CINEMA: Persepolis – Persépolis (2007)

Faz algum tempo que assisti esse filme, mas só agora consegui colocar as idéias no lugar, ter um momento de tranquilidade, e achar algum tempo para escrever sobre essa bela animação.

Persepolis é uma animação francesa que concorreu ao Oscar de filme de animação, ganhou prêmios em vários festivais, e é baseada nos quadrinhos autobiográficos da escritora iraniana radicada na França Marjane Satrapi (que também codiriiu a animação. Quase todo em preto-e-branco, começa em 1978, durante a revolução iraniana, segue a guerra com o Iraque, passando pela derrubada do muro de Berlim, dentre outros importantes acontecimentos históricos. Paralelamente mostra a infância e o crescimento da jovem Marjane e os dramas de sua família, tudo narrado num tom de ora melancolia, ora de humor leve ou cáustico.

Nascida na classe média iraniana, a jovem vê a sua vida e dos seus mudada de forma brusca devido aos acontecimentos que assolam seus país. Inicialmente vistos pelos olhos de uma criança sonhadora e que não tem noção do que ocorre, e logo em seguida pelos da adolescente rebelde que aprende lições com seu tio revolucionário comunista que é assassinado nos porões da ditadura iraniana.

Com uma vida marcada pela tragédia, Marjane se torna uma jovem rebelde, angustiada, mas sempre em busca de si, dos valores que realmente contam. Em seu trajeto, não só o seu tio tem presença marcante, mas também sua avó, uma das figuras centrais do filme e de presença marcante, pois sempre que aparece rouba a cena com suas valiosas lições para a jovem. De personalidade inquieta e contestadora, Marjane é uma jovem em busca de si mesma num mundo e numa época de constantes mudanças, com a queda das ideologias e o fim das utopias.

Apesar de uma animação, o filme trata de temas “sérios” e possui forte conteúdo político e ideológico. Em sua passagem pela Áustria, por exemplo, Marjane passa por situações de extrema provação e preconceito. É lá também que toma contato com as mais diversas correntes filosóficas, como o surrealismo e o socialismo. É na Áustria que ela também conhece o amor, para logo em seguida conhecer as agruras que este pode trazer.

Persepolis tem uma força dentro de sua simplicidade (principalmente no desenvolvimento das personagens) e poder de atração (para que o espectador vá até o final) enorme, algo que talvez não fosse conseguido se seguisse uma linha convencional e fosse encenado por atores. Há momentos impagáveis como a cena em que Marjane resolve dar uma virada em sua vida ao som de “Eye of the Tiger” (Canção tema de Rocky, um lutador) ou em que sai para comprar um disco do Iron Maiden, vendido de forma clandestina. Por sinal, a música é um dos elementos bastante presentes no filme.

Sem medo de tocar em assuntos que alguns acham por demais complexos para serem abordados num filme, Perseplolis não só surpreende como encanta e faz pensar.

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