ESSE EU TINHA EM VINIL: Hyaena (Siouxsie and the Banshees, 1984)

+ Encontre o álbum AQUI.

Os mais jovens dirão que sou antigo, como diz a esposa de um amigo meu, na casa dos vinte e poucos anos, quando nos ouve comentar sobre fitas K7, Atari e vinis. Pois é, venho da saudosa época dos bolachões e suas enormes capas tão charmosas, algumas verdadeiras obras primas, algumas capazes de fazer comprar um disco sem nem conhecer o seu conteúdo.

Nessa época, era comum fazer trocas de vinis. Cheguei a fazer várias, algumas são verdadeiros episódios que rendem um post engraçado, como a desse que aparece aqui hoje, o Hyaena de Siouxsie and the Banshees, um disco que quase chegou a abalar uma amizade (vejam só o poder que o danado do disco tem/tinha!).

Pois bem, de repente surgiu numa loja da cidade uns quatro discos discos de Siouxsie and the Banshees, coisa rara e muito apreciada pelo pessoal do círculo Cabaret Voltaire (para saber mais, ver seções anteriores). Um amigo rapidamente comprou o Hyena, eu comprei o Tinderbox, quanto aos outros não me recordo o destino.

Para quem não sabe, o Hyeana é o único disco da banda que tem o Robert Smith (The Cure) na guitarra, sendo portanto um registro ímpar na história da banda, embora tenha sido motivo de discórdia entre o grupo e o vocalista do The Cure. E, por incrível que pareça, entre eu e um amigo. Não me lembro quem sugeriu a troca, não me lembro qual era o outro disco envolvido, mas o que aconteceu foi que ele me deu o Hyena e em troca lhe dei um outro disco que não tinha tanta afeição. Quem já trocou discos sabe que a idéia é essa.

Qual não foi o meu espanto quando passado algum tempo, talvez nem vinte e quatro horas, me aparece esse amigo (em companhia de um outro amigo) trazendo o meu vinil de volta e dizendo que queria desfazer a troca, dizendo-se arrependido. De cara disse que não destrocava, que aquilo parecia coisa de menino, que se desfazia de algo e depois se arrependia e queria de volta. Esse meu amigo, cheio de gestos já bastante conhecidos por todos que o conhecem bem, coçava a cabeça, falava olhando pro lado, balançava a cabeça ao tempo que tentava a me convencer que tinha que desfazer a troca.
Se de início eu me chateei com a postura dele, com o passar da “negociação”, comecei a achar engraçada a situação, principalmente pelo conjunto de gestos que ele fazia, inclusive falava sem nem me olhar na cara, sinal óbvio de quando estava contrariado. Como a situação me divertia, prolonguei o máximo possível, mesmo já tendo me convencido de que deveria devolver o Hyaena pra ele, pois se não ia ficar com o disco, pelo menos ia rindo por dentro e observando o comportamento desse amigo.

No fim, a troca foi desfeita e o que sempre me perguntei e pergunto é: teria achado ele que saiu perdendo na troca (algo que é totalmente subjetivo quando se fala de algo com valor sentimental) ou realmente sentiu saudades das canções do Hyaena, inclusive do cover de “Dear Prudence” dos Beatles, que ele tanto gostava, ou teria sido de sua capa psicodélica, ou teria pensado que poderia ter conseguido um disco melhor? Quando se faz uma troca e depois a pessoa quer desfazer é porque bateu o arrependimento, os motivos podem ser vários.

Aí vem a questão, se esse eu “tive” e depois não tive em vinil, porque ele está aqui? Primeiro porque essa é a estória do primeiro que “tive”, tempos depois eu viria a consegui-lo definitivamente. Com isso pude perceber prefiro o Tinderbox, claro que são propostas diferentes. O Hyaena segue por uma lado mais psicodélico, enquanto o Tinderbox marca a aproximação com o lado mais pop.

Hoje e sempre, ouvir canções como “Dazzle”, “Belladona” ou “Dear Prudence” é lembrar inevitavelmente das vezes em que escutava o disco na casa desse meu amigo e (claro) do episódio narrado acima.

______________________________________

5 pensamentos sobre “ESSE EU TINHA EM VINIL: Hyaena (Siouxsie and the Banshees, 1984)

  1. É, se ele fosse atento teria pedido pra olhar dentro das capas, que é o q os vendedores fazima nas lojas daqui. Acho q já cheguei a fazer algo parecido antes, mas não lembro com qual disco. Os vinis realmente rendem historias. :-)

    Curtir

  2. Também tenho uma história inesquecível desse disco. No início de 1988 fomos eu e um amigo a uma banca no centro de Guarulhos que vendia discos usados e encontramos muita coisa boa por um preço acessível (por ser usado). Separei o ‘Once Upon a Time’ da Siouxsie e o ‘Public Image’ do PIL. Continuei olhando e eis que aparece o “Hyena’, semi novo, plástico protetor grosso, encarte com letras… Mas a grana só dava pra levar 2 discos. Bastou o vendedor se destratir pra eu colocar o vinil do Hyaena na capa do Once Upon a Time, ou seja, leve 2 pague 1… Paguei e saí andando rapidamente com medo que ele percebesse e viesse atrás de mim. Hahahahaha! Bons tempos…

    Curtir

  3. Ok Luciano! Destaquei a palavra estória não por questão de erro ou contexto, mas pra reforçar a própria história contada. Muito boa e engraçada essa lembrança, associada à própria resenha do álbum! Que venham mais!

    P.S.: cabe também aqui aquela “estória” em relação a um álbum do The Cure… lembra?

    Curtir

  4. Ângelo, você conhece esse cara mais do que qualquer outra pessoa. Quanto ao termo “estória” ou “historia”, quando se trata de contar acontecimentos, às vezes me atrapalho, mas o certo mesmo é história, até já corrigi.

    Curtir

  5. Já não me lembrava desa “estória” engraçada e interessante Luciano. Estou aqui tentando lembrar quem foi um desses “caras” que quis desfazer a troca!
    Rsssss…

    Curtir

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s