CLÁSSICOS: The Smiths – The Queen Is Dead (1986)

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O terceiro álbum de estúdio do The Smiths, uma das maiores bandas de Manchester e dos 80’s, é mais que um clássico, é uma verdadeira obra-prima! Toda força e maturidade da banda estão presentes aqui – instrumentais perfeitos e letras (temas) pertinentes. A mistura de um rock com alguns elementos pop, calcado no country western e rockabilly, exercida por bons músicos e a forte presença de um grande cantor, define uma sonoridade ímpar… Primordial!

O álbum tem na sua abertura a força, a acidez e todo poder verborrágico de Morrissey com a faixa homônima do título do álbum, “The Queen Is Dead” – um tapa na cara da realeza (monarquia) inglesa; Morrissey canta: “Vossa Excelentíssima Baixeza, com a cabeça num laço… A Rainha está morta, garotos… Vocês podem confiar em mim, garotos…”.  Ainda na mesma faixa temos guitarra (Johnny Marr), baixo (Andy Rourke) e bateria (Mike Joyce) pulsantes, ditando um ritmo alucinante. Seguindo, ouve-se “Frankly, Mr. Shankly”, de andamento mais lento e algumas vezes soando como música circense, onde o vocalista destila toda sua ironia e deboche em relação à fama. “I Know It’s Over” é uma belíssima balada aonde a angústia, o desespero e a melancolia conduz o ouvinte mais sensível às lágrimas; a letra diz: “Oh mãe, posso sentir o chão caindo sobre minha cabeça… Sei que acabou”.  A seguir temos “Never Had No One Ever”, também de andamento mais lento e com a guitarra marcante de Marr, que  fala da dureza de viver eternamente na solidão – o desespero se faz presente novamente! Os portões do cemitério de três figuras literárias são abertos em “Cemetry Gates”, enquanto a guitarra de Marr e o baixo de Rourke duelam – uma homenagem de Morrissey a Oscar Wilde (grande escritor, dramaturgo e poeta irlandês). Assim como “The Queen Is Dead”, temos novamente um rock de pegada forte com “Bigmouth Strikes Again”; e o desbocado do vocalista reivindicando seu lugar entre a raça humana. Um coralzinho de crianças dá um charme a mais à música.

“The Boy With The Thorn In His Side”, sétima faixa do album, simplesmente é o grande e eterno hino-hit da banda – pura beleza na guitarra de Marr! E o barco segue com “Vicar In A Tutu”, um gostoso rockabilly-country onde Morrissey ironiza o comportamento de um sacerdote e sua igreja. Aproximando-se da finalização do álbum, temos uma das mais bela música que tive (e sei que muitos tiveram) o prazer de ouvir em minha vida – “There Is A Light That Never Goes Out”! Notável canção que exprime todo sentimento de se sentir vivo (com redundância e tudo mais). As cordas utilizadas na música transportam o ouvinte para dentro do carro que conduz os passageiros (personagens) da letra, transformando tudo numa fascinante viagem musical. Temos o encerramento com a leveza descontraída de “Some Girls Are Bigger Than Others”, a qual Morrissey faz comparações no universo feminino.

Existem artistas ou bandas que são excelentes e fenomenais e existem aqueles que extrapolam esses “limites”, possuindo uma aura que além de proporcionar um grande prazer ao ouvinte (fãs, seguidores, admiradores, etc.), transformam suas vidas; ou pelo menos, mexem com seus pensamentos e sentimentos para sempre. O The Smiths é um deles! A parceria perfeita entre o vocalista Morrissey e o guitarrista Johnny Marr pode ser comparada, sem exageros, com a de John Lennon e Paul McCartney, entre outras tão especiais. O magnetismo desempenhado pelas letras marcantes de Morrissey e as melodias da magnífica guitarra dedilhada de Marr, encantou e seduziu toda uma geração que teve o prazer de acompanhar a trajetória do The Smiths.

O culto criado em torno da banda não é um mero “capricho” daqueles que se identificam com ela ou uma lenda criada pela mídia, é um fato (merecido)! Fazendo uma analogia, algo parecido ocorreu com a Legião Urbana aqui no Brasil, onde o carisma exercido por Renato Russo e suas letras correspondem à personalidade e comportamento de Morrissey. E o segredo maior estava (está) no poder da palavra (letras), a qual exerceu um encanto sobre jovens sedentos de respostas pra suas dúvidas existenciais… Jovens esses, que talvez nem existam mais, ideologicamente falando. Mas existe ainda uma pequena esperança, porque há uma luz que nunca se apagará!

9 pensamentos sobre “CLÁSSICOS: The Smiths – The Queen Is Dead (1986)

  1. O melhor album dos Smiths. cheio de texturas guitarrirsticas, letras ácidas e melancólicas! Puro lirismo!

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  2. Valeu Fernando! Concordo contigo, com certeza. Morrissey talvez tenha sido a maior influência de Ranato Russo. Em termos sonoros, a Legião Urbana foi influenciada por Smiths, Cure, Ramones; entre outros.
    Infelizmente esta geração vive no vazio da superficialidade das coisas, onde tudo parece um mero produto, com prazo de validade – um mundo frio, pobre de idéias e sem sentimento.

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  3. Simplesmente fantástica a resenha !!! Você conseguiu exprimir com palavras, todas as sensações que vivenciamos ao ouvir este clássico !!! Aliás, a comparação com Renato Russo é essencial. Na minha opinião, acho que ele tentou se inspirar no Morrissey ao compor “Meninos e Meninas” – as “brincadeiras” que ele faz com a lingua portuguesa, me parecem muito… “próximas”, digamos, às feitas por Morrissey em “Cemetery Gates” (qual sua opinião ???). Outro ponto que destaco, é sobre a juventude: realmente não existem mais jovens como antigamente… Belíssimo texto sobre um belíssimo álbum !!! Parabéns !!!

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  4. Valeu Neto e Theo. É uma grande satisfação saber que uma resenha sua tem algo de significativo a dizer, algum sentimento a transmitir. Grato!

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  5. Angelo, se esse é o seu texto mais longo não saberia dizer, mas com certeza a paixão com que foi escrito me deixou até emocionado. Depois de inúmeras resenhas já escritas e agora essa sua, não tenho mais nada a acrescentar sobre a beleza/importância desse disco.

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  6. Pois é Luciano, The Smiths, Joy Division, Depeche Mode, entre outras bandas especiais, traz lembranças de Mário realmente. E não poderia ser diferente sobre a forma apaixonada pra falar deste clássico. Tantas coisas realmente pra comentar que talvez este seja meu maior texto escrito!
    Valeu e agradecido por ter gostado.

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  7. Sem sombra de dúvidas, um clássico. E esse eu não tinha em vinil (todos menos esse!), mas consegui em CD e cá está em minha coleção. Falar sobre ‘The Queen is Dead’ é tarefa árdua, complicada, confesso não sei se conseguiria fazer um texto que me deixasse satisfeito, porque é um álbum que além de ter marcado um período de minha vida, meu irmão ouvia constantemente e cantarolava todas as canções. Impossível ouvir o álbum e não vê-lo logo ali dançando e assoviando enquanto Morrisey declama o refrão de ‘Some Girls are Bigger than Others’. Tava com saudade da seção, até ia lhe perguntar a respeito, fiquei feliz de entrar aqui e ver o ‘The Queen is Dead’ comentado, e de forma tão apaixonada.

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