GUIA DE SÉRIES: Six Feet Under

Guia de séries é uma nova seção/categoria que resolvi começar neste blog. Há muito tempo tinha a intenção de já ter escrito algo, pois é de uns 2, 3 meses atrás que já vem acompanhando algumas dessas séries. Sempre tive mais afeição a filmes, porém, com a falta de inovação na tv brasileira convencional, e também com um esmero de algumas séries (que nada ficam devendo a filmes milionários e altamente aclamados por crítica e público), senti a obrigação de fazer breves resumos sobre essas produções.

Começo com ‘Six Feet Under’. E por favor, já peço, caso não tenham visto a série, cuidado, apresento conteúdo com SPOILERS.

Emissora: HBO
Anos de exibição: de 2001 a 2005.
Temporadas: 5 (63 episódios)
Criador: Alan Ball (também criador da atual True Blood)
Conhecida no Brasil como: ‘A Sete Palmos’.

‘Six Feet Under’ também ficou notória por trazer ótimos atores à tona, neste caso, um deles foi Michael C. Hall (que atualmente interpreta o excelente Dexter Morgan na série ‘Dexter’). Contudo, com um elenco espetacular (que cresce assombrosamente a cada episódio), bem conduzido, e com abordagem de vários temas, a série trouxe novos ares para os espectadores. Difícil ficar inerte à saga da família Fisher. A rotina de uma funerária, pertencente à família central Fisher, e de todas as pessoas que são envolvidas nela se encaixam perfeitamente numa mistura de drama, humor negro, romances e reflexos visíveis de uma sociedade moderna. Uma particularidade é que cada episódio começava com alguma morte (com exceção de apenas 2). Neste ponto, difícil não termos compaixão ou ficarmos fragilizados com a pessoa cuja família só valoriza depois de falecida ou mesmo da pessoa que morre e sequer tem amigos ou parentes em seu enterro – fatos esses que observamos muito nos tempos atuais. E é sempre contundente tratar da morte, sobretudo num mundo ocidental capitalista.

Solidão, a efemeridade da vida, sentimentos à flor da pele, valor do homem como ser (e não como ‘coisa’), família, amizade, e até questões sobre a funcionalidade da arte para a humanidade (e na sociedade) foram alguns dos aspectos que transbordaram nos 63 episódios. Vale lembrar que os primeiros episódios chegaram a ter 1 hora de duração, praticamente. Mas nunca foram monótonos e sempre atiçavam a sua curiosidade para assistir o próximo. Outro ponto forte da série é trazer assuntos polêmicos até hoje (infelizmente, verdade seja dita), embora fossem tratados com uma delicadeza ímpar. Homossexualismo, adultério, uso de drogas mostrados de uma forma até rara em se tratando de tv’s fizeram parte da narrativa de SFA. Nossas vidas são assim, permeadas por temas dessa forma, portanto, não sei por que algumas produções da tv brasileira tentam fugir disso.

Outro trunfo da série foi apresentar uma narrativa permeada pelo real/mundano e o onírico/sobrenatural, era comum ver os personagens se confrontando com seus medos, angústias e verdades com pessoas que já haviam morrido, ou através de sonhos. Um exemplo é Nathaniel (Richard Jenkins), o falecido pai de Nate/Claire/David que aparecia constantemente numa espécie de visão/alucinação dos filhos, quer fosse aconselhando, quer fosse exercendo seu lado mais humorado. Entendam como uma forma de consciência/alter-ego dos próprios filhos.

Se uma produção televisiva desse naipe termina e mesmo assim te deixa aflito pela simples consciência de que você não vai mais se deparar com personagens e narrativa tão substanciais, é porque realmente atingiu seu objetivo. É porque me deixa a vontade de recomendar a todos que apreciam uma obra/narrativa que nos faça ficar perplexos.

P.S.
Para esse post, agradeço a colaboração do também colega blogueiro Ernane Batista.

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