GRINDERMAN – Grinderman (2007)

NOTA: 8,0

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Grinderman, a banda.

Nick Cave começou sua aventura no meio musical no fim década de 70 com seus conterrâneos do Birthday Party, tornando-se inesquecíveis suas performances possessas sob os pavimentos sonoros ensandecidos de sua banda. Com o fim dos Birthday Party, em 1984, seguiu em carreira solo, tendo como acompanhantes os Bad Seeds junto com Mick Harvey (ex-guitarrista do Birthday Party), Blixa Bargeld (Einsturzende Neubaten) e Barry Adamson (ex-Magazine). Com os Bad Seeds, Nick sedimentou sua carreira e se firmou como artista, lançando treze álbuns, em que se destacam ‘Your Funeral My Trial’ (1986), ‘Tender Prey’ (1988), ‘Let Love In’ (1994) e ‘Murder Ballads’ (1996).

Como uma família, o Bad Seeds foi crescendo, incorporando mais integrantes. Entre saídas e entradas, a banda chegou a ter sete componentes, enquanto a música de Nick ia se tornando cada vez mais sofisticada, deixando pra trás a crueza de seus primeiros trabalhos. Em 2003, Blixa, um dos fundadores dos Bad Seeds, deixa a banda. Mick Harvey, outro fundador, também segue o caminho para se dedicar a sua carreira solo. Com perdas de tamanho vulto, Nick passa a tocar com apenas três partes do Bad Seeds: Warren Ellis, Martyn P. Casey e Jim Sclavunos. Nasce o Grinderman, nome tirado de uma canção de John Lee Hooker.

Com o Grinderman Nick se diz mais livre, comenta que as músicas saem com mais facilidade. Se antes o cantor tinha Mick Harvey como parceiro nas composições, agora tem Warren Ellis. De quebra, ele se aventura pela primeira vez nas seis cordas, com o incentivo de seus companheiros. Visualmente, outra mudança, o Grinderman incorpora um visual no melhor estilo texano: bigodões e chapéu de cowboy.

Grinderman, o álbum.

‘Grinderman’ veio à tona depois de duas sessões em estúdio. Na primeira, a banda preparou as versões demo em cinco dias no London’s Metropolis Studios. Na segunda e definitiva, Nick já com as letras prontas e a banda com as idéias musicais definidas, os quatro entraram em estúdio com o produtor Nick Launay, que já havia trabalhado nos dois álbuns anteriores de Nick Cave and the Bad Seeds, saindo de lá com um álbum onde crueza é a palavra mais adequada para descrevê-lo. Os momentos de agressividade, a mudança no modo de cantar, as letras mais diretas de Nick, mostra uma dinâmica diferente daquela trabalhada com os Bad Seeds. É um novo caminho, motivado pelo próprio conceito em que se encerrou a banda.

Com apenas quatro membros, Nick faz com o Grinderman uma viagem de volta ao seu começo, evoca momentos viscerais à época do Birthday Party ou mesmo de seus primeiros trabalhos. ‘Get it on’ tem guitarras lo-fi ásperas, batidas abafadas e Nick cantando de forma raivosa. A escrota ‘No Pussy Blues’ prossegue com a crueza da abertura, guitarras ensandecidas, descontroladas, batidas tribais e Nick tentando de tudo para convercer uma garota a aceitar seus intentos libidinosos, chegando a recorrer a Marcel Marceau e Yeats.

Depois de duas cheias de violência e brutalidade, era de se esperar uma pausa. Chegamos à densa ‘Eletric Alice’ e seus efeitos assustadores, que remete inevitavelmente a ‘Your Funeral My Trial’. ‘Grinderman’, a canção, segue mais densa e tensa que sua antecessora com Nick afirmando que é um ‘Grinderman’: ‘Yes I’m the grinderman, yes I am, any way I can”.

Com o decorrer das faixas, percebe-se que o álbum não se constitui apenas de crueza e guitarras raivosas; há nuances como na ótima balada ‘Man on the Moon’, que retoma os momentos mais calmos do cantor com sua antiga banda, assim como em ‘Chain of Flowers’, ou com o clima de cabaré de ‘Go Tell the Women’. Mas com a stoogeana ‘Love Bomb’, o Grinderman volta à carga com a avalanche sonora de uma guitarra carregada de wah-wah e distorção, um baixão suingado e uma bateria nervosa. Aí os velhinhos nos fazem lembrar aquelas bandas de jovens de vinte e poucos anos cheios de testosterona e raiva, só que com uma densidade musical que só se adquire com anos de estrada e esse é o diferencial da música do Grinderman.

Se este é o futuro de Nick Cave, se o cantor não mais voltará a tocar com os Bad Seeds, só o futuro dirá. Até aqui, independente de nomes, de componentes, de caminhos musicais, a carreira de Nick continua incólume, adquirindo uma vitalidade que só fez bem e que pode vir a gerar novos rebentos até mais luminosos que este primogênito do Grinderman.

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