District 9 (Distrito 9, 2009)

Você já deve ter visto a foto do filme ilustrando os textos em diversos lugares por aí, seja na Internet ou em jornais e revistas. Distrito 9 tem sido um dos filmes mais falados ultimamente e há motivos.

O mote: em 1989 uma gigantesca nave alienígena “enguiça” sobre o céu de Johannesburgo (África do Sul) com cerca de um milhão de aliens doentes e famintos. Para resolver a situação é criado sob a nave um grande acampamento, que com os anos se transforma numa favela cercada onde os aliens vivem em condições de extrema miséria, explorados por traficantes nigerianos, vigiados por guaritas, e comendo ração para gatos; reviram o lixo, praticam assaltos e outras delinquencias. Vinte anos depois a população já está farta da presença dos aliens e cobra uma solução do governo, que resolve deslocar todos para um novo local a 100 km de distância dali, o Distrito 10, uma espécie de campo de concentração.

Para que tudo seja feito de forma “legalizada”, um esquadrão é designado para levar a ação de despejo aos moradores do Distrito 9, sob o comando do entusiasmado Wikus Van De Merwe, escolhido parcialmente por seu sogro. Empolgado com sua tarefa Wikus, um típico anti-herói, que ao longo do filme sofrerá uma transformação (em todos os sentidos) ao longo do filme, é o típico funcionário almofadinha que quer fazer bonito para o chefe, pouco se lixando para os aliens, ou camarão, como são chamados de forma pejorativa pelos humanos. Já dá pra perceber o quão complexa é a tarefa de Wikus, mas ela se torna mais complexa não pela resistência dos aliens, mas pelas atitudes de Wikus e seus companheiros da MNU, empresa responsável pela transferência.

O diretor Neill Blomkamp, estreante na grande telona, com o aval do diretor Peter Jackson, traz para Distrito 9 alguns elementos interessantes: o uso de depoimentos para narrar alguns fatos, numa espécie de documentário (mockumentário); a utilização de atores desconhecidos, uma câmera nervosa e em tom documental, o fato do filme se passar em Joanesburgo (Africa do Sul) e, o mais interessante, usar os alienígenas não como o fator principal do filme, mas o mote para falar de segregação, de desrespeito às diferenças, algo tão conhecido dos sul-africanos, já que viveram por anos num regime de apartheid. Chama a atenção também que nas entrevistas os negros são os que mais detestam os aliens. Por sinal, não lembro de haver entrevista com brancos, exceto os profissionais: psicólogo, assistente social, enfermeira.

Mesmo com as boas idéias, altas doses de violência, os efeitos em CGI bem produzidos – os aliens são bem realistas -, e do ritmo vertiginoso do início, Distrito 9 carece de um roteiro mais elaborado e um cuidado maior nos relacionamentos dos personagens, principalmente o amor de Wikus por sua esposa, e até mesmo dos humanos com os aliens, já que em momento algum é dada a oportunidade dos extraterrestres se manifestarem. Acaba pecando em vários aspectos, um deles é tomar desnecessariamente um caminho de filme de ação com elementos de vídeo-game, em seus minutos finais, exagerando na dose.

(ATENÇÃO: SPOILER) Outra coisas inexplicáveis: porque os aliens não se rebelam? Como pode a imensa nave permanecer por mais de duas décadas pairando no ar se está quebrada e sem combustível, e de repente começar a voar sem que manutenção alguma seja feita? Qual a posição de outras nações em relação aos alienígenas? O que levou Wikus a sofrer a mutação, já que foi atingido por um líquido aparentemente usado como combustível? E porque a transformação começou pelo braço? Há várias lacunas e falhas, e o espectador atento vai conseguir percebê-las, talvez sejam todas explicadas numa possível continuação, já que Christopher Johnson, o único alien que demonstra alguma racionalidade e simpatia (junto com seu filho), por dois momentos promete que voltará dali a três anos para curar Wikus e libertar seus semelhantes.

Apesar disso tudo, Distrito 9 é um dos filmes obrigatórios de 2009, que irá causar discussões e especulações diversas após o seu final, e ainda após alguns anos.

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