CINEMA: 127 Hours (127 Horas, 2010)



ANTERIORES:

+ Winter’s Bone (Inverno da Alma, 2010)
+ Mary and Max (Mary & Max – Uma Amizade Diferente, 2009)

“127 Horas”, o novo filme do diretor inglês Danny Boyle, tem uma das cenas mais fortes do ano, por isso não é indicado a todo tipo de público. Li em algum lugar que algumas pessoas até desmaiaram, pelo que o próprio Boyle pediu desculpas.

O filme conta a história verídica do jovem alpinista Aron Halstorn, que em 2003, durante uma escalada solitária pelo Parque Nacional dos Cânions, no Colorado, sofre um acidente que mudará sua vida.

É nesse acontecimento que Boyle foca quase todos os noventa minutos do seu filme. 127 Horas é o típico filme “o homem colocado em situação extrema”. Tem como um dos grandes trunfos a atuação corretíssima de James Franco, que cada vez mais vai expandindo sua habilidades como ator.

Não faltam ao longa belas imagens com cores de tons fortes (as imagens dos caniôns são deslumbrantes), elementos tecnológicos (que se contrastam com o “primitivismo” natural) e, claro, uma trilha sonora que enriquece muitas das cenas.

Para dar dinâmica, o recurso do flashback é uma constante. Bem como os questionamentos do protagonista, algo que acontece a qualquer um quando colocado numa situação difícil: “o que teria acontecido se…?”, “por que fiz isso e não aqulo?”, “será que toda a minha vida se encaminhou para esse momento?”.

Como dito, o roteiro opta por centrar no acidente e a partir daí o espectador vai conhecendo um pouco mais da vida do protagonista. Sabemos inclusive que este saiu para o seu passeio aventureiro sem informar a ninguém o seu destino, fato que irá lamentar profundamente. Mesmo encontrando no meio do caminho com duas aventureiras de primeira viagem com quem faz amizade, Halstorn estará sozinho na sua luta pela sobrevivência.

Não dá pra falar muito sobre o filme em si ou acaba-se entregando o mote, o que é ruim para aqueles que não assistiram.

Dá pra falar sim sobre o que parece uma recorrência nos filmes de Boyle, o de provocar o espectador, deixá-lo de alguma forma incomodado. Ele já havia feito isso em’ Cova Rasa’ (na cena em que o trio principal quebra os dentes do morto para não ser identificado), em ‘Trainspotting’ (na cena em que há um mergulho na privada e em que Spud joga merda co café da manhã da família da namorada) e em ‘Quem Quer Ser um Milionário’, quando Jamal se joga na merda pra conseguir pedir um autógrafo do seu ídolo.

Em ‘127 Horas’, Boyle leva o espectador ao seu limite, numa cena que todos aguardam desde o início (pois aparenta ser a única solução) mas muito virarão o rosto devido a crueza com que é filmada e, principalmente, interpretada de forma convincente por James Franco.

Na trajetória de Boyle, dá pra classificar como um bom filme.

Um pensamento sobre “CINEMA: 127 Hours (127 Horas, 2010)

  1. Reconheci bem esse filme como sendo o de Boyle. Acho que Boyle consegue trazer bem para o cinema os delírios, ou mesmo as angústias para o espectador. E as cenas fortes, sempre foram típicas de Boyle. Mas vale lembrar que tais cenas sempre são referências de quando nós, humanos, estamos no limite de uma sobrevivência ou no limite de uma tensão. Por exemplo, acho angustinate ver aquele neném morrendo de fome e de sede enquanto os pais se drogavam (isso em ‘Trainspotting’).

    Mas ‘127 Horas’ traz aquela velha lição que tento tirar de como fazer cinema na época atual. Pegar uma história real, pouco cenário, poucos personagens até, nada de efeitos mirabolantes, porém um filme que te faça deitar à noite pensando na vida, de quando erramos, de quando faltamos, de quando poderíamos ter sido menos mesquinhos…enfim, são produções que me dilaceram a alma.

    E claro, até o pessoal da firma viu, acabaram levando o arquivo que eu tinha no pen drive, e depois todos discutiram: ‘ e se fosse vc?’, ‘nossa, se ele tivesse feito isso…’, etc e tal. Acho que cinema precisa voltar a ser isso, gerar discussões, gerar polêmicas, e até repulsa dentro do cinema (claro que numa hora dessas, vc agradece por tudo ao seu redor e em boas mãos).

    Luciano, um bom filme. Nada de espetacular, nada de exagerado, mas um outro roteiro para sacudir o nosso modo de vida e nossa rotina. E sua resenha, um belo texto, sem entregar nenhum spoiler. Perfecto!

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