Reeditando: ‘Wall-e’ (2008, Pixar)

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Sei que sou suspeito de falar (bem) sobre algum desenho, pois sou fã desde a minha infância e aprecio os mais variados tipos: o mais simples feito com massinhas de modelar, passando pelas animações ligadas à cultura oriental (a exemplo dos mangás) e indo para as mais avançadas em tecnologia que se utilizam tão bem do CGI (Computer Generated Imagery).

E foi a Pixar (praticamente uma cria da Disney) que nos brindou com a mais nova produção pós-‘Ratatouille’. Saiu do papel então ‘Wall-e’. Nada de animais, humanos então ficaram em segundo plano, nada de piadas tão risíveis. Aqui, um casal de robôs é a estrela. O robô Wall-e – uma espécie de compactador de lixo um tanto quanto ultrapassado – que ficou sozinho num planeta Terra devastado, desabitado, sujo, pós-apocalíptico e Eve, uma robô moderna, programada com a missão de vir para a Terra e tentar encontrar rastro de vida e de que o planeta ainda poderia ser habitável.

‘Wall-e’ é sério sem perder cenas de humor bem arquitetadas, inteligentes e usadas em partes corretas e dosadas do longa. Pense um pouco nos melhores momentos de um Charles Chaplin ou de um Buster Keaton na era do cinema mudo. A animação terá poucas falas. E o mais divertido fica nas ações do robô, em sua mania de guardar relíquias variadas (filmes em VHS como ‘Alô, Dolly!’ de 1969, um Atari 2600, isqueiro, etc), o seu encontro curioso com a chegada de Eve, o seu jeito de comunicar, a sua forma de se relacionar com uma mísera barata fiel à sua companhia. Depois, ainda teremos a correria incansável de Wall-e para rever Eve. Tudo em tons sutis.

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Tento não elucidar muitas pistas, até mesmo porque este é um desenho não para se contar, e sim, para ser assistido por todas as gerações. Apesar de considerá-lo até mais voltado para o público adulto. Tentando expor concisamente, Eve pode ser considerada o elo entre uma colônia espacial com alguns humanos remanescentes e a (ainda) possível sobrevivência humana na Terra. Se por acaso ela encontrar uma forma de vida (um vegetal, a bem da verdade) em condições apropriadas ao clima da Terra, tem que ser enviada rapidamente à nave ‘Axiom’ para o comandante ser avisado de tal possibilidade. E este é um belo momento do filme. O verde de uma plantinha é realçado no meio de tão poucas cores presentes e na imagem embaçada por montanhas de lixo acumuladas. Cena que me fez até lembrar da rosa vermelha em meio a um cenário cinzento vista em ‘A Lista De Schindler’.

Citando o filme de Spielberg logo acima, a animação ainda faz alusões a outros clássicos do cinema. O próprio Wall-e tem um ‘corpo’ que lembra o ‘ET’ (também de Spielberg). Assim como tem o charme e a inteligência de um R2-D2 (de ‘Guerra Nas Estrelas’). Mais ainda, as semelhanças com Johnny 5, robô protagonista do filme ‘Um Robô Em Curto Circuito’ (1986). E nem poderiam deixar de existir associações com ‘2001 – Uma Odisséia No Espaço’. Os seres humanos sedentários obesos – que nem conseguem andar – habitam a Axiom e são controlados/auxiliados por robôs. No longa-metragem de Kubrick, a nave é controlada por um supercomputador, o Hal 9000. Lembram-se?

Por mais que existam hypes, inúmeros sites que só falaram por um bom tempo de ‘Wall-e’, toda uma propaganda capitalista em torno dele (jogos, brinquedos, brindes em fast-foods), o desenho realmente merece (com sobras). E não é somente o traço rebuscado que mostra uma Pixar mais inovadora e tomando a liderança das produtoras de animação. São as cenas, as imagens memoráveis, a ideia, as mensagens, o alerta de um mundo próximo que não queremos (mas, que infelizmente, parece ser provável e iminente). Uma produção cinematográfica para refletir, para se extasiar, se arrebatar. Mais do que isso. Para se pensar num futuro totalmente controlado por máquinas, por um planeta devastado e por ações simples do nosso cotidiano – como dançar e amar alguém – que ainda valem a pena e que nos deixam felizes.

NOTA: 9,5

Duração: 97 min
Origem: EUA
Direção: Andrew Stanton
Roteiro: Andrew Stanton
Produção: Jim Morris

2 pensamentos sobre “Reeditando: ‘Wall-e’ (2008, Pixar)

  1. É realmente incrível como a Pixar se supera em cada filme, depois de ter assistido este Wall-E percebo o quão superior a industria é dos outros estudios de animação, por tudo que eles fizeram e ainda virão a fazer. Este filme pra min é um grande filme, e nào apenas um excelente desenho, um verdadeiro clássico moderno assim como foi Matrix, filme que merece ser assistido várias vezes pois a cada vez que se assiste tira-se novas conclusões do filme, realmente perfeito, e pra quem não conhece procure Pixar no Google e vai ter uma gama de informações de filmes e curtas para serem assistidos!!!!
    PS.: Eu teria dado nota 10 a esse filme pela complexidade da história!!!!!!

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