GUIA DAS SÉRIES: Dexter

Atenção: Sempre advirto para esse meu guia que eu posso entregar algum SPOILER. Então, caso não se importem, sigam adiante.

Emissora dos EUA: Showtime
Anos de exibição: de 2006 a 2010 (em seguimento).
Temporadas: 5 (a quinta já vai para o décimo episódio). Até agora, no total, foram 57 episódios contabilizados.
Baseada no: romance ‘Darkly Dreaming Dexter’ de Jeff Lindsay. O livro foi adaptado para a televisão pelo roteirista James Manos Jr., que escreveu o episódio piloto.
Temáticas: dupla personalidade, dicotomia bem/mal, casos policiais, família, sociedade, crimes impunes, existencialismo

Quando fui descobrir ‘Dexter, indicação de um amigo meu, a série já estava em sua terceira temporada. Fato esse que não me fez desistir e deixar que acompanhasse desde o piloto a saga de Dexter Morgan (Michael C. Hall). ‘Dexter’ poderia ser algo – até a mais – do que é ‘Breaking Bad’: um bom pai de família, um profissional competente, que mesmo assim, escolhe o lado do crime de uma forma silenciosa/oculta para atingir seu objetivo. Se em Breaking Bad, Walter se vê obrigado a entrar na fabricação de drogas para garantir um futuro melhor à sua família; Dexter, por sua vez, é uma espécie de serial killer que, na verdade, mata criminosos que ficaram impunes pelo debilitado sistema judiciário, isso para satisfazer um trauma sofrido quando criança.

Dexter Morgan é o herói da modernidade, de um mundo corrupto, sujo e entregue à uma sociedade que tem dificuldades em condenar os malfeitores. Mesmo sendo assassino, Dexter é aquele cara que pretende consertar o mundo à sua volta: o pai que bate nos filhos, o pedófilo, o ricaço que pensa que pode comprar tudo e todos. Com um modus operandi de dar inveja, onde nenhum rastro é encontrado, tudo é milimetricamente planejado, o personagem elimina suas vítimas. Claro que Dexter Morgan sempre é advertido pelos conselhos do pai falecido (uma espécie de alter-ego, o que nos faz lembrar de ‘Six Feet Under’), por vezes negativos e em outras, positivos. E mesmo que Dexter esteja na hora e no lugar errado, ele consegue dar o jeito para não ser pego e deixar tudo sem pistas. Outro trunfo da série que consegue sempre, de forma inteligente, safar o herói de alguma evidência.

Poderia ir mais além e citar Dexter como a representação máxima de nossas vontades. O que seria um assassino ou criminoso linchado me plena rua nos dias de hoje, que geralmente vemos nos jornais? O homem cansado das injustiças, tentando fazer justiça com as próprias mãos, tentando fazer uma ‘faxina’ do mundo que o cerca. Dexter, claro, de forma arquitetada e silenciosa cumpre a vontade do povo e faz esse ‘serviço’, mesmo que seja para saciar seu ego. Apesar de ser um criminoso perante os códigos e leis que regem a sociedade, o ato precisa ser cumprido até o final (alguns episódios foram sensacionais porque simplesmente o personagem passou por dificuldades para terminar algumas mortes). Nada é tão fácil assim, mesmo para um sujeito tão meticuloso como Dexter Morgan.

E lógico, uma série é composta por trama elaborada, elenco eficaz em sua totalidade e diálogos convincentes. Isso. ‘Dexter’ tira de letra. Os companheiros de Dexter na rotina do departamento de polícia de Miami também tem suas desavenças, tem vida própria, cada um com sua característica. É impossível ficar alheio às piadinhas do investigador forense Masuka. E não tem como sentir compaixão pelo relacionamento entre a tenente LaGuerta e o detetive Angel Batista. E tudo isso nos faz pensar que a produção não recai apenas ao personagem Dexter, como também aos diversos núcleos da narrativa que entretém o espectador. Outro exemplo é Debra Morgan, a irmã de Dexter, uma policial dedicada que almeja subir no departamento. De temperamento forte e decisivo, é ela que traz alguns momentos tensos da narrativa.

Os vilões? Aqueles que Dexter caça insistentemente durante as temporadas dão seu charme à trama. Exemplo do ator veterano John Lithgow que deu vida ao marcante Trinity Killer na quarta temporada. Dexter estuda os passos de suas vítimas, mantém até um laço de amizade com elas, para depois, por prática a seus atos. Muitas vezes, não são os vilões que causam tensão, mas aqueles que estão perto de descobrir as verdades de Dexter, como na segunda temporada, a respeito do próprio detetive Doakes.

Dexter é complexo. Não que isso traga dificuldade para o espectador em absorver a série. Muito pelo contrário. Porém, a cada temporada, o fôlego é renovado. Novos personagens, novas ações, outros vilões dão novas perspectivas e mudanças. Seria difícil agora traçar peculiaridades de cada temporada. Quem viu ou vê, sabe do que falo. Uma série que nos faz pensar sobre tudo, de como anda nosso mundo, de como são as pessoas em nossa volta, de traumas infantis ou mesmo de feridas que não se curam facilmente com o tempo. E isso é bom.

Próxima série: The Walking Dead (só em janeiro/2011).

3 pensamentos sobre “GUIA DAS SÉRIES: Dexter

  1. Putz! Umas das minhas séries prediletas, pena que na quarta temp(logo na quarta temp, com aquele final ……) fui invertar de ler alguns spoilers. Danou-se! A quinta temp. está excelente, espero que não termine como estão dizendo por ai.

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  2. Sou “calouro” em relação à série, pois só assisti os dois primeiros capítulos (1ª temporada)! Esse pouquinho já é suficiente para notar o quanto a mesma é boa, interessante e promente um excelente entretenimento!

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  3. Texto oportuno para uma ótima série, Eduardo, apesar de conter muitos ‘spoilers’, não sendo recomendada a leitura para quem ainda não assistiu. Até o momento assisti a primeira e segunda temporada, ambas com final eletrizante e surpreendente. Dentre as coisas interessantes da série, além das citadas em seu texto, são os pensamentos de Dexter, de uma ironia e humor negro finíssimo, mesmo quando ele está por um fio. É o tipo de série que não tem como o espectador não se posicionar, não tem como ficar neutro, a todo momento há uma espécie de “chamamento” para sermos cúmplices de Dexter. Outra coisa que não é muito comum em muitas séries são as cenas picantes entre os personagens.

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