CINEMA: Surrogates (Substitutos, 2009)

Baseado nos quadrinhos de mesmo nome, Surrogates mostra que no futuro os seres humanos possuem e comandam de dentro de casa seus substitutos – robôs super avançados e com aparência humana – que executam as tarefas cotidianas, principalmente as relacionadas ao trabalho. Uma espécie de The Sims ou Second Life realista, com toques de Blade Runner.

Nesse mundo, a maioria das pessoas vivem trancadas em suas casas, já que precisam comandar os substitutos, não possuem vida social, mas há o lado bom: a criminalidade caiu a perto de zero. Como nem tudo são flores, há os que não concordam com o uso das máquinas, e esses vivem numa zona isolada, sem substitutos, da forma “antiga”.

A segurança desse mundo de substitutos fica ameaçada quando um dos robôs é “assassinado” e junto com ele a pessoa que o comandava, fato sem precedentes até ali. Entra em cena o detetive Tom Greer (Bruce Willis) e sua parceira Peters (Radha Mitchell) para tentar solucionar o caso.

Com duração de apenas 80 minutos e custo estimado de 80 milhões de dólares, Surrogates peca por cometer alguns deslizes que já foram citados em Distrito 9, só que nuam escala maior. Um dos mais perceptíveis é a falta de envolvimento de Willis e de todo o elenco com o filme, dando a idéia de que estão todos completamente perdidos, talvez pela falta de uma direção mais segura. Exceção para Ving Rhames, que apesar do tom caricato do seu personagem revolucionário, consegue dar conta do recado.

O roteiro de Michael Ferris e John Brancanato não parece se preocupar em tocar em determinados aspectos, é cheio de falhas, não se aprofunda em nada, nem mesmo em assuntos que são cruciais para o filme como o relacionamento de Greer com a esposa, a morte do filho; ou, ainda, o modo de vida das pessoas após o surgimento dos substitutos. Uma série de questionamentos ficam nos perseguindo: e as crianças e idosos, como vivem nesse mundo, controlando um substituto também? As pessoas não têm filhos? E quando as pessoas adoecem, como são tratadas? Dentre vários outros questionamentos, que o roteiro simplesmente deixa de lado.

Claro que um filme não precisa explicar tudo, mas há pontos chaves que não são nem mencionados. Como não li os quadrinhos, nem dá pra fazer comparações ou paralelos. De qualquer forma, são mídias diferentes, cada uma com suas peculiaridades.

Outro grande problema é que o diretor Jonathan Mostow (Exterminador do Futuro 3) parece não saber que tipo de filme está dirigindo: ficção, ação, drama ou policial. Embora se saia melhor nos momentos em que o filme requer ação. O lado ficção não deixa a desejar mas não consegue, por exemplo, o deslumbre visual de Blade Runner, feito há mais de vinte anos.

Esse impasse, somado aos outros problemas (que poderiam ser facilmente contornados), faz Surrogates adentrar o clássico hall dos filmes que possuem até uma idéia interessante mas mal aproveitada, resultando num filme frouxo, sem conteúdo, sem alma.

Há uma espera para que algo emocione: faça rir, temer, ficar em suspense, mas passamos os minutos como observadores, perplexos apenas com os brancos do roteiro. E nem o “grand finale”, quando os substitutos caem todos de uma vez, consegue ser impactante.

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