligentes, Molko e Olsdal conhecem os caminhos da música pop e já perceberam que o círculo em que estão presos se fecha a cada novo disco. A questão é: há um outro caminho?

Segundo o grupo em “Battle for the Sun” a ideia foi criar um álbum conceitual, com um tema central a ser tratado ao longo das faixas, mas nem isso conseguiu tirá-los do “círculo”. Em entrevista, Molko afirmou que a intenção foi criar um álbum ensolarado, sair das sombras que contaminaram “Meds”.

Quando o Flaming Lips lançou “Yoshimi”, um álbum com ideias conceituais, eles tiveram que radicalizar, o resultado, claro, não agradou a todos, mas foi uma espécie de marco na carreira do grupo, uma guinada em relação ao que já haviam feito antes. “Battle for the Sun” passa longe disso.

Não é um álbum ruim, e não é um álbum bom, é apenas um mais um álbum de uma banda que eu e você nos acostumamos a acompanhar e até tínhamos esperança de encontrar alguma “gema” que fizesse valer à pena. Mas quantas gemas são possíveis achar em cada novo álbum a cada novo ano, principalmente em se tratando de uma banda que já está em seu sexto álbum? “Devils in Details” não chega a receber esse adjetivo, mas é a melhor canção do disco, apesar de soar uma variação sobre o mesmo tema, que é o que como soará a maior parte das canções desse novo álbum.

Depois dessa ‘Batalha pelo Sol’ fica a pergunta: para onde iremos agora, Mr. Molko, para uma batalha pela terra?

NOTA: 5,0

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4 pensamentos sobre “PLACEBO – Battle for the Sun (2009)

  1. Pingback: MELHORES ÁLBUNS DE 2009 « love no more

  2. Gosto sim do Menomena, uma das bandas inclassificáveis. Inclusive tô no aguardo do novo álbum deles, mas enquanto não vem, vou ver se baixo o Intuit. Valeu pela dica. Bom ter você de volta por aqui, andou “sumido”.

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  3. Concordo com as suas palavras. Esse foi um disco que destacaria músicas ali, outras muito fracas, mais do mesmo-jeito-Placebo-antigo-de-ser, um disco que não dá energia e frescor para o pop-rock atual. Entenda, como já disse outrora, não há originalidade mais, há apenas a questão de se fazer mais discos trabalhados, arranjados, orquestrados, épicos, um algo mais que uma banda pode fazer (coisas que Odawas, Radiohead, Flaming Lips, Mercury Rev, e outras já fizeram…).

    Ahh, vc gostava do Menomena, não é? Vai em algum blog, mas lá no RCD vc encontra, e não deixe de baixar o Ramona Falls, o disco ‘Intuit’. É projeto do guitarrista do Menomena. E prepare-se para contemplar um dos melhores trabalhos do ano. Falo sério. Se vc já gostava do Menomena, então…

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