Ramona Falls – ‘Intuit’ (2009)

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O que mais agrada numa pessoa que escuta um disco? Originalidade é quase um fator nulo. Então, seria a voz do cantor? As melodias e os arranjos? A facilidade em se tornar um fenômeno da mídia? A capacidade de permanecer no repeat de seu player? E se eu dissesse que o Ramona Falls engloba todos esses quesitos? Brent Knopf, guitarrista do Menomena – banda que tem lá sua elegante desconstrução sonora nos discos – arma um arcabouço musical mnemônico, ousado, múltiplo/multifacetado, dinâmico e complexo – porém de fácil assimilação. Uma obra onde cerca de 35 músicos participam? Aqui fica a ideia de que planejamento e ousadia fazem sim a diferença – e como!

O piano que abre ‘Melectric’ é o marco que dará ao ouvinte sensações frenéticas de êxtase, e o que é melhor, que comprova que o pop-rock abre alternativas para sanar a saturação em que se encontra. A música em questão cresce de uma tal forma que fica difícil situá-la num parâmetro – pop? Rock? Psycho folk? E nem precisamos situar. Depois de sermos praticamente nocauteados com a batida magistral de ‘I Say Fever’, daquelas guitarras com efeitos zumbindo em nossos ouvidos, eu não mais contestarei sobre os rótulos.

‘Clover’ apresenta um Knopf brincando de fazer falsetes, em outra canção que cresce de qualidade gradativamente – característica-mor do álbum. Ouça atentamente para perceber todos os efeitos, camadas de instrumentos e andamentos que a música oferece. Os violinos não ficaram de fora e fazem presença na outonal ‘Russia’. ‘Going Once, Going Twice’ poderia se encaixar numa mistura entre Arcade Fire, Grizzly Bear e Decemberists. Isso para os mais afoitos em fazer comparações. Verdade seja dita, mantenha o pé no chão, não tire o ouvido do fone, temos aqui, nada mais, nada menos, que o Ramona Falls na metade do disco ainda enaltecendo o pobre ouvinte. Estático, petrificado, perplexo; e olha que não temos nenhum medalhão da mídia para nos deixar assim.

‘Salt Sack’ abre espaços para sopros e atinge um momento altamente orquestrado – mais do que o possível. ‘Always Right’ é toda bizarra – felizmente, para nós, de propósito – onde um piano sombrio em companhia a uma bateria virtuosa aparece formando – uma espécie de – (?) vaudeville moderno desconjuntado. Soberbo. O momento mais calmo do disco, ‘The Darkest Day’, faz por merecer mostrando a voz de Brent intercalada com belos vocais femininos sussurrados.

A síntese do que você anda vasculhando pela música talvez esteja nesse álbum. Volto a dizer, não é originalidade. É sim, fazer um caldeirão musical de tudo que passa em sua rotina, englobar diversas sonoridades que a música pode/deve aprontar, buscar arranjos intrincados, é causar no ouvinte o velho hábito do encantamento, da mágica que a música sempre procurou proporcionar.

Nota: 9,2

Saiba mais:
MySpace do Ramona Falls
MySpace do Menomena

4 pensamentos sobre “Ramona Falls – ‘Intuit’ (2009)

  1. Pingback: Get Well Soon – ‘Vexations’ (2010) « love no more

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  3. mais do que merecida a nota!
    esse disco é uma obra prima, um dos meus tops de 2009. um vício, um desafio á descoberta de novos elementos a cada audição.
    vão além dos rótulos, é a pura arte de se fazer música com rara maestria!

    parabéns pela resenha!

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