RADIOHEAD – ‘The King Of Limbs’ (2011)

Mais uma vez, eis que o Radiohead pega todo mundo de surpresa. Era de se esperar vindo de uma banda como essa. Em contradição, e na minha opinião, essa não foi a maior surpresa. O que mais me intrigou foi ver nas redes sociais que frequento os poucos comentários sobre o álbum. E mesmo meus amigos mais fervorosos à banda, resolveram não tecer muitas palavras sobre o disco. Um certo silêncio depois do lançamento (isso se tomarmos como base a efusão que foi o ‘In Rainbows’).

Estamos numa época em que sempre aguardamos algo melhor de um diretor de cinema, ou de uma banda, ou até de nós mesmos. Exigências demais, talvez. Como consumidores de um produto – obra artística musical, neste caso – esperamos sempre uma melhor qualidade do que adquirimos. Ok, mas na verdade, se atentarmos que no Brasil a maioria adquiriu ‘The King Of Limbs’ via download, por quê então exigir demais? Porque essa banda é o Radiohead. E Thom Yorke e companhia passaram a ser um dos porta-vozes dessa geração pelo que já traçaram, isso praticamente desde o fenomenal ‘Ok Computer’ (1997) – claro, ‘The Bends’ (1995) tem lá seu charme, nunca se esqueçam.

Como estamos falando de um público em sua maioria internauta, é notório dizer que existem os adoradores da banda, os pseudo-fãs e os ouvintes mais neutros. Também existem os depreciadores de carteirinha que vivem esperando um momento ‘menos incensado’ do grupo para poder acrescentar lenha à fogueira. Quando Thom Yorke aparece fazendo sua dança em ‘Lotus Flower’ (música excelente e grudenta por sinal) no Youtube, foi mais fácil fazer piadinhas e compará-lo até a ‘nova mulata Globeleza’ do que achar qualidades na canção. Lembrem-se, na era atual, capas e vídeos já não deveriam chamar tanto a atenção (pelo menos penso dessa forma), e sim, o importante é o conteúdo que a obra carrega.

Tirando meu lado (um tanto quanto) ranzinza dos parágrafos anteriores, posso dizer que ‘The King Of Limbs’ é um disco atípico da banda. 8 canções apenas. Poucas referências a discos anteriores, mesmo se tomarmos como base que ‘Codex’ até lembra a sonoridade melancólica e intimista de ‘Videotape’ (última faixa do disco anterior, ‘In Rainbows’ de 2007). A tranquila e climática ‘Give Up The Ghost’ nos faz lembrar de algo saído do ‘Kid A’ (2000). Contudo, também não seria absurdo dizer por parte desse resenhista que o TKOL traz uma certa carga sonora apoiada no que foi o disco solo de Thom Yorke, ‘The Eraser’ (2006), isso por conta da maior concentração de loops, recursos eletrônicos e atmosferas mais etéreas. Para complementar, ouça a levada contagiante de ‘Morning Mr. Magpie’ e lembrem-se da influência/herança que a magnífica ‘Idioteque’ (‘Kid A’) deixou na banda.

Não gosto de fazer assim, em contrapartida, foi difícil não citar outros álbuns da banda de Oxford ao resenhar esse oitavo disco, mesmo que as semelhanças sejam mínimas. Isso porque o Radiohead é a banda que tem uma história e tanto. E cada álbum deles, é uma partícula que complementa essa história. Grupo cheio de surpresas, quebrando um pouco com os modismos e a ditadura do mercado fonográfico do século passado. Embora não seja mais tão vanguardista assim, ainda que não seja mais tão inovador e mesmo que cause no ouvinte a sensação e a expectativa de que outro disco virá em 2011 (quase numa espécie de outra ‘surpresa’ adiante), o Radiohead merece estar no rol das bandas que trouxeram mais vida/emoção ao cenário musical, até mesmo quando seu vocalista pensa em fazer uma dancinha.

Nota: 7,5

2 pensamentos sobre “RADIOHEAD – ‘The King Of Limbs’ (2011)

  1. Desde “Amnesiac” muitos fãs esperam que o Radiohead “saia dessa” que eles embarcaram desde o Kid A e volte a fazer um disco com ênfase em guitarras tipo Ok Computer ou The Bends, o que acaba decepcionando grande parte dos fãs do Radiohead que gostam mais da fase inicial da banda. Uma pergunta que fica pairando é: até que ponto a música do Radiohead é fruto das idéias de Yorke e qual o papel da banda nas composições. The King of the Limbs está, na verdade, mais próximo do ‘The Eraser’ (álbum solo do Yorke, como você mesmo citou), do que dos trabalhos da banda, embora as coisas acabem se (con)fundindo. Pra mim, o ‘In Rainbows’ é um dos melhores discos deles, esse novo ficou bem aquém, inclusive se considerarmos que a banda levou 4 anos pra lançá-lo.

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  2. Bela matéria Eduardo! Sensata e com sobriedade.
    Minha particular impressão do álbum é que é um trabalho de um experimentalismo mais contido, mais “soft”, e um tanto quanto mais “descompromissado”.

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