CINEMA: The Road (A Estrada, 2009)

Por mais que um filme seja comentado (e pelos mais variados motivos, desde a um hype precipitado até a tantas indicações a um Oscar) é fato que quase sempre tiramos algo dele. Para a vida, para o trabalho, ou mesmo que te faça identificar com as pessoas que convivem com você no cotidiano. Os filmes menos comentados ou menos ‘hypados’, sobretudo nessa avalanche de informações que nos descem todos os dias, também podem carregar uma carga de reflexão para o espectador, por quê não?

‘A Estrada’ se passa num cenário pós-apocalíptico, após a Terra ter sofrido um cataclisma envolvendo terremotos, incêndios e escassez de comida. E por favor, longe de ser um filme catástrofe. Tanto que a película já começa com um EUA devastado e desolado, restando poucos sobreviventes (e muito deles viraram canibais), mostrando a constante viagem de um pai e seu filho tentando encontrar algum lugar no Sul do país, que é onde, supostamente, ainda restavam boas condições de vida.

Neste meio tempo, claro que há flashbacks das relações do pai com sua esposa (no filme não são citados os nomes dos personagens) ainda no mundo pré-apocalíptico. Quem espera um filme de plena ação (porque geralmente filmes desse gênero são associados a muita ação) vai se decepcionar – em parte. Claro que há tensão em muitas cenas, isolamento, claustrofobia e terror (mas o terror verossímil, carne e osso, sobretudo na cena em que o pai descobre uma casa com várias pessoas mutiladas pelos canibais).

O filme realça a relação pai-e-filho, que é bem bacana por sinal; o sacrifício que as pessoas fazem pelos seus ideais, mesmo sabendo que a morte está bem próxima delas; a esperança e a vontade de quem ainda espera encontrar algo – que talvez nem exista – no final de uma jornada. E é exatamente nesta parte que volto a me relacionar com o início dessa resenha. Foi aqui que o longa me perturbou, me fez pensar em viver esse momento, em cuidar melhor desse lugar em que estamos e valorizarmos quem está do nosso lado. A animação ‘Wall-e’ já tinha me causado isso. ‘A Estrada’ acrescenta essa minha índole.

As atuações de Viggo Mortensen e Charlize Theron estão ali, seguras, sem serem excepcionais. Nem são muito exigidos conforme o andamento do filme. O ator mirim Kodi Smit-McPhee também não é muito solicitado, uma vez que seu papel é de seguir tudo à risca o que seu pai pede, sem questionar. O filme busca mais dar tom ao clima cinzento, aos diálogos e à miséria de outras pessoas que passam pelo caminho dos personagens principais (pai e filho).

Há quem reclame de um final clichê – pelo pouco que li em alguns sites. Ora, eu me emocionei muito com o que vi, mas peço para prestarem atenção na metade do filme e depois na cena final. Se você é atento aos diálogos, vai entender realmente a emoção que o diretor John Hillcoat (que sempre trabalhou mais com videoclips) quis passar. Detalhes que sempre trazem a máxima de que cinema é sim para fazer você refletir, questionar, aprimorar sua vida e sua convivência com as pessoas. Um momento – mesmo que minúsculo – de catarse que sempre vou valorizar.

Nota: 7,2

Um pensamento sobre “CINEMA: The Road (A Estrada, 2009)

  1. Desses filmes pós-apocalípticos esse foi o que achei mais interessante, até porque conseguiu, conforme falado na resenha, fazer parar para refletir algumas coisas a respeito da vida que levamos e como nos relacionamos com o mundo sem soar sentimentalóide. Assisti O Livro de Eli e achei muito fraco, Legião também é horrível. PArece que há uma tendência para dois tipos de filme atualmente: os apocalípticos e os pós-apocalípticos, será a aproximação de 2011?

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