REEDITANDO: Plants And Animals – ‘Parc Avenue’ (2008)

null

Embora a capa tenha quase a metade da população canadense (uma ironia de minha parte, claro), o grupo conta com apenas três músicos que são: Warren Spicer (guitarra e voz), Matthew Woodley (bateria, percussões e voz) e Nicolas Basque (guitarra, baixo e voz).

E por vir do Canadá, outras sonoridades conhecidas nossas podem ser associadas ao som do trio. Um pouco de Arcade Fire, de Stars, de The Dears e do combo Broken Social Scene. Adicione ainda semelhanças com bandas de outros países tais como Band Of Horses, Iron And Wine e Shearwater. Bons pré-requisitos. Um disco difícil de rotular, uma vez que podem ser percebidos ecos do alt-country, pop sessentista psicodélico, progressivo dos 70, indie-pop atual, jazz e folk. Na melhor das palavras, mais uma banda a esfacelar seu som e dele tecer uma colcha de retalhos bem elaborada e de não tão fácil digestão assim.

Um disco longo (56 minutos), que você precisa assimilar lentamente, em cada audição diária. Detalhes escondidos. Descobertas de um som que tenta superar um quebra-cabeça de 5000 peças que você monta em cada momento de lazer de sua vida. Se por um lado temos a facilidade pop-rock pontuada por belos pianos e de lá-lá-lá’s de ‘Bye Bye Bye’ e o pop sofisticado carregado de nuances e candidata à música do ano presente em ‘Good Friend’; por outro há sonoridades intrincadas e épicas no melhor estilo rock progressivo dos anos 70, como em ‘Faerie Dance’. Esta última canção citada, por exemplo, começa lenta acompanhada de uma voz feminina suave, logo em seguida, se apropria de um turbilhão de cordas e pianos insanos, e nos instantes finais ganha uma batida mais incorporada e coro de vozes, formando assim uma espécie de suíte em 7 minutos.

null

Com assovios em seu começo, a acelerada ‘Feedback In The Field’ mostra um lado mais post-punk sem perder o toque alt-country de um Wilco (entendam, rapidamente exemplificando). A suave, pacífica e acústica ‘A L’orée Des Bois’ é a que fica mais próxima do folk perfeito que tem infestado – para nosso deleite – a internet. E é aquela música que pode te fazer perder a ojeriza pelo estilo. No final da canção, seria uma voz infantil aquela? Ouçam e me digam. Ficou genial. ‘New Kind Of Love’ consegue aliar um vórtice atordoante e descarrilado de instrumentos com vozes típicas de um Polyphonic Spree (acreditem, a mistura ficou perfeita). A pequena ‘Early In The Morning’ nos carrega para os anos 60 e nos remete a algo encantador da escola dos Byrds.

‘Mercy’ ganha tons jazzísticos com suas guitarras suingadas e sopros potentes. Na metade da composição, aparecem gritos femininos como se estivéssemos ouvindo algo das estripulias de um The Go!Team. No final, guitarras ensandecidas. Mais inusitado que isso, impossível. Para embalar tardes chuvosas, fique com a fusão bem combinada de violinos, bateria marcial e cordas que te acalma em ‘Sea Shanty’. Ou fique com o clima mais sombrio e intimista de ‘Keep It Real’.

Obras talentosas te fazem retratar uma gama de outras possibilidades que a influenciaram. Como no caso do Plants And Animals. E mais uma vez o Canadá e seu cenário musical nos surpreenderam.

Nota: 8,2

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s