ESSE EU TINHA EM VINIL: Spleen and Ideal (Dead Can Dance, 1985)

ANTERIORES:
+ LC (Durutti Column, 1981)
+ Hyaena (Siouxsie and the Banshees, 1984)

… e era argentino e estava empenado, conseguido através de mais uma das diversas trocas que fiz na época dos bolachões.

Quando lembro de como se iniciou minha “relação” com o DCD, penso que há bandas que corremos atrás e há aquelas que parecem correr atrás nós, como se nos perseguissem.

Conheci o trabalho do grupo através de uma fita K7 emprestada que um amigo gravou a partir do CD ou vinil, não tenho certeza. Era o primeiro e homônimo disco deles. Ali se ouvia uma música soturna e cheia de mistério, uma certa atmosfera sombria, mas diferente das chamadas bandas góticas. A beleza de algumas canções chegava a “doer”, como na inesquecível “The Love Advocated”. As vozes de Brendan Perry e Lisa Gerrard pareciam ser de um outro planeta, pareciam objetivar que nos conectássemos com os sentimentos mais sublimes. Música com alma e para a alma.

Fã de primeiro momento do duo, eis que numa viagem à capital um amigo encontrou o vinil desse ‘Spleen and Ideal’, uma versão argentina e infelizmente empenada, mas que não impedia de ouvir e viajar com as atmosferas criadas pelo DCD.

O empeno provocava uns sobressaltos na música, mas nada que impedisse de ouvir. Quem já teve um vinil empenado sabe como era.

No álbum de estréia havia elementos de pós-punk e gótico, nesse segundo trabalho o duo se concentra em elementos da música erudita. As guitarras são limadas, entrando tímpanos, trombone, celos e violino, resultando num disco coeso em sua imensa densidade.

Não, não é world music como muitos insistem em dizer, é um encontro da música erudita européia, com uma atmosfera lúgubre, soturna, idéias comuns em muitas das bandas abrigadas no selo 4AD. A idéia de mistério começa com a capa, e segue até mesmo nos títulos sugestivos das canções: ‘De Profundis’ , ‘Mesmerism’, ‘Enigma of the Absolute’, ‘Ascension’ ou ‘Avatar’, baseadas em textos de Charles Baudelaire e Thomas de Quincey.

‘Spleen and Ideal’ é um álbum impecável na sua proposta, servindo de modelo para uma série de bandas que viriam a surgir na década de 90 sob a alcunha de ‘Heavenly Voices’.

Ouvir canções como ‘Advent ‘, das melhores já produzidas pelo duo, com o canto de sereia de Lisa, ou ‘Advent’, com a voz profunda de Perry, e fazer uma dupla viagem: no tempo, precisamente para o meu antigo quarto nos fundos da casa de meus pais, quando ouvia o disco às escuras, e no subconscciente.

Sem sombra de dúvidas, foi uma das bandas que mudou meu modo de ouvir e encarar música.

PS: Hoje já não tenho mais o vinil, consegui importar o CD na época que o dólar e o real tinham o mesmo valor, por cerca de quinze reais.

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7 pensamentos sobre “ESSE EU TINHA EM VINIL: Spleen and Ideal (Dead Can Dance, 1985)

  1. Não foi à toa que escolhi como o melhor álbum de 2011 o trabalho solo de Brendan Perry – “Ark”.
    O DCD foi uma das melhores coisas que surgiu no universo musical!
    Bela matéria Luciano… Boas lembranças.

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  2. Que bom que tenha gostado do álbum, André, vale a pena ter o CD mesmo, sem falar que de vez em quando tem uns álbuns custando centavos no Amazon.

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  3. Em primeiro lugar gostaria de agradecer por não ter colocado um ponto final no blog.
    Esse do DCD eu tinha gravado numa fita de 90 minutos. Na verdade erá a cópia da cópia de um camarada. De um lado o Spleen e do outro o Withing the Realm… Surreal! “The Cardinal Sin” e “Avatar” são imortais!

    David

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