REEDITANDO: Gang Gang Dance – Saint Dymphna (Social Registry, 2008)

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Com certeza, não foi pela capa. Um pouco foi através da indicação de amigos. Ou ainda depois de ler que os nova-iorquinos (do Brooklyn, só poderia ser) já são um tanto quanto experientes musicalmente. E que o disco de 2005, ‘God’s Money’, foi o escolhido de muitos internautas para a então famigerada lista de melhores do ano.

Não é todo dia que ouvimos algo que embaralha o eletrônico pioneiro (Kraftwerk, por exemplo) com o da atualidade (Justice, The Knife e Digitalism), e que ainda engloba Brian Eno (ou outros mestres do ambient), world music, Animal Collective, Yeasayer, psicodelismo, art rock, rock experimental, ritmos tribais, etc. Caso eu continuasse, eu não terminaria esta resenha. Muito simples. Basta ouvir um quinto da obra, ‘Bebey’ e ‘Inners Pace’, para entender o que acabo de resumir anteriormente.

Claro que o grupo privilegia a percussão. Ela está sempre em destaque – porém nunca toma a cena por completo. Atinge níveis absurdos, parece querer saltar para outra dimensão. Camadas de vozes, samplers, sintetizadores espaciais, efeitos e ecos se complementam em camadas eqüidistantes e bem incorporadas no agregado que o álbum é. O que gera coisas descomunais como ‘Afoot’ e ‘Desert Storm’.

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Duvido alguém reclamar da fusão de hip-hop e electro-pop feita em ‘Princes’. Ou seria a nova forma de mostrar ao mundo como deixar o estilo mais charmoso? Tinchy Strider, pertencente à chamada nova geração do rap/hip hop do UK garage (Grime Artists), é quem solta a voz na canção. ‘House Jam’ é a mais ‘digerível’ do disco e é aquele hit que se cair numa pista de dança, deixará toda a boate em estado de êxtase. O vocal adocicado fica por cortesia de Liz Bougatsos.

Outros desvarios sonoros são ‘First Communion’ e ‘Vacuum’. A primeira, uma espécie de punk-new wave descarrilado se despedaçando em múltiplos estilhaços sonoros pra tudo quanto é lado. A segunda, com mais passividade – porém nem tanto – tem atmosfera sombria, é toda fragmentada e mostra como o eletrônico pode ter cérebro e sempre se mostrar mais inovado.

Bem, o Gang Gang Dance vem provar que mais vale o conteúdo do bolo do que propriamente a sua aparência. Carnaval? Fantasia? Faz você lembrar da Marquês de Sapucaí? Aqui, é diferente. A cena é o Brooklyn (o bairro mais comentado nos últimos anos) e se o carnaval de lá for assim, estou tirando férias hoje e indo passar uns dias lá.

Nota: 8,0

Um pensamento sobre “REEDITANDO: Gang Gang Dance – Saint Dymphna (Social Registry, 2008)

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