CLUBFEET – Gold On Gold (2010)

A Austrália sempre teve bandas de sobra, substanciais ou não, importantes ou até descartáveis, mas isso todo país com cenário musical abrangente tem. E para muitos, infelizmente, esse boom musical só veio acontecer agora, de 5 a 10 anos pra cá. Claro que bandas que resgataram – em tempos de internet – a glória do país como Cut Copy, Howling Bells e Empire Of The Sun (rápidos exemplos) deram uma perspectiva maior para o internauta e para provar que na música internacional, nem sempre tudo é Europa e EUA.

O Clubfeet é mais uma (de Melbourne). E infeliz quem diga que o Clubfeet seja mais um grupo semelhante ao Cut Copy. Triste começar uma resenha assim, mas a verdade é que o Cut Copy – na minha opinião – ficou bem além nas minhas expectativas e é melhor. Convenhamos, Cut Copy já tem lá seus 6 anos de experiência, enquanto ‘Gold On Gold’ é o début de uma banda que até (e ainda) nem é incensada pela mídia em geral. Porque a banda tem qualidade sim, não teve um álbum sensacional, coerente em sua totalidade, e se numa época em que pular faixas vira um exercício constante e é um vício maldito, não tenho vergonha de assumir um pouco de decepção com essa produção. Vale lembrar que como música aletrônica, não é difícil também fazer associações com Hot Chip e Junior Boys, mas isso não entra para aumentar ou diminuir fatos sobre esses australianos.

A abertura – que ajuda a dar continuidade na audição de um disco – é com a boa ‘Edge Of Extremes’. Em seguida, ‘Last Words’ tem vocais contagiantes e até mostra uns ritmos tribais lá pelo meio da canção. ‘Teenage Suicide’ (a música do vídeo no final da resenha) não traz muitas novidades dentro do ‘modus operandi’ do indie-pop-eletrônico. Aquela batida que deixa seus pés inquietos, refrão repetido à exaustão, e uma vontade imensa de sair na rua cantando a música grudenta. ‘Fall From Up Here’ é mais climática, com sintetizadores mais suntuosos, cantada quase num sussurro, e mostra um lado do disco para curtir uma noitada do lado de quem você gosta. Séria candidata a hit, ‘D.I.E Yuppie Scum’ retorna com os mesmos ingredientes de ‘Teenage Suicide’, mas a sensação maior aqui é a pronúncia das letras de D.I.E. com vocais femininos. Bobinha e infantil até, apesar de ficar ecoando em sua mente. ‘Say Something’ é uma versão dançante para uma música da banda inglesa James (disco ‘Laid’ de 1993).

Mais para o final, ‘Pull It Together’ e ‘Broken Hearted’ mostram momentos mais fracos, e até destoantes do disco, tanto que me fizeram pular faixas, ou que voltasse naquela minha mania (‘porquê não um disco com 2,3 faixas a menos?’). O importante é colocar a Austrália como lugar essencial no surgimento de bandas (mesmo que elas façam mais sucesso até fora do país) e ficar de olho no Clubfeet. Débuts não costumam provar muita coisa. Seria como se fosse seu primeiro teste numa escola nova. Pode dar ou esperança, um gostinho de futuro – do que virá – ou pode não dar em nada. Fico torcendo para não ser a última opção.

Nota: 6,8

Um pensamento sobre “CLUBFEET – Gold On Gold (2010)

  1. Esse é um dos álbuns que baixei recentemente e que também escutei (nem sempre baixo e escuto logo), e tive a mesma impressão sua, Eduardo! Gostei muito da versão para Say Something do James, ficou legal!

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