REEDITANDO: CINEMA – Milk (Milk, A Voz Da Igualdade, 2008)

Filmes como ‘Milk’ chegam na maior expectativa. Além de candidato a possíveis premiações, o longa tinha 3 trunfos. O primeiro seria capturar a história de Harvey Bernard Milk, político americano assumidamente homossexual, o que por si só, já o torna um personagem emblemático dentro da conservadora sociedade dos EUA. Os outros dois são facilmente identificáveis para os cinéfilos, em geral: ter a direção de Gus Van Sant (‘Paranoid Park’ e ‘Elephant’ são belas referências do diretor) e vir com toda uma ênfase em Sean Penn (uma vez que ele teria que trazer vida ao personagem real, o político Milk já citado).

Os trunfos se realizam e se completam. A história do político é bem traçada na tela. Desde o seu anonimato até a sua carreira na prefeitura do Distrito de Castro. O começo como um modesto comerciante, o início no ativismo, seus amantes e amigos, as primeiras eleições em que ele sai perdendo, até a sua consagração nas urnas. Longe de ser um filme totalmente biográfico, ‘Milk’ trata do ativismo e engajamento político das pessoas, a esfera política e suas desavenças, preconceitos e mudanças sociais de final de década.

O filme comporta bem o estilo de vida dos anos 70. O figurino te transporta fielmente para uma San Francisco da época. As vestimentas em si, os tons pastéis das roupas, até o jeans desbotado dos personagens trazem vida ao que vemos. E ainda vale ressaltar que Gus Van Sant fez uma pesquisa minuciosa sobre os fatos da época. Ele consegue trazer imagens e notícias reais misturadas e equilibradas ao fictício. Houve um cuidado primoroso em caracterizar os personagens do filme com os da vida real, de carne e osso (aqueles que fizeram parte da história de Milk). E isso vale pelas semelhanças dos vários traços físicos (a exemplo dos cortes de cabelo).

A trilha sonora é discreta. O diretor optou em dar mais destaque aos diálogos inteligentes e deixar a música quase num segundo plano. Contudo, ela está lá, quer seja no instrumental bem delineado pelo já experiente Danny Elfman (ex-Oingo Boingo) ou mesmo em hits da era Disco como ‘You Make Me Feel (Mighty Real)’ do Sylvester. E não poderia esquecer do camaleão David Bowie com a maravilhosa ‘Queen Bitch’ de 1971.

‘Milk’ vem consolidar Gus Van Sant como um dos melhores diretores da atualidade. Mostra um Sean Penn maduro e seguro para atuar, e de quebra revela outros bons atores (a propósito de um Emile Hirsch). Muito mais que isso, consegue englobar entretenimento com documento sociológico e político, sem nada soar enfadonho.

Nota: 8,0

P.S. – Essa resenha original se encontra aqui. Não alterei muita coisa. Porém, sempre tive a necessidade de falar sobre esse filme em outra época. Vale lembrar que estamos num ano político.

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