THE MARY ONETTES – Islands (2009)

Islands, segundo álbum do The Mary Onettes, nasceu cercado de fatos curiosos: o disco rígido que continha cinco das seis canções que a banda já tinha preparado foi roubado; o computador em que a banda tinha um backup das canções deu problemas no disco rígido e tudo foi perdido. Aí tiveram que regravar as canções: “cinco regravadas e cinco e cinco novas”, diz Philip Ekström. É um álbum de letras mais pessoais, continua o vocalista.

Produzido pelo próprio Ekström, com a ajuda de seu irmão, o novo álbum não muda muito em relação ao debute. Talvez um dos diferenciais seja o uso menor dos teclados e a adição de um quarteto de cordas, o que dá um tom mais épico às canções, o que já se anunciava no primeiro single do álbum, o ótimo “Dare”. No geral, pode-se considerar uma continuação…uma agradável continuação.

Há que se imaginar que Ekström e muitos jovens suecos da sua geração devem ter passado muitas tardes ouvindo álbuns do Echo and the Bunnymen, The Cure, New Order e toda uma geração de bandas inglesas oitentistas. Por isso trazem para sua música todas essas referências. Adicione seus conterrâneos/contemporâneos do Shout Out Louds e The Legends nesse círculo.

Embora bebam nessas fontes já tão exploradas, o The Mary Onettes, ao contrário da grande maioria, não enverada pela sonoridade mais dark, a preferência é pelo lado mais saudosista, com a construção de melodias ganchudas, que ficam guardadas de tal forma que na mente que vez por outra você se pega cantarolando, murmurando, assobiando. Algumas canções já nascem clássicas, como as deliciosas “Dare” e “The Disappearance of My Youth”, com um coral de crianças de arrepiar; ou o deleite melódico de “God Knows I Had Plans”, ao melhor estilo indie-pop produzido pelas bandas da Sarah Records.

Num álbum em que cada canção parece uma estrela – diferentemente da opinião do vocalista, de que parecem ilhas -, parece que estamos diante de uma constelação bastante luminosa. Todas as faixas poderiam ser lançadas como single que fariam bonito. Ekström demonstra que tem a manha pra fazer as canções crescerem e caírem na hora certa, uma fórmula certeira para capturar o coração dos ouvintes; e de dar vida a belos refrões. Mesmo quando ele canta algo simples como “Whatever saves me, will save you too”, na balada “Whatever Saves Me”, as palavras vem carregadas de uma beleza melancolica que é difícil não se encantar.

Tivesse surgido nos anos 80, o The Mary Onettes seria um dos ícones daquela década. Originários dessa década apresentam um belo apanhado nostálgico do melhor produzido em solo britânico naquele época, mas com um olhar tão cheio de frescor e beleza que você até se esquece que já viu tudo isso antes.

NOTA: 8,5

4 pensamentos sobre “THE MARY ONETTES – Islands (2009)

  1. Pingback: MELHORES ÁLBUNS DE 2009 « love no more

  2. Concordo com você, Eduardo quando fala que o The Mary Onettes é uma das melhores que se aproveitou dos 80’s. Não conhecia esse lado temperamental do vocalista da banda, Abell. Cheguei a ler algumas entrevistas e, aparentemente, parece ser um cara bacana, mas se você teve contato pessoal com ele pode falar melhor que eu. Talvez o irmão (como você disse) seja quem contrabalence isso na banda.

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  3. Olá Luciano,

    É uma das minhas bandas favoritas e são meus conhecidos. Tenho um Club na minha cidade completamente dedicado ao chamado Indie, nas suas mais variadas vertentes (Rock, Pop, Folk, etc.) e esporadicamente faço produção de concertos ao vivo. No passado dia 13 de Outubro os Mary Onettes vieram apresentar este “Islands” que, para mim, está uns pontos abaixo do genial “Dare”. Não me parece é que banda tenha muito futuro devido ao mau feitio do Philip. O irmão é uma joia de pessoa e sem dúvida que é ele o pilar deste grupo. Aqui vai um link para ficares a conhecer a sala :
    http://www.youtube.com/watch?v=xumUhB7GfkI&feature=related .
    Abraço

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  4. Ainda considero, na atualidade, o Mary Onettes como uma das melhores bandas que se aproveitou dos anos 80. Digamos assim, e como vc já citou, gosto dessa virtude deles de seguirem o caminho menos melancólico/dark e ir para o lado mais saudosista.

    E não sou músico em potencial, nem sei nada sobre notas musicias (digo, a parte técnica), mas quem é, diz que a banda sempre segue um ritmo, um toque específico, umas linhas de acordes pré-definidas. Ou seja, poderia dizer que gosto de ouvir o que está passando ali, acho que transpira honestidade e o prazer de se fazer (ainda) belas canções, e talvez, não importe o modus operandi de como isso acontece.

    Do disco anterior, não muitas mudanças. Quase nada, certo? Mas, sabe, o Mary Onettes tem o status que um The National, um Rosebuds, um Gravenhurst tem. Bandas que não precisam mudar, apenas continuar a fazer o que sabem: belas melodias, disco passando redondinho no player.

    Fico com uma nota entre 8 e 8,5. Arredonda para 8,5.

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