Reeditando: The Cinematics – A Strange Education [TVT Records, 2007]

“Em Reeditando postarei textos meus que foram publicados nos sites Outernative e Muzplay, da época em que escrevia para os mesmos”

Se a onda é reciclar os anos 80, o quarteto escocês The Cinematics vem com seu álbum de estréia reivindicar seu lugar ao lado de bandas como Interpol, Editors, Elefant e I Love You But I’ve Choosen Darkness, das quais estão mais próximos. Não tão densos quanto os novaiorquinos do Interpol, pendem para a vibração do Editors com uma pulsação que às vezes remete a Franz Ferdinand ou Bloc Party.

Formada em 2003, a banda tem levado a imprensa a procurar as mais diversas influências em sua música. Em entrevista, Scott Rinning afirmou que cresceu ouvindo Radiohead, Jeff Buckley e Smashing Pumpkins e depois descobriu Echo & The Bunnymen, Joy Division, e The Cure. Ocasionalmente citam Talking Heads e The Clash como influências e recusam o rótulo de novo Franz Ferdinand, admitindo similaridades ocasionais no uso das guitarras.

Além do gosto pelos 80, gostam também de se vestir de preto, como na foto que ilustra a homepage da banda e no clip de ‘Brake’. Andaram tocando com nomes como o próprio Editors, We Are Scientists e Brendan Benson. A mídia também tem dado certo espaço para ELES, o NME, por exemplo rasgou elogios à voz de Scott Rinning, enquanto o New York Post definiu como imperdível sua apresentação no CMJ Music Fest.

Com os pés no chão, não estaríamos desmerecendo “A Strange Education” ao dizer que é um bom aperitivo enquanto os lançamentos mais aguardados do ano não vem ou que o álbum poderia entrar na disputa pelo título de ‘melhor álbum inesperado de 2007’ ou, ainda, ‘melhor EP’. As faixas boas realmente empolgam e o vocal de Scott chama a atenção, sendo um dos destaques do Cinematics. A produção de Stephen Hague (New Order) foi bastante concisa e conseguiu manter a unidade sonora do início ao fim, mas o quem-é-quem em cada faixa é inevitável.

O começo com ‘Race to the City’ é bem legal, até faz balançar a cabeça de um lado pro outro enquanto pensamos que seus riffs de guitarra nos lembram algo que ouvimos muito recentemente. A sensação de déja vu que contaminou a música atual aqui também é uma constante. É uma canção bacana, apesar de derivativa.

‘Break’ mostra o lado melancólico da banda, Scott canta o gosto pela solidão e que a tristeza às vezes pode ser prazerosa. A faixa é um dos singles do álbum e tem tudo pra se tornar um hit instantâneo desse ano. É bastante pulsante e mantém a pegada do início, caberia bem no álbum do Editors, mas está aqui para dar um brilho ao álbum dos escoceses.

“A Strange Education” ( a faixa ) cita os Bunnymen em sua introdução que remete a ‘Bring on the dancing horses’. ‘Human’ está entre as que mais gosto, tem uma certa tensão e raiva amarrada querendo se soltar. Daí em diante entramos em canções ‘meia-boca’ com arranjos que pouco ou nada trazem de novo e empolgante: riffs de guitarra em profusão e batidas pulsantes e momentos que lembram de The Cure a The Mission.

Temos então em ‘Strange Education’ seis faixas legais que renderiam um bom EP, as outras são meras coadjuvantes, apenas preenchendo espaço. Numa de minhas comparações esdrúxulas, o álbum é como aqueles galos de briga que chegam todo cheio de pose na rinha: começa razoavelmente bem, perdem o fôlego (a partir da quinta faixa) e tentam retomar (na oitava), mas entregam os pontos de vez e abre o bico (da nona até a décima segunda), caindo exausto. Em “Asleep at the Will” – a última faixa do álbum –, a banda mostra um lado mais pesado e denso, totalmente diferente de tudo que veio antes.

Relendo a resenha, vejo que foram tantas as comparações que aconclusão sobre o álbum é de que não passa de uma colcha de retalhos com algo de vistoso e só.

NOTA: 5,0

(PS: O último parágrafo foi modificado em relação ao texto original)

(PS2: O segundo álbum da banda foi lançado em setembro e já tem na rede, se chama “Love and Terror”)

2 pensamentos sobre “Reeditando: The Cinematics – A Strange Education [TVT Records, 2007]

  1. Choço = insosso (melhor colocar a segunda palavra). Eu e meu vocabulário, hahahahaha!

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  2. Ahh, esse disco até que é excelente, se comparado com o novo que já vazou. Eu não consegui passar da quarta música no novo, e tentei por inúmeras vezes. Enquanto outras bandas da dita ‘geração filhos do Joy/anos 80’ conseguiram apontar por mudanças, como o próprio Editors, fico triste em ver que o The Cinematics faz um pop-rock choço, sem atrativos, repetitivo e que não segue para lugar nenhum, que não deixa sequer o ouvinte animado.

    O ‘Strange Education’ vai lá que é mediano mesmo, funciona mais como um EP – como vc mesmo ressaltou em seu texto – porém, como sempre digo, uma obra precisa/deve funcionar em sua totalidade, nada de pular faixas pois isso é tão feio…

    Tinha intenção em fazer uma resenha do novo, acho até covardia uma vez que não cheguei a ouvir o disco inteiro, minto, que não ouvi novamente. Melhor/mais justo não fazer.

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