BEIRUT – The Rip Tide (2011)

ANTERIORES:
+ ALICE GOLD – Seven Rainbows (2011) + BABETTE HAYWARD – You Might Be Somebody (2011)
+ autoKratz – Self Help For Beginners (2011)

O Beirut não é mais aquele de 2006. Cinco anos depois, já não é tão incensado se compararmos em relação à época do surgimento de seu début onde ‘ohs’ e ‘ahs’ foram tão frequentes. Então, lá naqueles dias, um hype tremendo tomou conta de Zach Condon e propriamente da orquestra que o acompanhava. Beirut passaria a ser um dos ícones ‘indies’ mais aclamados dessa nova geração. Vieram mais alguns discos e EP’s, e o precoce Zach, talvez meio assustado com o sucesso, continuou com seu status de sensação musical, apesar de que a mídia sempre tem que ceder a bola da vez para alguém, e esse alguém já não era o Beirut – em certa parte.

Muito coisa mudou para esse jovem de 25 anos (então com 20 anos na época do lançamento de ‘Gulag Orkestar’). Se o Beirut não é tão mais comentado assim pela internet – eu mesmo nem vi muito estardalhaço com esse disco -, em contrapartida, está mais experiente/maduro, refinado e serve de inspiração para muitas outras bandas que estão começando. Aquele rapaz que surpreendeu o mundo sobretudo com aqueles arranjos com sopros, por conseguir juntar a sonoridade do leste europeu com o pop-rock, fazer canções que grudavam em nossos ouvidos, tem sua história musical já bem alicerçada para dizer que era mais do que um hype. Fatos de músicos (Zach e os músicos de apoio) competentes e talentosos dispostos a perpetuar uma herança musical válida e memorável, e que não vivem apenas de um efêmero hype ou de sorte.

‘The Rip Tide’ é aquele disco com vários significados. Para quem não conhece o Beirut, um bom e acessível cartão de visitas. Para os fãs, um atestado irrefutável da boa e diversificada sonoridade abrangida que consagrou o grupo. Para o próprio Zach Condon e sua turma, um passe tranquilo e confiante para futuros trabalhos. Um álbum com tempo correto, bem produzido e arranjado, preciso, com canções que não sobram e com muito fôlego. Do jeito que admiro e que acho importante nestes dias. Temos a música radiofônica (sim, isso mesmo) em seu melhor momento. Pensei ali nos anos 80, quando eu ouvia rádio sem parar, caso ouvisse ‘Santa Fe’ com aquela batida e o refrão grudento, correria logo atrás de informações sobre a banda. Avisaria logo meus amigos. Hoje, eu nem preciso mais. Eis, eu com ela, numa contemplação imensa (ouvinte e músicos em sintonia). Um piano pungente abre ‘Goshen’ para criar uma levada melancólica onde em seguida sopros, a voz de Condon e uma bateria marcial preenchem uma das melhores canções do álbum. ‘Payne’s Bay’ dá mais ênfase ao instrumental com uma herança musical que resvala até um pouco para a latinidade.

E caso você se arrepie com a música ‘The Rip Tide’, fique sossegado. É assim mesmo. O dom do Beirut em criar melodias e arranjos grandiosos que enchem o espírito do ouvinte de prazer (a alegria), mesmo num clima mais soturno. Música para entrar na sua lista de 2011. Esse é o Beirut. Não precisava detalhar tanto. Não mudou em nada na sua sonoridade. E não precisava. Mas desconfie se você escuta um disco no trabalho, em casa, no lazer, e sente falta de ouvi-lo quando não está com o player. Sem muito tumulto e estardalhaço, surge a confirmação de uma banda que sabe compor música com razão, talento e paixão e que respira sem precisar viver de hypes sem sentidos.

Site oficial

Discografia

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