Reeditando: Ravens & Chimes – ‘Reichenbach Falls’ (2007)

null

Enquanto um disco tão esperado de sua banda preferida não chega, enquanto você vai ouvindo aquele álbum do seu top deste ano pela enésima vez, ou até mesmo fica tentando se contentar com hits momentâneos espalhados de algum hype passageiro, discos que passaram desatentos em anos anteriores começam a saltar diante de seus olhos. Como um curioso e um amante de música em potencial, você se arrisca em mais uma banda que não esteve sequer na mídia em 2007.

Logo de cara, quem ouviu o som do grupo do Brooklyn diz: o Ravens & Chimes é (mais) um clone do Arcade Fire. Sim, tudo bem. Concordei sem hesitações ao ouvir a primorosa abertura com ‘This Is Where We Are’. Bem ao estilo da banda canadense: vocal feminino e masculino dividindo a canção (quase o mesmo timbre da dupla do Arcade), bateria virtuosa e capacidade para compor belas pérolas de cunho pop. Para quem já ouviu estilos e grupos dos mais variados no universo musical, conseguirá associar o Ravens com um pouco de Decemberists, um tanto de bandas que seguem a cartilha do folk-pop e ainda adicionar nuances de Wolf Parade (reparem como ‘General Lafayette! You Are Not Alone’ tem a sonoridade bem parecida com a do quarteto canadense Wolf Parade).

null

Com as belas referências citadas acima, falta apenas completar dizendo que o sexteto é composto por instrumentistas habilidosos, tem vocais seguros e que tem idoneidade suficiente para deixar 12 canções redondas. Isso mesmo quando elas são curtas e com aspecto de vinhetas (as pequenas peças acústicas ‘Candles’ e ‘For M’).

Sempre gosto de encontrar detalhes que engrandeçam as músicas de uma obra musical. E aqui sobram para o gosto do ouvinte. O simples e ingênuo ‘lá-lá-lá-lá’ sobre camadas de piano em ‘The Far Away Sound Of Cars’, a bateria tribal que inicia ‘Saint Jude In The Village Voice’ e a percussão em forma de espiral de ‘Eleventh St.’. E isso é apenas o começo. Podemos ouvir um piano somado a sintetizadores para dar conjunto a uma composição esquizo-onírica em ‘…And I Came Upon It In The Clearing’ ou, se preferir, podemos escutar a indistinguível fronteira entre a calmaria e a barulheira de ‘Archways’ – a meu ver, a melhor do disco. Até no fechamento do disco com ‘Chloe’, o grupo consegue fazer uma canção lúdica usando um singelo xilofone.

Com certeza, tais detalhes apresentados englobam apenas 1/10 do que é a sonoridade do álbum. A cada audição, um mero acorde ou um som de sintetizador escondido, quase inaudível, pode entrar para dar mais substância às composições. Tudo vai depender de como assimilamos no fundo de nosso âmago belas obras artísticas. Ouça sem pensar no Arcade Fire. Ouça como Ravens & Chimes. Simples assim.

Nota: 7,6

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s