R.E.M. – Collapse Into Now (2011)

R.E.M._-_Collapse_into_Now

Numa carreira de 30 anos com discos sempre acima da média (poucos do grupo fugiram à regra, como o regular ‘Around The Sun’ de 2004), servindo de referência básica para qualquer banda, o R.E.M. lança seu décimo quarto disco de estúdio. ‘Collapse Into Now’ chega praticamente com a mesma ideia de ‘Accelerate’ (2008), que se baseava um pouco na sonoridade ali dos tempos em que o grupo ainda era de gravadora independente como, por exemplo, a IRS (entre 1982 e 1987). O disco de 2011, se não fica no mesmo patamar que o anterior, ainda mostra uma banda em sintonia aliada com a experiência musical sem perder a energia da jovialidade, com belas letras levadas a plenos pulmões por Michael Stipe e capaz de deixar melodias marcantes.

O velho jeito R.E.M. de ser está lá, inconfundível. Aquela guitarra, a voz de Stipe, baixo acentuado, enfim, marcas indeléveis da banda. Uma abertura que sempre convida o ouvinte a seguir adiante, é o que percebemos em ‘Discoverer’. A música alternativa tendo a herança bem apropriada do pós-punk (ou mesmo do punk) torna-se latente em momentos como ‘All The Best’, ‘Mine Smell Like Honey’ e ‘Alligator Aviator Autopilot Antimatter’. Uma receita que deu certo: músicas em que Stipe e o baixista Mike Mills dividem os vocais. Sim, elas estão presentes, ouça ‘Ü Berlin’.

Canções mais melancólicas, com belas cordas e um Stipe em ritmo mais poético não poderiam ficar de fora, e isso é bem visível em ‘Oh My Heart’ e ‘Me, Marlon Brando, Marlon Brando And I’. Aqui, Stipe e companhia não se esqueceram de fazer aquela baladinha conduzida ao piano como na magistral ‘Walk It Back’. Não faltaram os convidados que, na verdade, são amigos da banda há muito tempo. ‘It Happened Today’ tem a colaboração de Eddie Vedder (Pearl Jam) e de Joel Gibb (The Hidden Cameras), enquanto ‘Blue’ ganha mais contornos com vocais femininos graças à canja da sempre fenomenal Patti Smith.

Com a história que o R.E.M. tem, acho que eles nem precisam mudar. Ou se reinventar. E sempre ficamos naquela expectativa, de que algum disco volte a figurar entre os melhores do ano, de quanto tempo a banda ainda permanecerá e alguns possuem um eterno desejo de ouvirem um novo ‘Out Of Time’ (1991) e ‘Automatic For The People’ (1992). Sabem de uma coisa? Os tempos são outros, uma nova era, o que não muda é o respeito que temos por uma banda que sempre cativa quem a segue, isso é como cicatriz e deixa a marca.

A resenha do ‘Accelerate’ que tive o prazer de redigir

A discografia da banda

Um

4 pensamentos sobre “R.E.M. – Collapse Into Now (2011)

  1. Acabei de escutá-lo, depois de enrolar por alguns dias… Bom disco que se enquadra “na média” do R.E.M. Não é superior ao “Accelerate” – este era um disco mais regular na minha opinião, embora esse mérito fosse, também, um “defeito” porque eu sentia falta de uma música que representasse um “pico” no CD. Isso é uma coisa que esse “Collapse Into Now” tem. E para mim é impossível não fazer comparações com o U2. Sem dúvida, são as duas bandas da década de 1980 mais bem sucedidas em termos de popularidade, mas o R.E.M. já ultrapassou há tempos o U2 no quesito qualidade. Enquanto Stipe está melhor do que nunca como vocalista (e com um carisma inabalável), Bono já deixou de ser a “Boa Voz” há tempos e agora não passa de um milionário humanitário. Diferenças que, para mim, são tão substantivas quanto às que existem entre o nível das composições. Bom, já escrevi demais, Dudu. Um abraço do velho Luís “Ziggy Pop”.

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  2. É incrível como bandas como R.E.M., Depeche Mode, U2, e outras mostram com uma capacidade de fazer bons discos, excelentes shows e nem sempre se situar no Mainstream, Com exceção do U2 que citei anteriormente, provando que tem muita lenha ainda pra queimar!!!!! O disco é bem mais pesado que o Accelerate e em relação aos últimos discos, mesmo assim é o R. E.M. de sempre!!!!

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  3. Muito boa matéria! Mais um bom trabalho do R.E.M. que mantém a “bola” da qualidade musical elevada – coisa pra pouquíssimas bandas, principalmente quando possui um longa e competente carreira (como foi dito!). Parabéns Eduardo!

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  4. Definiste bem o disco deles: “sem perder a energia da jovialidade!” É admirável quando uma banda de longa data não perde a intensidade de antes.

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