The Fatales – ‘Great Surround’ (Monopsone, 2009)

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Existe a expressão ‘Síndrome de Estocolmo’ que é quando – resumidamente falando – o refém acaba mantendo relações de amizade com o seu seqüestrador. Ou, de forma mais complexa, é isso aqui também.

Saindo de um tema baseado na Psicologia e caindo para a arte da Música – que apesar disso, mexe com as estruturas de nosso psicológico -, disse isso porque foi assim que me senti com o The Fatales. Quando você conhece ‘Great Surround’ – embora ele tenha lhe causado no início uma certa desconfiança – e depois, volta a escutar, não consegue tirar ele do player, faz um cd case especial para ele, evita de tirar o disco do seu player mesmo com tanta banda nova surgindo. É possível que haja algum novo tipo de síndrome aí – e caso os cientistas ou doutores de outras ciências queiram explicar, fiquem à vontade.

Eu não preciso explicar sentimentos humanos, posso, em partes, traduzir a sonoridade de algo arrebatador. O grupo de Nova Iorque expressa em 10 canções – e não mais do que 40 minutos – o que muitas bandas poderiam estar fazendo. Não se situam num tempo exato, pode ter um aspecto rápido de sonoridade 80’s ou 90’s, como também se encaixar facilmente numa mistura das melhores bandas da atualidade.

As linhas de guitarra e de baixo são memoráveis (‘Evergreen’ e ‘Islands Of Fortune’ que o digam, ainda ressoando em minha mente). A climática ‘Old Painter’ e a melancólica ‘Torches’ trazem até uma certa atmosfera anos 80, sobretudo com reminiscências dos melhores momentos dos noruegueses do A-ha. Claro, mais de 20 anos depois, o The Fatales sabe aproveitar bem os recursos oferecidos em prol da música para fazer algo que não soasse mais um plágio cabal e insosso da geração 80’s.

Canções como ‘Vanishing Act’ e ‘Darkened Country’ crescem assustadoramente, navegam em momentos de euforia e de calmaria, o acústico e o eletrônico se casam perfeitamente sem ninguém assumir uma importância única e desnecessária. ‘Stadpark’ poderia se conceituar como uma música de acalanto para adultos que esperam melodias charmosas na atualidade. E mesmo a obscuridade e o lado sombrio de ‘Violette’ arrepia o mais insensível dos cidadãos.

Seja conquistado também. Vire refém. Por uma boa causa. A exceção que aqui, os holofotes da mídia nem tanto vão para o lado do cativo e nem do sequestrador, ambos saem ganhando, neste caso. A conseqüência é um sentimento de conforto e prazer que perdura por um bom tempo, em placa de aço resistente moldada em nossos corações.

Nota: 8,3

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6 pensamentos sobre “The Fatales – ‘Great Surround’ (Monopsone, 2009)

  1. Pingback: MELHORES ÁLBUNS DE 2009 « love no more

  2. Conferi (ouvi) cuidadosamente o álbum e realmente merece destaque… que ele sequestre (arrebate) seu coração. VERY GOOD!

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  3. esse disco é de um encanto ímpar.
    desde a primeira audição cativou e embalou que a citação de síndrome é justa. eu me vejo completamente aprisionada a ele. ouvir esse trabalho virou uma necessidade diária.
    ritual para contemplar o delicado laço entre o orgânico e o eletrônico que os fatales proporcionam.
    e há tempos um nome de banda não era tão visceral…
    que lindo ver esse trabalho divulgado! que em 2009 as melhores surpresas estão passando desapercebidas!
    parabéns, dudu!

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  4. Opa, Luciano, pensei até que vc não tinha escutado esse disco, mas coisas belas como essa não podem passar em branco, um ato que eu sei que vc não comete, hehe.

    Ahh, há muito tempo que tento escrever sobre ele, vc notou que tentei até variar, fazer algo mais sentimental, e menos técnico.

    Aos poucos eu vou escrevendo sobre o que estou ouvindo, e para facilitar as coisas, estou optando por resenhar álbuns que me comoveram realmente.

    Só um porém: vai lá depois nesse meu post, edita e tenta colocar o link (para a Síndrome de Estocolmo) de uma forma válida. Nunca consigo fazer isso. Coloco o link, e não fica, ou às vezes é meu texto todo que fica linkado (em azul), e mesmo fechando o link, às vezes ele não aparece, são recursos que preciso ir investigando e aprendendo aos poucos. Infelizmente hoje estava na correria, e nem procurei chegar ao acerto. Então, se possível, faça isso depois. Obrigado pelo espaço que vc tb deixa pra mim.

    Abraços e tudo de bom.

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  5. O legal de ter outras pessoas escrevendo no blog é isso, entrei no shoegazeralive, que tem o link pro lovenomore, e lá vi que o texto recem postado aqui era do The Fatales, então qual não foi a minha surpresa. Até porque eu também estava pensando em escrever sobre o álbum, uma das gratas surpresas do ano. Mas é tranquilo, álbusn pra resenhar é o que não falta. A abertura desse disco é arrasadora.

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