CINEMA: The Final (O Final, 2010)

A questão da prática do bullying sempre foi comentada. Claro que de uns tempos pra cá, com mais ênfase na utilização das redes sociais (twitter, por exemplo) e também com a força da mídia em geral, alguns temas sempre voltam à tona. No cinema, a questão do bullying chega, frequentemente, sobre duas formas: ou seja como um memorável filme de terror (‘Carrie, A Estranha’ de 1976) ou na forma de uma comédia estudantil que geraria inúmeros filmes semelhantes, neste caso, a saga ‘Porky’s’.

Mas, convenhamos, tais películas não expressam totalmente ou tomam o bullying como mote. Se utilizarmos como uma metáfora para o ato que acontece nas escolas, poderíamos dizer que sim (mesmo que seus autores nem tenham pensado nisso). Na verdade, nos 2 filmes citados, os personagens são humilhados por serem taxados de ‘diferentes’ pelos maiorais da escola. Em ‘Carrie’, a vingança vem sintetizada em atos sobrenaturais e macabros, já em ‘Porky’s’, a vingança se mostra em forma de cenas vergonhosas, cômicas ou burlescas para as vítimas.

CUIDADO, COMO TODA RESENHA DE FILME, ALGUM SPOILER PODE SER REVELADO

‘The Final’ não vem na linha de ‘Carrie’. Não tem banhos de sangue, ligações com o sobrenatural, e não é a vingança de apenas uma pessoa. Aqui, a vingança é real, carne e osso, realizada por diversos alunos cansados de serem perseguidos/ou humilhados pelos queridinhos/bonitinhos da escola. Então, o plano? Uma festa numa fazenda isolada. Tudo arquitetado previamente. Neste meio tempo, claro, um misto de suspense, angústia e revolta pelos sofrimentos dos alunos é passado para o telespectador. Então, estamos preparados para torcer pela reviravolta. E lembram que eu citei que a gente pedia até por uma reviravolta?

O filme segue aquele clima de tensão onde várias pessoas são enclausuradas numa sala esperando o que pode acontecer com suas vidas (por favor, longe de parecer uma espécie de ‘Jogos Mortais’, pois não há carnificina gratuita, como já disse aqui). O clímax desenrola mesmo a partir daí, e vem em forma de torturas, imposições, verdades reveladas, choro e não vou mentir, por mais que os vilões merecessem, até há um certo remorso por eles da parte do espectador.

O mais legal do filme, se o estudássemos na forma da Psicologia ou Psicanálise, é mostrar que todos somos monstros. Mesmo quem está sob o comando, não tem as rédeas de seu controle, perde a razão e não há um limite para a maldade em certos homens. E os atos não tem volta, assim como ira e vingança são sentimentos incalculados.

Não dá para falar mais. Seria entregar muitos detalhes. No meio de um elenco de jovens atores desconhecidos, pouquíssimos gastos com uma produção até mediana, um thriller psicológico de fazer você se segurar na cadeira em alguns momentos, o filme faz valer uma tarde de domingo. E como a ficção/ou a arte pode até imitar a vida, um alerta/uma lição para todos que praticam esse ato insensato e infantil, um olhar sério sobre o que certas ações podem trazer em sua vida, uma consequência horrível de algum ato que o tempo não pode apagar (nunca). A propósito, os 5 minutos iniciais do filme já mostram isso.

Nota: 6,5

Elenco, detalhes, fotos

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