SHOUT OUT LOUDS – Work (2010)

Não deixa de ser decepcionante que o Shout Out Louds tenha despido sua música justamente daquilo que era uma de suas forças maiores: os adornos nos arranjos.

O pior ainda é que, conforme palavras do próprio Olenius, foi proposital. A idéia foi fazer um álbum mais “básico”. Os refrãos que eram outro dos pontos fortes do grupo, foram deixados de lado ou perderam intensidade; e os backing vocals da tecladista Bebban Stenborg, que em ‘Impossible’ (do álbum anterior), por exemplo, eram um ótimo contraponto com a voz de Olenius, não aparecem em ‘Work’.

Aí, quem adorou tudo isso no álbum anterior, vai logo de cara torcer o nariz para o novo trabalho dos suecos, não sem motivo. Sem os citados elementos o Shout Out Louds nada mais é que mais uma banda fazendo indie-pop junto com uma multidão de bandas semelhantes. Há pianos, cordas e instrumentos de sopros ocasionais, mas a gama de elementos presentes em ‘Our Ill Wills’, objetivamente deixados de lado, fazem falta.

Estaria o Shout Out Louds de ressaca ou dispostos a seguir caminhos diferentes?

‘Work’ está uns dois ou três passos atrás do seu antecessor (melhor álbum de 2007 em minha opinião), se situando entre o que a banda fez em seu debute e no segundo disco.

Melodicamente o grupo continua afiado, os vocais de Olenius também, mas falta a ‘Work’, inclusive, uma canção marcante. Sei que é chato e injusto ficar tecendo comparações, mas enquanto o álbum anterior estava recheado delas, ‘Work’ segue um caminho inverso. Se essa era a ideia da banda, ótimo; senão, eles deram um tiro no próprio pé.

Azar de quem esperava uma continuação de ‘Our Ill Wills’.

Aí soa até irônico uma faixa com o título ‘Show me Something New’ (mostre-me algo novo), um dos momentos “ensolarados” do álbum. ‘Fall Hard’, onde o backing de Bebban aparece bem discretamente, é outro momento cheio de frescor, musicalmente falando (já que a letra é até meio desesperadora), e um dos singles de ‘Work’, junto com ‘Walls’, canção que começa meio estranha mas ganha fôlego nos instantes finais, com um refrão a ser cantado a plenos pulmões. ‘1999’ também é bacana (e pode vir a ser lançada em single), e a épica ‘Moon’, que faz pensar num Arcade Fire mais básico.

Poderia ser melhor, mas o SE é algo que só existe em nossas mentes, no imaginário.

NOTA: 7,0

PS: Inicialmente o texto era pra sair na seção Saindo do Forno, já que o álbum vai ser lançado no dia 23/02, mas acabei me estendendo.

7 pensamentos sobre “SHOUT OUT LOUDS – Work (2010)

  1. Daniel, continuo gostando mais do Our Ill Wills. Concordamos que ‘Moon’ e ‘Walls’ são duas canções que se ressaem no álbum. Quanto aos sentimentos serem mais intensos quando passados de forma simples, há controvérsias. E valeu pelos comentários.

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  2. Cara, eu vou falar a verdade. Eu discordo. Eu ouço os dois albuns anteriores constantemente, com o Our Ill Wills sendo o favorito até entao.
    Mas tenho que dizer que essa simplicidade do novo album me deu muito mais satisfaçao. Os sentimentos sao muito mais claros quando passados de formas simples. Talvez esse seja o ponto do novo album. Faixas como ‘moon’, ‘candle burned out’, e ‘walls’, sao faixas completamente cheias de sentimentos, intensos por sinal, que só podem ser passados de forma simples. Extenso com extenso normalmente fica exagerado, nao sei se me entendem.
    Novo album que só pode ser apreciado atraves do valor pela simplicidade. Acreditem, vai ser um album que te conquista no fim, como me conquistou, e virou meu prefirido até agora.

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  3. É, talvez seja a tal da expectativa que muito se cria quando uma banda vai lançar um álbum depois de ter feito um muito bom. Eu, particularmente, continuo acreditando na banda.

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  4. Depois de ouvir ‘Our Ill Wills’ quase todos os dias, e mesmo assim acho que tudo ainda e muito novo e gratificante, imaginava que ‘Work’ seria algo deslumbrante, talvez a ideia do album seja essa, deixar de lado esse lema de superar o album anterior , se foi esse o objeto SOL conseguiu se superar, estou ouvindo o disco pensando de uma forma diferente, para ter um julgamento mais justo sobre ‘Work’.

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  5. Tinha comentado contigo pelo Soul Seek que achei o ábum fraco (tinha escutado superficialmente). Mas resolvi ouvir pra valer e notei que não é um trabalho ruim, mas que cometeu seus “pecados” e, consequetemente, tendo um resultado não muito bom ou não esperado!

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  6. O pior é que o álbum tem faixas que tem potencial, faltando justamente uma burilada no arranjos, uma preocupação maior, uma “lapidação”.

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  7. É, Luciano, um pouco decepcionante sim. As duas primeiras faixas dão a impressão de que o disco teria um crescimento, mas não ocorre. Do terceiro tema em diante acontece um desfile de canções cruas, básicas demais. O disco passa um certo vazio, até porque sempre nos reportamos aos trabalhos anteriores, ricos em arranjos e melodias. O encanto ainda fica com a voz de Olenius, mas infelizmente o disco nao faz jus ao trabalho q banda tinha feito até então. Fica 2010 aberto para outros suecos.

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