REEDITANDO: Lightspeed Champion – Falling Off the Lavender Bridge (2008)

Olhando pra essa capa, que tipo de música você imagina encontrar? Não, a pergunta não é pra quem já conhece o álbum ou a banda ou o cara por detrás da banda, que na verdade é um projeto de um homem só. Mas para aqueles que ao entrarem aqui se depararam com essa figura de terno vermelho e gravata borboleta laranja, segurando um coelho preto sob um não usual fundo azul, e ficaram com a pergunta rolando pra lá e pra cá, como eu.

Esperando pela resposta tome mais perguntas. Você conhece o Test Icicles? Não? E Dev Hynes? Hynes é a figura da capa. Ele foi guitarrista e vocal do Test Icicles. “Falling Off the Lavender Bridge” é seu primeiro álbum com a alcunha de Lightspeed Champion, que de antemão podemos dizer que é uma fuga radical da sonoridade apresentada por sua ex-banda, o guitarrista sabe disso e imagina que os seus fãs da época do Test Icicles irão se surpreender com o disco, até ele demonstra certa surpresa no direcionamento de suas composições.

A resposta para o direcionamento. Para dar vida ao disco, Hynes, que mora na Inglaterra, fez as malas pros States e lá se juntou a um time de nomes conhecidos do cenário indie musical como Mike Mogis (Bright Eyes), membros do Tilly and the Wall, Cursive e The Faint. Gravado em Omaha (Nebraska) com produção (e em parceria) de Mogis, especialista em folk/country songs, o álbum apresenta canções de base acústicas com pedais steel e elementos fartos de country e muitos arranjos de cordas, deixando evidente a influência sofrida por Hynes na criação do álbum e não só isso, mostrando também o peso da mão do produtor no direcionamento dos arranjos.

O álbum foi lançado em janeiro desse ano, mas o primeiro single , “Galaxy of the Lost” saiu no ano passado, precisamente no mês de julho. “Galaxy…” pode ser considerada a faixa de abertura dos trabalhos, já que a faixa instrumental que realmente abre o álbum tem apenas vinte e quatro segundos e bem pode ser tomada como a introdução desta. “Galaxy…” tem belos dedilhados de violão, steel guitar, violinos chorosos, batidas acústicas tranquilas e conta com os vocais encantadores da vocalista Emmy The Great, que irá aparecer em várias outras faixas, dando-lhes um brilho a mais ao fazer contraponto com os vocais de Hynes.

As batidas acústicas de “Tell Me What is Worth”, e novamente o pedal steel recortando a canção, confirmam a pegada que será a tônica do álbum: pop com influências country/folk sob uma roupagem moderna, que alguns chamam de indie-folk ou alt-country. Hynes parece reencontrar a música de suas origens, já que nasceu no Texas, e demonstra ter conhecimento de causa, sai-se bem trabalhando nesse “novo” universo musical. Apesar disso, a falta de mais momentos de ousadia é bastante perceptível.

“Midnight Surprise”, outro dos singles do álbum e talvez a canção mais “ousada”, é uma suíte de vários atos, numa viagem de mais de nove minutos por paisagens diversas, desde desertos empoeiradas e um sol escaldante até campos esverdeados com cheiro de mato e climas nublados com muitos relâmpagos e chuva fina.

Muitos momentos bucólicos estão espalhados estrategicamente no percurso do disco. Seja na curtinha “All to Shit” (ênfase em instrumentos de sopro) ou em “Devil Tricks for a Bitch”,(ênfase em cordas). “I Could Have Done This Myself” é uma dos poucos momentos em que uma guitarra com efeito distorcido é permitido e foge ao padrão geral, talvez por isso se destaque bastante.

A sequência em que as faixas foram dispostas sugerem uma proposta, que é interrompida da quarta até a oitava faixa, e em seguida é retomada da nona em diante. Com a retomada, a sensação é de que voltamos ao Lightspeed Champion de “Tell Me What is Worth”, essa sensação não o eleva, mas acaba por diminuir o prazer do álbum, com a incômoda sensação de autorepetição, e um certo abuso do efeito steel, que certamente não se repetirá em um próximo álbum da “banda”.

Retomando a pergunta do início: olhando para a capa agora, qual a sua sensação? Curiosidade, desinteresse ou a mesma do início? Se a resposta for a última, que tal ler a resenha novamente?

Melhores momentos: “Galaxy of the Lost”, “Midnight Surprise” e “I Could Have Done This Myself”.

NOTA: 7,0

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