BRENDAN PERRY – Ark (2010)

Certa ocasião um amigo comentou que no seu funeral gostaria que tocassem “In Power We Entrust The Love Advocated”, do Dead Can Dance. Nada mais apropriado para um enterro do que o som dessa banda (duo – Brendan Perry & Lisa Gerrard), já que, desde o título da mesma – “A morte pode dançar”, quanto à sonoridade (sentimento de melancolia, angústia, tensão, magia e mistério), formam a combinação perfeita para esse contexto (entre outros) – a morte! Realmente, em “In Power We …” a voz potente, imponente, bela e única de Brendan Perry traz um sentimento especial indescritível.

O Dead Can Dance é um capítulo à parte; mas falar de Brendan e sua carreira solo e não citar o DCD é algo praticamente impossível. Seu trabalho com Lisa (a outra metade) foi algo bastante marcante e até fundamental para muitos outros artistas. A sonoridade da dupla (new age+ world fusion) foi um dos pilares do que atualmente muitos denominam de “dream pop”. O outro pilar, mais fundamental ainda, seria o som do Cocteau Twins. 

Com o fim do duo em 1999, Brendan partiu para carreira solo, gravando no mesmo ano um álbum intitulado “Eye Of The Hunter”, trabalho mais acústico com certa influência do folk, soul e jazz; uma clara tentativa de distanciamento do som do DCD. Desse período pra cá, participações em vários projetos, até que depois de um longo hiato (11 anos), temos o lançamento ainda não oficial de “Ark”. 

“Ark” é uma reaproximação com o som do DCD, sem a presença de Lisa, claro; especificamente do álbum “Into the Labyrinth (1993)”. São oito canções, onde a voz marcante de Brendan (excelente como sempre) consegue transportar e seduzir seus ouvintes como outrora. A novidade está na utilização de alguns elementos eletrônicos: “The Bogus Man” (trip-hop), “The Devil And The Deep Blue Sea” (influências do Kraftwerk no instrumental) e “Utopia” (batida eletrônica suave acompanhada de instrumental envolvente e grandioso). 

“Crescent” traz elementos percussivos e de cordas característicos de sua antiga banda. A épica “Babylon” faz a abertura em grande estilo; “Inferno” é puro mistério e o ponto alto fica por conta da exuberante “Wintersun”, digna dos grandes momentos do Dead Can Dance. 

O retorno de Brendan Perry e sua voz magnífica é um maravilhoso presente para aqueles que sempre o admiraram e acompanharam sua carreira – faço parte incondicionalmente desse clube! 

7 pensamentos sobre “BRENDAN PERRY – Ark (2010)

  1. Perfeito, apesar de parecer que fica sempre um pequeno vazio lá no fundo… mas eu acho que é mais por um motivo de afectividade aos DCD…. heheh
    abraços!
    Continuem..

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  2. Que bom que vc achou a resenha estimulante. Quanto ao amigo citado, creio que vc conhece até demais e bem melhor que eu!

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  3. Grata surpresa encontrar essa resenha do álbum solo do Brendan Perry aqui. Há aproximadamente uma semana que venho tentando baixá-lo, mas sem sucesso. Tá aqui na lista do Jdownloader, mas minha conexão esses dias tá uma merda.
    A resenha só me fez ficar com mais vontade de ouvir o álbum, até porque as canções que ele participou no álbum do Piano Magic ficaram sensacionais. Além disso, Brendan tem uma das vozes mais profundas que já ouvi.
    Quanto ao amigo citado no início da resenha, acho que eu o conheço.

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