CINEMA: Winter’s Bone (Inverno da Alma, 2010)

Fique tranquilo, isso não é um spoiler logo de cara. Porém, chegando ao final de ‘Winter’s Bone’, o espectador se sente melancólico, reflexivo e disposto a analisar sua própria vida e toda a sua história. Pois estamos falando de um cenário rural desolado e gelado nos EUA, onde os personagens não tem muita esperanças de melhoras de vida, possuem poucas alternativas e perspectivas, e alguns se vêem obrigados a entrar na fabricação de drogas. O filme é um belo traçado da existência humana e suas mazelas.

Em meio a um território um tanto quanto hostil, vive Ree Dolly, uma jovem de 17 anos, porém muito inteligente e adulta demais para sua família. Precisa cuidar de seus irmãos e de sua mãe que passa por problemas mentais. Pra piorar, o pai de Ree (a promissora atriz Jennifer Lawrence), que estava sobre fiança, não é encontrado e as autoridades da região precisam saber de sua localização para que a família não perca a casa (uma espécie de acordo entre o pai de Ree e a justiça local).

É exatamente em Ree que o filme ganha proporções e dilata os fatos já apresentados na primeira parte dessa resenha. Um filme parado, sem ação, apenas uma sequência de briga, suspense bem dosado, e cria-se uma narrativa imersiva. É na busca de Ree por seu pai, ou em saber das verdades e acontecimentos ligados a ele que o espectador se esfarela, se comove, se enraivece porque as respostas não vem à tona e passa a ter carisma e a sofrer pela personagem. Nessa busca constante, claro, todas as hipocrisias e verdades acerca dos habitantes são colocadas à prova. Ree é uma personagem marcante com toda sua forte psicologia e na sua obstinação em saber dos acontecimentos ligados ao seu pai.

CUIDADO: Alguns podem considerar um spoiler nesta parte. Passe para a última.

A certeza dos fatos e o resultado da busca chegam nos minutos finais arrebatadores. Você já angustiado, em momentos tensos pois você sabe que as mentiras, os segredos e o silêncio dos habitantes eram uma constante na narrativa. E junto com a personagem, um certo desespero, pois apesar da verdade, nós sempre temos esperanças que aquilo não chegasse a um desfecho para o qual estamos preparados (ou julgamos estar depois de tanto sofrimento).

Última Parte

Só depois de muito tempo fui saber que o filme pode concorrer ao Oscar 2011. Por enquanto, ganhou o Festival de Sundance. Não é prêmio, não é nota, muito menos bajulação. Dezenas de fatores seriam postos aqui. De tudo um pouco. Temos a direção segura de Debra Granik. Um filme de baixo orçamento que conquista (numa época em que o 3D e as produções milionárias são mais chamativas) com um elenco praticamente desconhecido mas que consegue surpreender. Muito mais. É sangue, carne e osso, eu, você, verdades, mentiras, laços familiares, dedicação, hipocrisia, cada sentimento que essa vida criou e que convivemos diretamente no cotidiano. A arte imita tão bem a realidade nesta horas.

Nota: 8,0

Para saber mais.

Curiosidades:
Jennifer Lawrence pode fazer o papel da Mística no novo filme dos X-Men.
O filme foi baseado no livro de Daniel Woodrell.

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