MENOMENA – Friend And Foe (Barsuk, 2007)

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Ao adentrar o universo do grupo de Portland, Menomena, sinto-me um total estranho. Como um turista que chega em uma cidade desconhecida e aos poucos vai tentando travar contato com seus habitantes, apesar do diálogo não ser dos mais fáceis, vou fazendo amizade com essas doze difíceis canções que compõem ‘Friend and Foe’, seu terceiro álbum. Isso porque sua música é de personalidade complexa, absurdamente intricada e tão cheia de idas e vindas que causam perplexidade, acrescente o gosto pelas mais inusitadas experimentações que recobrem todos os arranjos. São só três caras: Danny Seim (vocal e bateria), Brent Knopf (teclados) e Justin Harris (baixo), mas suas músicas soam como se tocadas por dez pessoas.

Voando por um território onde não muitos se aventuram, constatamos uma infinidade de instrumentos, onde cada um é apenas uma minúscula parte da complexa engrenagem que são seu arranjos, como se estivéssemos diante de uma grandiosa orquestração. Assim o Menomena dá vida a um disco atemporal e com enormes pretensões, requerendo do ouvinte várias e apuradas audições para percepção dos diversos detalhes, se possível com fones de ouvido. O segredo da banda (não tão secreto assim) é o seu quarto membro e atende pelo nome de Deeler (Digital Looping Recorder), na verdade um programa de computador criado por Knopf e que acompanha a banda apenas no processo de criação e gravação das músicas.

Há elementos de jazz, música eletrônica, psicodelismo, rock progressivo e uma predileção para tudo que não seja convencional, alguns os chamarão de art-rock. A quase ausência de refrãos e as poucas linhas melódicas ao longo das canções, somado aos diversos caminhos seguidos pelos arranjos sugere a despreocupação em fazerem canções de fácil assimilação. Nesse universo de influências diluídas, em alguns momentos encontramos ecos de Mercury Rev, como em ‘Wet and rusting’ e ‘Duel’; e Flaming Lips, em ‘Boyskouts Sweetboyskouts’ e ‘Rotten Hell’.

‘Friend and Foe’ é um álbum que mostra uma banda despreocupada com sucesso repentino. O resultado, apesar de não ser de fácil digestão, é bem atraente, mantém uma aura de curiosidade bem convidativa. Destacam-se a ótima ‘Muscle’n Flo’ com sua bateria cavalar à frente de tudo e seus riffs rasgantes, os belos acordes de piano de ‘Wet and Rusting’, a quase épica ‘Duel’ e mais a deliciosa montanha russa ‘Evil Bee’, com seu groove de baixo e pitadas de jazz.

Para quem vive a se queixar que a música pop está cada dia mais repetitiva e chata, eis um ótimo refresco.

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