REEDITANDO: Breeders – Mountain Battles (2008)

Publicado originalmente AQUI.

Formado em 1988, o bissexto Breeders completa vinte anos de carreira e “Mountain Battles” é apenas seu quarto álbum, o que dá uma média de um álbum a cada cinco anos. Isso demonstra duas coisas: 1 – que a banda tem carta branca da gravadora para fazer o que quiser e quando quiser; 2 – seu caráter de projeto, apesar de em vários momentos Kim Deal se dedicar por completo a banda.

O Breeders nunca teve uma formação fixa, passando por diversas mudanças de integrantes. A baixista Josephine Wigs (Perfect Disaster) e a guitarrista Tanya Donelly (Belly) estão entre os músicos que passaram pela banda. Atualmente o núcleo central são as irmãs Deal (Kim e Kelley). O ápice discográfico do grupo foi o elogiadíssimo “Last Splash” (1993), que entra fácil na lista de melhores dos anos 90. O álbum trazia o mega hit “Cannonball”, com sua linha de baixo desconcertante, e ajudou a catapultar o nome da banda, que até ali só tinha lançado discretamente o experimental “Pod” (1990) e o EP “Safari”.

O “sucesso”, que em alguns casos tem reflexo positivo, para as Breeders teve um efeito reverso, com Kelley se afundando em drogas e a banda entrando no limbo discográfico por cerca de nove anos, retornando em 2003 com o irregular e menosprezado “Title TK”.

Para um álbum que levou cinco anos em processo de gestação, chega a ser gritante o desleixo nos arranjos de “Mountain Battles”, às vezes sugerindo até falta de criatividade ou vontade de soar propositadamente tosco, vide canções como “Bang On”, “Night of Joy” e “It’s the Love”, ou na pretensão em cantar em línguas que não possuem domínio, “German Studies” (alemão) e “Regalame esta Noche” (espanhol).

Se sentir indiferente ao ouvir um álbum é uma das coisas mais chatas que existe. Como conjunto, “Mountain Battles” soa como um amontoado de faixas (idéias) dispersas e mal resolvidas, começando e terminando sem fixar nenhuma canção. Salva-se a voz sempre cativante de Kim e de Kelley (muito parecidas) e alguns lampejos criativos como na mal aproveitada faixa de abertura, “Overglazed” ou “Walk it Off”, que não são lá das melhores canções produzidas pela banda, mas que acabam se destacando, a segunda pelas linhas insinuantes de baixo e guitarras mais punch.

A gêmeas parecem estar num momento relax e isso se reflete nas composições, pendentes pro lado mais tranquilo da surf music ou com influências sutis de música havaiana, ou flertando com sonoridades orientais em “Istanbul”. O problema não reside aí, mas nos arranjos mornos e pouco inspirados das meninas. Olhando para trás, para composições mais inspiradas de Kim, parece que estamos diante de uma coleção de b-sides não lançados.

Se é verdade que a gente só não perdoa quem nos decepciona, o Breeders então está perdoado, porque desde “Title TK” que já não esperava mais nada da banda (nem mesmo que voltassem a lançar álbum), “Battle Mountains” só vem comprovar o quão estava certo.

Salvam-se: “Overglazed” e “Walk it Off”

NOTA: 4,8

3 pensamentos sobre “REEDITANDO: Breeders – Mountain Battles (2008)

  1. Neto, continue sendo feliz então com os projetos das irmãs Deal, porque o “Mountain Battles” é bem fraco. Mas eu sempre aconselho as pessoas a conferirem para tirarem suas conclusões, até porque eu geralmente faço isso, principalmente se tratando de uma banda que gosto.

    Anônimo (que até acho que sei quem é), também cheguei a vê-lo em algumas listas de melhores de 2008, mas, sinceramente, nos dias atuais anda meio difícil confiar em certas crítica(o)s ou sites/blogs. Em relação à frase sobre “Não perdoar quem nos decepciona”, ela é do Jardel Sebba.

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  2. Esse trabalho é mesmo horrível. Lembro-me de tê-lo visto em alguma lista dos melhores discos de 2008, o que me causou espanto. E você está certo, Luciano, a decepção parece ser consequência de alguma expectativa não atendida.

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  3. Luciano meu velho, não escutei o Mountain Battles, parei no “Title TK” mesmo. Mas as irmãs Deal ja me fizeram muito feliz anos atrás com as bandas: The Amps (pacer 1995) da kim e The Kelley Deal 6000 (Go To The Sugar Altar
    1996) da Kelley.

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