REEDITANDO: Siouxsie, Shout Out Louds, New Model Army

“Em Reeditando postarei textos meus que foram publicados nos sites Outernative e Muzplay, da época em que escrevia para os mesmos”


Siouxsie – Mantaray
(Universal, 2007)

Algumas coisas são inevitáveis e até bem previsíveis, a incursão de Siouxsie em carreira solo é uma delas. Ou alguém pensou que a ex-punk e ex-groupie dos Sex Pistols, iria parar após a dissolução do grupo ou da separação de seu companheiro, Budgie? “Mantaray”, seu primeiro álbum solo, é a resposta da cinquentona Siouxsie e o seu presente para os órfãos de sua banda, por sinal seus vocais estão em forma, não tão poderosos quanto no início de carreira, mas muito bem colocados, para que possa aguentar as apresentações ao vivo. Contando com a colaboração dos produtores Steve Evans e Charlie Jones, que além de produzirem, compuseram e tocaram os instrumentos em todas as faixas, “Mantaray” mostra a cantora passeando por um terreno que já é de seu conhecimento: glam-rock (About To Happen), baladas devastadoramente tristes (If It Doesn’t Kill You), levadas tribais (One Mile Below), música de cabaré com pitadas de jazz (Drone Zone) ou canções pop com tons dramáticos e arranjos suntuosos, que até lembram “Face to Face”, faixa que sua banda compôs para a trilha sonora de Batman, (Here Comes the Day e Loveless); aventura-se também por ambientes novos: rock com elementos de música industrial (Into a Swan). Siouxsie mostra que está firme e forte e praparada para enfrentar o que vier, ela deixa isso bem claro no refrão de “Into a Swan”: “sinto uma força que nunca senti antes”, enquanto em “If It Doesn’t Kill You”, ela canta que “se isso não te mata, isso te dá uma sacudida”. Melhores momentos: “Here Comes that Day”, “Loveless” e “Sea of Tranquility”.(NOTA: 7,6)


Shout Out Louds – Our Ill Wills
(Merge Records, 2007)

Em entrevista recente, falando sobre “Our Ill Wills”, Adam Olenius, declarou que o álbum foi muito mais trabalhado em estúdio e pensado que o seu antecessor, “Howl Howl Gaff Gaff” (2005), que foi basicamente “vamos gravar as canções e ver o resultado”. Prova de que o trabalho compensa, os suecos saíram do estúdio com um belo segundo álbum, mais coeso, mais accessível, repleto de belas canções. A ótima abertura com as batidas acústicas e os celos da deliciosa “Tonight I Have to Leave It”, uma canção sobre (o título já entrega) rompimento, é um belo cartão de visitas para o que virá. E o álbum em nenhum momento decepciona, tem seus momentos mais tristes como em “Time Left for Love” e “Meat is Murder”, mas nenhuma canção que faça sentir vontade de pular a faixa. Por seu lado, as quatro canções que iniciam o álbum são de arrancar um sorriso até nos mais ranzinzas, e não há segredos, apenas canções adornadas com pequenos elementos (cordas, pianos, glockenspiel, percussão) em favor das melodias, ressalte-se ainda os vocais mais “inspirados”. Até na simplicidade do arranjo de “Blue Headlights”, canção composta por Bebban Stenborg (teclados), a banda esbanja candura. Há ainda a ótima “Impossible”, onde Olenius canta que não quer sentir como se não tivesse um futuro, e a cureana “Normandie” (espécie de Close To Me). A voz de Olenius lembra bastante a de Robert Smith, o que faz com que pensemos no The Cure fazendo indie-pop. Se o resultado fosse algo próximo desse “Our Ill Wills” seria ótimo. Melhores momentos: “Tonight I Have To Leave It”, “Parents Living Room”, “You Are Dreaming”, “Suit Yourself” e “Impossible”, (NOTA: 9,0)



New Model Army – High

(Akoustik, 2007)

Justin Sullivan carrega o seu New Model Army já há vinte e sete anos e chega ao seu décimo álbum com uma vitalidade e urgência que faz lembrar os melhores momentos da banda nos longínquos anos oitenta. Bom para os fãs que tem um motivo a mais para sorrir, principalmente os brasileiros que tiveram a oportunidade de vê-los novamente no país recentemente. No percurso, o NMA passou por várias mudanças, e acontecimentos trágicos, como a eletrocução e quase morte de Sullivan durante um show, mas a mais impactante foi a morte, em 2004, do baterista, co-fundador e grande amigo de Sullivan, Rob Heaton, um dos responsáveis pelo som da banda. Para quem conhece a música do NMA, não há muito do que se falar, são os inconfundíveis vocais de Sullivan, mais declamados ou falados do que cantados e com certo tom de raiva, as letras afiadas, a cozinha poderosa e com certo balanço, pitadas de folk (a cargo das batidas de violão), de hard rock (nos riffs mais pesados de guitarra) e também baladas, como na ótima faixa que dá nome ao álbum, na quase acústica “Sky in Your Eyes” e na climática “Rivers”. Pode soar clichê, mas “High” mostra a banda numa forma como não se via desde “Impurity”, seu álbum de 92. “No Mirror No Shadow”, por exemplo, vai de encontro ao que a banda já produziu nos anos oitenta, não só pela crueza, mas principalmente pelo refrão cantado em uníssono, bastante usual naquela fase deles. O entrosamento da cozinha na chacoalhante “Dawn” também remete aos melhores momentos da dupla Heaton/Morrow (ex-baixista). “High” é, sem dúvida, um dos melhores álbuns lançados pelo New Model Army nos últimos anos, vai agradar aos fãs (em sua maioria trintões) e serve como ótima apresentação da banda às novas gerações. Melhores momentos: “One of the Chosen”, “High”, “No Mirror, No Shadow” e “Rivers” (NOTA: 7,8)

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