REEDITANDO: R.E.M. – ‘Accelerate’ (2008)

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Neste exato momento, não dá para dizer que uma simples resenha traduza o que sejam 30 anos da história de uma grande banda. Percalços, sucessos, saída de integrante, fase em gravadora independente e numa major (Warner), tragédia gigantesca e de impacto mundial envolvendo o país do grupo, início com garra juvenil tocando para uns poucos universitários, maturidade comprovada fazendo música de qualidade para o mundo. Reconhecimento. Influência para mais bandas novas. Isso é o que, resumindo, poderíamos dizer do REM, originário de Athens, Geórgia (EUA).

Um grupo que, mesmo a pessoa não conhecendo direito, pelo menos respeita sua história. E já ouvi até alguns internautas comentarem: Michael Stipe é um dos melhores vocalistas do cenário musical. Fato correto. Voz única, que consegue unir característica pungente sem perder o carisma, muito menos deixar de ter a eletricidade de um músico em plena efervescência da juventude. E o próprio Stipe consegue agregar letras épicas duelando com um pesado instrumental, tudo numa velocidade vertiginosa. A verborragia inteligente e desenfreada aliada à energia de uma banda punk novata. Confira as ágeis ‘Horse To Water’ e ‘I’m Gonna Dj’.

Porém, os méritos também ficam para dois amigos que, desde o tempo de universidade, o acompanham. São eles: Peter Buck e sua guitarra que transita facilmente entre o dedilhado onírico e virulência herdeira do punk, mais o baixista Mike Mills, que, assim como Stipe, consegue nos atordoar com sua voz – seus backing vocals são mágicos, como podemos ouvir em ‘Man Sized Wreath’. Vale lembrar que Mills vem dando canja nos vocais desde os primeiros discos da banda.

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Ao contrário do que muitos leitores já puderam julgar, não penso que ‘Accelerate’ represente totalmente a fase IRS da banda, de discos como ‘Life’s Rich Pageant’ (1986) e ‘Document’ (1987). Tem coisas sim do nível orquestrado/pacífico/melancólico/intimista da fase ‘Out Of Time’ (1991) e de ‘Automatic For The People’ (1992). As sutis ‘Until The Day Is Done’ e ‘Sing For The Submarine’ se encaixariam perfeitamente em qualquer uma dessas duas produções citadas anteriormente. No melhor dos sentidos, prefiro afirmar que o R.E.M fez um apanhado de sua trajetória musical, uma mistura equilibrada de sua carreira. Claro que há um pouco mais de ênfase na crueza e da não tão fácil digestão radiofônica que geralmente o trio gera. Apesar de dizer que ‘Supernatural Superserious’ foi canção carimbada em MTV’s, no gosto do público e em programas de rádio.

Stipe e sua turma estão sincronizados com o que acontece no cenário da música. Sabem que um disco curto e com poucas canções é o mais ideal nesta época de informações velozes chegando a cada dia. E até mesmo porque as músicas do álbum atingem essa urgência típica. Média de 3 minutos e meros segundos por canção que resgatam o espírito clássico do rock básico. Falo ‘básico’, contudo, o trio continua perspicaz nas composições. Usam variados instrumentos e recursos inovadores de estúdio em cada faixa. Embora tudo em cadências discretas. Não espere algo da magnitude instrumental latente e épica de uma canção como ‘Drive’, por exemplo. Um teclado esparso, vozes bem ao fundo, violões dedilhados, percussões, pianos iniciando uma música e depois saindo de cena. Tudo com uma produção impecável e enriquecida. O bom e velho jeito R.E.M de ser, quer seja virulento, quer seja flutuando em águas serenas.

Peço uma coisa a quem for ouvir o disco. Não julguem ‘Accelerate’ como uma espécie de vingança/resposta da banda ao fraco ‘Around The Sun’ (2004). Ali, o grupo ainda estava contagiado pelo ato terrorista de 11 de setembro em NY, que, infelizmente, culminou com um momento de reflexão e de melancolia para todas as áreas das artes em si. Um trauma que sem querer acabou nos afetando, sobretudo em se tratando dos artistas americanos. Em 2008, começou uma nova etapa, com um grupo saindo de sua fase convalescente e disposto a mostrar sua cura. R.E.M. é uma banda que começou murmurando canções para poucas pessoas, e que hoje deixa seus inúmeros fãs pelo mundo todo em estado acelerado de paixão e gosto pela arte.

Nota: 8/10

Um pensamento sobre “REEDITANDO: R.E.M. – ‘Accelerate’ (2008)

  1. Belo comentário sobre esse grande album, um album que chega pra mostrar para a maioria das bandas como se faz um belo disco de rock e concordo com o que foi dito sobre o disco anterior, que isso foi visivel na maioria das bandas americanas naquele período, acredito que com isso o R.E.M. chega ao status de uma das maiores bandas do mundo que a muito tempo tinha-se parado de ouvir falar, já que a grande midia ainda teima em colocar outras em sua frente.

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