R.I.P. JOSÉ SARAMAGO (1922-2010)

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Pouco se comentava de Saramago nas aulas de Literatura, quando passei num sebo da universidade e me aventurei a ler aquele escritor que ia contra às normas do português. Contra no sentido bom, ousado, inovador. Parágrafos longos, texto corrido, personagens que não levam nomes, tratar a história do mundo ou mesmo a Bíblia de uma forma mais controversa, de fazer o leitor pensar, indagar, de perguntar a alguém que linguagem era aquela. O que dizer de um escritor que imaginava a separação de Portugal e Espanha da Europa? E que imaginou um dia todos ficarmos cegos (física e psicologicamente)? E que é capaz de narrar uma cena de estupro na mais sensível e chocante das narrações que já pude presenciar nas minhas leituras?

Saramago conseguiu dar até vida aos cachorros (que quase sempre estiveram presentes) em sua narrativas. Personagens que se encaixam na sua personalidade, e na personalidade de seu amigo (uma vez que a todos que indiquei Saramago, todos saíram satisfeito com essa descoberta). E depois, você observa aqueles imensos parágrafos, aquele português lusitano carregado, aquele frescor na escrita e sente graça de tudo, se diverte e até pensa em escrever da mesma forma. E vira um vício, Jangada de Pedra, Memorial do Convento, Todos Os Nomes, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, o perfeito e soberbo O Conto da Ilha Desconhecida.

E Ensaio Sobre a Cegueira? Esse levaria 10.000 posts meus nesta vida. O que dizer de um livro, que na metade, você o fecha silenciosamente, guarda ao lado de sua cama e começa a chorar, de soluçar mesmo, e vc quer voltar à leitura, mas naquele momento fica até impossível…e no outro dia, você diz ao seu professor de Literatura que chorou e ele retruca dizendo que teve o mesmo sentimento.

Não sei qual o verdadeiro objetivo da Literatura. Se é causar furor, polêmica, controvérsia, pânico, melancolia, alegria, choque, êxtase, catarse, mudança de vida, reflexão ou meramente/puramente apenas prazer. Só sei que Saramago, que sequer ligava para as críticas sobre sua condição religiosa, ou se ganharia algum prêmio ou não, conseguiu causar tudo isso.

Que essa geração de agora – sobretudo os que possuem um pouco de medo de se aproximar da leitura – possa descobrir esse escritor. E ficar assim, perplexa sem pudor nenhum (como eu fiquei)…

Tenho alguns livros do escritor em casa, e não penso em vender nunca. E essa foi a forma de expressar algo, de mostrar o tanto que me agrada Saramago. Apenas separei em pequenos parágrafos…Ficam aqui meus sentimentos.

Nobel de Saramago

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